sexta-feira, 30 de setembro de 2005

Claquete 30de setembro de 2005




Newton Ramalho - colunaclaquete@gmail.com

O que está em cartaz

Os piratas modernos estão sofrendo ataques, com os estúdios de Hollywood se unindo numa joint-venture, e, na maior apreensão de CDs e DVDs já vista, em Natal. Enquanto isto, nos cinemas, tem a estréia de “A Feiticeira”, com a gatíssima Nicole Kidman, e, “Wallace & Gromit – A Batalha dos Vegetais”, excelente animação, dos mesmos criadores de “A Fuga das Galinhas”, que passa na TV no domingo. A outra novidade é a Mostra de Cinema Francês, com seis produções, indo até terça-feira. Nas continuações, “Ameaça Invisível – Stealth”, sobre um moderníssimo caça que cria inteligência própria, “Os Gatões – Uma Nova Balada”, comédia de ação, baseada em um famoso seriado dos anos 70, “Água Negra”, suspense dirigido pelo brasileiro Walter Salles, “Vôo Noturno”, de Wes Craven, “Deu Zebra”, um filme família, sobre uma zebra que pensava ser um cavalo de corridas, a comédia romântica “Penetras Bons de Bico”, com Owen Wilson, e, “2 Filhos de Francisco”, cine-biografia da dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano. Não está programado filme de arte nesta semana.


Estréia 1: “A Feiticeira”

A famosa série “A Feiticeira”, que esteve em cartaz nos anos 60, está sendo transformada em filme. A série era sobre uma linda bruxa, que se apaixona por um mortal, e, só após o casamento, ela revela a verdade. Ela promete nunca usar seus poderes, mas, é constantemente tentada a fazer isso. Jack Wyatt (Will Ferrell) é um ator, que tenta dar a volta por cima, interpretando o marido da feiticeira, na série. Quando ele conhece Isabel Bigelow (Nicole Kidman) fica impressionado com sua beleza, e, acredita que ela é perfeita para o papel de Samantha, no novo filme. O que ele não sabe, é que, a moça, realmente, é uma feiticeira. Enquanto isso, o pai de Isabel, Nigel (Michael Caine) fica preocupado com o interesse da filha pelo mundo mortal, até que tem sua própria atenção chamada por Iris Smythson (Shirley MacLaine), atriz que interpreta Endora, mãe de Samantha, na adaptação do programa de TV. A direção é de Nora Ephron. “A Feiticeira” estréia nesta sexta-feira, no Cine 6 do Moviecom. Censura livre.

Estréia 2: “Wallace & Gromit – A Batalha dos Vegetais”

Os criadores de “A Fuga das Galinhas” traz mais uma animação, que mistura efeitos em computador e bonecos de massa, “Wallace & Gromit – A Batalha dos Vegetais”. O bairro onde moram o pacato inventor Wallace, e, seu fiel cão, Gromit, está em polvorosa, com a proximidade do concurso anual de legumes gigantes, organizado pela bela e solteira Lady Tottington. Para proteger as plantações de coelhos famintos, Wallace inventa um equipamento, que captura os animais sem machucá-los. O problema é o que fazer com o excesso de coelhos, que não demoram a superpovoar a casa do inventor. A dupla tem, ainda, de lidar com uma misteriosa fera vegetariana, que está destruindo as plantações à noite. Agora, a honra de Wallace está em jogo, pois ele precisa capturá-la antes do arrogante Victor Quartermaine, que está de olho na fortuna de Lady Tottington. Os personagens Wallace e Gromit protagonizaram três curtas-metragens produzidos pela Aardman Animations: “Wallace & Gromit: A Grand Day Out” (1989), “Wallace & Gromit: The Wrong Trousers” (1993) e “Wallace & Gromit: A Close Chave” (1995). Todos foram indicados ao Oscar de melhor curta de animação, sendo que os dois últimos ganharam a estatueta. “Wallace & Gromit – A Batalha dos Vegetais” estréia nesta sexta-feira, no Cine 7 do Moviecom. Censura livre. Atenção: cópia dublada.



“Sahara”, em DVD


O divertido filme “Sahara” chega, enfim, às locadoras. Adaptação para as telas da série literária criada pelo escritor Clive Cussler, “Sahara” traz o destemido aventureiro Dirk Pitt (Matthew McConaughey) em missão no deserto africano. Após encontrar uma moeda mitólógica, o explorador Dirk Pitt (Matthew McConaughey) parte em uma caça ao tesouro, em uma das regiões mais perigosas do deserto africano. Dirk está em busca do que os nativos chamam de "navio da morte", um navio de batalha da época da Guerra Civil, perdido há séculos, e, que pode ter carregado uma preciosa carga secreta. Dirk recebe a ajuda de Al Giordino (Steve Zahn), seu parceiro de expedições. A dupla conhece a bela Dra. Eva Rojas (Penélope Cruz), uma pesquisadora que acredita que o navio possa estar ligado a uma onda de poluição que está atingindo os mares do mundo, com conseqüências trágicas para a população do norte da África. Juntos eles tentam desvendar o mistério e encontrar o navio perdido. O DVD traz o formato de tela em widescreen anamórfico, enquanto que o áudio vem em inglês Dolby Digital 5.1 e 2.0, e, português 2.0. Como extras, trailers, sinopse, ficha técnica, e, Making Of.


Morre Ronald Golias

Morreu, na terça-feira passada, o comediante Ronald Golias, aos 76 anos. Dono de uma extensa carreira, a maior parte ligada à televisão, Golias ficou famoso devido ao seu personagem no programa de TV "Família Trapo". Golias atuou também em dez filmes, entre eles "Golias Contra o Homem das Bolinhas" e "O Homem que Roubou a Copa do Mundo".

Morre o Agente 86

Morreu, esta semana, aos 82 anos, Don Adams, o comediante que estrelou o seriado televisivo “Agente 86”. Ele fazia o papel do atrapalhado agente Maxwell Smart, na série que parodiava os filmes do 007. O supersecreto agente 86, da C.O.N.T.R.O.L., usava objetos inusitados, como um sapato que se transformava em telefone. Sua parceira na série, a "Agente 99", papel interpretado pela atriz Barbara Feldon, acabou em casamento, com filhos gêmeos. O seriado, criado por: Mel Brooks e Buck Henry, teve 138 episódios, exibidos em cinco temporadas. A Warner lançará, nos próximos meses, uma versão cinematográfica, onde Steve Carell viverá Smart, personagem imortalizado pelo saudoso Adams.


Mostra de Cinema Francês, no Moviecom

Um evento diferente, quebra a rotina dos filmes em cartaz, nos nossos cinemas. De ontem, dia 29, até terça-feira, quatro de outubro, acontece a Mostra de Cinema Francês, no Moviecom. Os filmes serão exibidos sempre na sessão das 17h, no Cine 1 da rede Moviecom. Os títulos programados são os seguintes:

Quinta-feira, 29 de Setembro de 2005:”Tanguy” (2001) - Encantados com o nascimento de Tanguy, seu primeiro filho, Paul (André Dussolier) e Edith (Sabine Azéma) fazem a seguinte promessa: ele poderá viver com eles durante o tempo que quiser. Vinte e oito anos depois, ainda na casa dos pais, e, sem demonstrar o menor interesse de mudar de vida, o belo e inteligente rapaz (Eric Berger) começa a levá-los ao desespero. Paul e Edith resolvem tentar despachá-lo para a Ásia, mas quando o plano não dá certo, eles não demoram a se convencer de que chegou a hora de tomar medidas um pouco mais drásticas para quebrar a promessa que fizeram há quase trinta anos. A direção é de Etienne Chatiliez. Para maiores de 12 anos.
Sexta-feira, 30 de Setembro de 2005 ”Swimming Pool À Beira da Piscina” (2003) - A inglesa Sarah Morton (Charlotte Rampling) é uma escritora de meia-idade, autora de livros de mistério e romances policiais de sucesso. Às voltas com uma crise de inspiração, ela procura seu editor, que lhe empresta a casa de veraneio no ensolarado sul da França. Sarah vai para lá e logo começa a trabalhar num novo romance. Mas ela não contava com a repentina chegada de Julie (Ludivine Sagnier), de 16 anos, a belíssima e pouco convencional filha do editor. Elas se opõem sob vários aspectos, numa convivência cheia de turbulências e ambigüidades, que muda os rumos do livro e da própria vida de Sarah. A direção é de François Ozon. Para maiores de 16 anos.
Sábado, 01 de Outubro de 2005”A Viúva de Saint-Pierre” (2000) – Na ilha de Saint-Pierre e Miquelon, colônia francesa distante da metrópole, o pobre Neel (Emir Kusturica) comete um crime, após uma bebedeira. Ele esfaqueia o velho Coupard para saber se realmente é "gordo e gordurento". Neel é condenado: pena de morte; mas na ilha de Saint-Pierre não há guilhotina. espera-se a chegada da guilhotina na ilha, o condenado aguarda sua execução com humildade. Madame La (Juliette Binoche) tenta redimir o assassino, tendo a convicção de que um homem não pode ser definitivamente mau. Por acaso, Neel acaba tornando-se um herói, um ser querido por todos os habitantes da ilha, mas a República não mudará a sentença capital... Direção de Patrice Leconte. Para maiores de 16 anos.
Domingo, 02 de Outubro de 2005”Harry Chegou Para Ajudar” (2000) - Em meio ao verão, Michel (Laurent Lucas), sua esposa Claire (Mathilde Seigner), e, suas três filhas pequenas, partem numa viagem de férias, a fim de fugir dos problemas decorrentes da tentativa infrutífera de recuperar uma fazenda, na qual trabalham há três anos. Ao parar em um posto de gasolina, Michel, repentinamente, encontra Harry (Sergi López), que logo lhe diz que estudou com ele quando ambos eram crianças, citando até mesmo um poema que Michel escreveu quando ainda estava na escola. Harry, e, sua namorada, acabam sendo convidados, por Michel e Claire, a seguir viagem com eles, convite este aceito. Harry, então, descobre que Michel já não escreve há anos, e, resolve ajudá-lo a retomar sua carreira de escritor. Porém, a cada vez que Harry ajuda Michel e sua família fatos estranhos ocorrem. A direção é de Dominik Moll. Para maiores de 14 anos.
Segunda-feira, 03 de Outubro de 2005”CARNAGES” (2002) - O filme mostra as ligações que acontecem entre personagens que recebem partes do corpo de um touro, morto em uma tourada. Em Madri, Victor (Julien Lescarret) é jovem toureiro que participa de seu primeiro evento. O jovem é atingido pelo touro e fica entre a vida e a morte. No norte da França, a menina Winnie (Raphaëlle Molinier) observa a tourada pela TV. A professora da menina, Jeanne (Lucia Sanchez) viaja à Espanha para visitar sua mãe, Alicia (Ángela Molina). Paralelamente, temos Betty (Lio), uma mulher grávida, entediada, cujo marido é um biólogo que recebe os olhos do touro para análise. Há também uma senhora que vive em um trailer com seu filho. Ambos empalham animais e são assustadoramente esquisitos - é na mão deles que param os chifres do touro. Na medida em que os personagens vão tendo contato com alguma parte do animal morto, transformações radicais acontecem em suas vidas. A direção é de Dephine Gleize. Para maiores de 16 anos.
Terça-feira, 04 de outubro de 2005”O Gosto dos Outros” (2000) - Castella (Jean-Pierre Bacri) é um homem de negócios bem-sucedido em uma pequena cidade no interior da França. Certa noite, ele vai com sua esposa Angélique (Christiane Millet) assistir a uma produção local da peça Berenice, de Racine, na qual sua filha faz um papel. Encantado por Clara (Anne Alvaro), a atriz principal, que havia sido sua professora de inglês no passado, Castella a contrata novamente. Enquanto isso, Manie (Agnès Jaoui), uma amiga de Clara, é uma garçonete que aumenta seus ganhos fazendo tráfico de haxixe. Ela é uma mulher bem-humorada e independente, porém complexada por fracassos amorosos anteriores. Manie tenta de tudo para que seu atual compromisso dê certo, mas sabe que não será tão fácil. A direção é de Agnes Jaoui. Para maiores de 14 anos.



Filme recomendado: “Ameaça Invisível – Stealth”

Tudo o que sobe, desce...


É curioso como, no intrincado jogo de distribuição de filmes, uma produção de 130 milhões de dólares passe quase desapercebida, e, esteja prestes a sair de cartaz dos cinemas de Natal. Claro, não tem o roteiro de “Cidadão Kane”, e, mesmo o ator Jamie Foxx, que ganhou o Oscar por “Ray”, tem uma participação mínima. Contudo, o filme é boa diversão, para quem gosta de filmes de ação. Estamos falando de “Ameaça Invisível – Stealth”.

Os tenentes Ben Gannon (Josh Lucas), Kara Wade (Jessica Biel), e, Henry Purcell (Jamie Foxx) são pilotos de uma divisão de elite da marinha americana, que utiliza jatos ultra-secretos, capazes de alcançar o triplo da velocidade do som, e, isso, invisíveis aos radares inimigos.

Um dia, eles são surpreendidos por seu comandante, o capitão George Cummings (Sam Shepard), que lhes apresenta um avião semelhante ao deles, mas, com o detalhe de que não precisa de piloto. Quem dirige a nave é um sofisticado computador, EDI, dotado de inteligência artificial, com capacidade de aprendizado.

O trio recebe a novidade com desconfiança, principalmente Ben, o líder do grupo. A contragosto, tem que aceitar o “novato” na sua equipe, inclusive, participando de uma missão real. No retorno, o avião de Ben, e, o “Homem de Lata”, apelido que é dado ao artefato, são atingidos por uma tempestade elétrica violenta.

A tempestade afeta fortemente o “Homem de Lata”, criando novos padrões de comportamento da máquina. Na nova missão, o avião inteligente desobedece às ordens de Ben, tomando a iniciativa de atacar o inimigo. Preocupados com o descontrole da máquina, os pilotos o perseguem, e, Henry morre, num acidente fatal.

Enquanto Ben persegue o “Homem de Lata”, Kara é obrigada a retornar para a base. Contudo, o avião, avariado, a obriga a saltar sobre a Coréia do Norte.

Enquanto isto, Ben e o seu alvo estão voando em pleno território russo, pois o “Homem de Lata” resolve aplicar um antigo plano de ataque, do tempo da Guerra Fria. Os dois enfrentam caças russos, falta de combustível, a desconfiança mútua, e, como não poderia deixar de ser, a corrupção de militares e empresários americanos...

Ben precisa salvar a própria pele, e, ainda, a da sua amada Kara, em pleno território inimigo.

Analisando friamente, “Ameaça Invisível – Stealth”, é de uma incorreção política do começo ao fim. Bombardear alvos em território de países amigos, com a desculpa de atingir terroristas, parece bem ser um produto da era W. Bush. Contudo, o filme parece acertar, ao reconhecer que os maiores inimigos do mundo estão entre os próprios americanos.

“Ameaça Invisível” faz muitas referências a outros filmes famosos, como “Top Gun”, e, até mesmo a “2001: Uma Odisséia no Espaço”, comparando o EDI ao Hall 9000, o computador que adquire personalidade própria. Uma cena, em particular, remete a “2001”, quando o EDI observa o vulto de duas pessoas conversando.

O filme é repleto de efeitos especiais, muito bem feitos, por sinal. Não são cenas escuras, como a maioria dos filmes, mas, sim, cenas de céu aberto, com definição de detalhes, sem aquela sensação de desenho animado. Há uma boa química entre os personagens centrais, destacando-se a atuação de Shepard, como o oficial corrupto.

“Ameaça Invisível” é um bom filme de ação, conseguindo equilibrar-se sem os heróis infalíveis, ou, as máquinas superpoderosas. No mais, é desligar o cérebro, na entrada do cinema, e, curtir à vontade. Experimentem.


sexta-feira, 23 de setembro de 2005

Claquete 23 de setembro de 2005




Newton Ramalho - colunaclaquete@gmail.com

O que está em cartaz

Entra furacão, sai furacão, mas, nada de dar uma passada em Brasília. Enquanto isso, os americanos atacam de todo lado. Não, não é uma invasão dos gringos. Neste final de semana, estréiam “Ameaça Invisível – Stealth”, sobre um moderníssimo caça que cria inteligência própria – e, enlouquece, e, “Os Gatões – Uma Nova Balada”, comédia de ação, baseada em um famoso seriado dos anos 70. Nas continuações, temos “Água Negra”, suspense dirigido pelo brasileiro Walter Salles, “A Pessoa é Para o Que Nasce”, documentário sobre três cegas nordestinas, “Vôo Noturno”, de Wes Craven, “Gaijin – Ama-me Como Sou”, a seqüência de “Gaijin”, da diretora Tizuka Yamazaki, “Deu Zebra”, um filme família, sobre uma zebra que pensava ser um cavalo de corridas, as comédias românticas “Penetras Bons de Bico”, com Owen Wilson, e, “Amor em Jogo”, com Drew Barrymore, o terror “A Chave Mestra”, e, “2 Filhos de Francisco”, cine-biografia da dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano. No filme de arte, a produção européia “A Janela da Frente”.


Estréia 1: “Ameaça Invisível - Stealth”

Os tenentes Ben Gannon (Josh Lucas), Kara Wade (Jessica Biel), e, Henry Purcell (Jamie Foxx) são pilotos de uma divisão de elite da marinha americana, que testa jatos ultra-secretos. O mais recente jato fabricado conta com uma inteligência artificial, apelidada de EDI, que faz com que o ele não precise ser tripulado. Apesar da reticência de Ben em ter, na frota, um jato que não conta com o fator humano, o capitão George Cummings (Sam Shepard) autoriza sua utilização. Para a surpresa de todos, EDI demonstra ser um excelente aviador, e, cumpre, com exatidão, as missões a ele delegadas. Entretanto, em uma viagem de volta a um cargueiro, EDI é atingido por um raio, o que faz com que o cérebro do robô se expanda de uma forma que seus criadores jamais poderiam ter previsto. EDI é autorizado a retornar à ativa, mas, os problemas provocados pelo raio pioram em meio a uma missão. Ele ataca o alvo, mesmo com a ordem de Ben, para que não fizesse isto. A situação piora, ainda mais, quando EDI, por conta própria, decide realizar uma missão secreta que, caso tenha êxito, pode gerar uma guerra nuclear. A direção é de Rob Cohen (“Velozes e Furiosos”). “Ameaça Invisível - Stealth” estréia nesta sexta-feira, no Cine 5 do Moviecom. Para maiores de 14 anos.


Estréia 2: “Os Gatões – Uma Nova Balada”

Chega, ao mercado, mais um filme baseado em um seriado de tv. A bola da vez é “Os Gatões – Uma Nova Balada”, baseada na série “Os Gatões”, que foi ao ar no final dos anos 70. O negócio da família Duke é bebida ilegal, que é fabricada pelo tio Jesse (Willie Nelson). Luke (Johnny Knoxville), e, Bo (Seann William Scott), que são primos, são também os responsáveis pela entrega das bebidas. Para isso, eles contam com um Dodge Charger laranja 1969, apelidado de "General Lee". Luke e Bo, volta e meia, enfrentam problemas com a polícia, o que faz com que tenham que andar sempre em alta velocidade. A dupla também se mete em confusão no Boar's Nest, onde sua prima Daisy (Jessica Simpson) trabalha, como garçonete. Após descobrirem que as terras de seus vizinhos estão sendo tomadas irregularmente pelo chefe Hogg (Burt Reynolds), Luke e Bo decidem preparar um plano para salvar o local em que moram. Para filmar todas as estrepolias dos personagens, foram utilizados 26 Dodge Charger, que, aqui no Brasil eram apelidados de “Dojão”. A direção é de Jay Chandrasekhar. “Os Gatões – Uma Nova Balada” estréia, nesta sexta-feira, no Cine 6 do Moviecom. Para maiores de 14 anos.

Filme de Arte: “A Janela da Frente”

A sessão Filme de Arte, do Cine Natal 1, apresenta a produção européia “A Janela da Frente”. Giovanna (Giovana Mazzogiorno) é a jovem mãe de duas crianças, que tem uma vida infeliz no casamento. Um dia, Filippo (Filippo Nigro), seu marido, acolhe, em casa, um velho que perdeu a memória, e, que guarda segredos da 2ª Guerra Mundial. Tentando ajudar o homem a recuperar sua identidade, Giovanna pede ajuda a Lorenzo (Raoul Bova), um jovem que mora do outro lado da rua. Aos poucos, Giovanna se sente atraída por Lorenzo, mas, a partida dele da cidade, em breve faz com que ela comece a questionar a sua própria vida. A direção é de Ferzan Ozpetek. A Sessão Filme de Arte será no Cine Natal 1, na terça-feira, dia 27, em sessão única, às 21h. Para maiores de 14 anos.



Doc TV na TV Cultura

Já ouviu falar no Doc TV? Este é um programa de fomento para produções independentes, mantido por vários organismos públicos, entre os quais, o Ministério da Cultura. Em 2005, foram selecionados, entre 810 inscritos, 35 documentários, que estão sendo exibidos na TV Cultura, sempre aos domingos. O documentário desta semana é “Paulo Companheiro João”, do diretor Iur Gomez, sobre Paulo Stuart Wright. Deputado eleito em 1962, em Santa Catarina, foi cassado pelo AI-1, em maio de 1964. Na condição de clandestinidade, desde a sua cassação, foi visto, pela última vez, em setembro de 1973, durante um encontro furtivo num trecho ferroviário no Estado de São Paulo. Doc Tv vai ao ar nos domingos, sempre às 23h.

FOX lança filmes de Robert Wise em DVD

Numa homenagem póstuma ao grande diretor, morto em 14 de setembro, a distribuidora FOX lançará, no Brasil, em março, a edição especial de 40 anos de “A Noviça Rebelde”. Na nova edição, em DVD, serão inclusos, entre outros extras, comentários de Wise. Serão, também, disponibilizados em DVD, filmes clássicos, como “Amor, Sublime Amor”, “O Dia em Que a Terra Parou”, e, “O Canhoneiro de Yang-Tsé”. Em Outubro, os lançamentos da Fox Classics serão “A Estrela” e “Ratos do Deserto”.


“A Feiticeira”, em DVD

Antes que meus leitores perguntem, explico que o título mencionado não se refere ao recente filme estrelado por Nicole Kidman, que, nem ao menos estreou em nossos cinemas, mas, à série televisiva original, dos anos 60. O box, com quatro discos, traz os 16 primeiros episódios da série, com as aventuras e desventuras da jovem e atraente bruxa Samantha (Elizabeth Montgomery), que resolve abandonar o mundo mágico, e, viver uma vida normal de dona de casa, ao casar-se com Darrin (Dick York). Só que, para atrapalhar, volta e meia, a mãe de Samantha, Endora (Agnes Moorehead), que não aceita a decisão da filha, dá alguma “ajuda” para que o casamento fracasse. A série esteve no ar entre 1964 até 1972, num total de 248 episódios. O box traz ainda, como extras, os documentários “A Mágica Revelada” e “Mágica e Acidentes”, além de Trailers do seriado.


“Os Deuses Devem Estar Loucos”, em DVD

Recentemente, encontrei, em um balcão de promoções, o DVD de “Os Deuses Devem Estar Loucos”. Este filme, de 1980, é uma ingênua, mas, divertida comédia sul-africana, onde o ator principal (N!xau), assim como Xi, o personagem que vive, jamais havia entrado em contato com a civilização. Os primeiros quinze minutos do filme são fantásticos, mostrando a diferença entre o mundo “civilizado” e o da pequena comunidade de Xi. A paz do mundo di Xi é alterada, quando uma garrafa de Coca-Cola vazia é atirada de um avião. Acreditando ser um presente dos deuses, o objeto apresenta muitas utilidades. Contudo, começa a gerar brigas e ciúmes, o que leva Xi a querer devolvê-la aos deuses. Nessa jornada, encontra Andrew Steyn (Marius Weyers), um atrapalhado pesquisador, Kate Thompson (Sandra Prinsloo), uma professora desiludida com o mundo moderno, além de terroristas, policiais, e, todas as dificuldades do mundo civilizado. Como extras, um documentário que mostra a trajetória de N!xau, dez e vinte e cinco anos após o filme. Apesar da simplicidade do filme, é um excelente tema de reflexão, sobre o que chamamos de “civilização”.



Filme recomendado: “Água Negra”

Água me leva, água me traz


Deve ser difícil para um diretor latino-americano penetrar no fechado clube do cinema de Hollywood, e, ainda mais, fazendo cinema de gênero, no caso, suspense. Mas, Walter Salles saiu-se bem, com “Água Negra”, filme falado em inglês, filmado em Nova York, e, com atores americanos. É difícil comparar com “Central do Brasil”, mas, certamente, está acima da média do mercado.

Numa tendência do mercado hollywoodiano, esta é mais uma refilmagem de uma produção japonesa. “Água Negra” é baseado no primeiro “Dark Water”, de Hideo Nakata, e, em um conto de Koji Suzuki, ambos famosos por terem dirigido, e, escrito “O Chamado”. Contudo, a contextualização não poderia ser mais ocidental.

A personagem central, Dahlia (Jennifer Connely) é uma pessoa complicada, que vive uma situação complicada. Ela está saindo de um casamento, através de um processo de separação traumática, onde as desavenças com o marido concentram-se em torno da filha única, do casal. Kyle (Dougray Scott), o ex-marido, quer morar em Jersey, cidade vizinha a Nova York, mas, Dahlia insiste em morar perto de Manhattan, onde tenta retornar ao mercado de trabalho. Como as leis americanas são severas, com relação a espaço para filhos, ela precisa alugar um apartamento de dois quartos, o que não dá muitas opções, considerando a sua situação financeira.

A solução ideal parece estar na Roosevelt Island, que, como o nome indica, é uma ilha fluvial, entre Manhattan e Queens. Na ilha, um conjunto maciço de prédios decadentes propicia moradia mais barata, para quem está disposto a enfrentar as condições do local. Este torna-se o principal ponto de conflito entre Dahlia e Kyle, já que este fixou-se em Jersey, do outro lado de Manhattan, e, reclama que a ex-mulher está colocando obstáculos para que ele fique perto da filha.

No centro desta disputa está Ceci (Ariel Gade), uma encantadora criança de cinco anos, ainda sem entender o que acontece entre os seus pais. A princípio, reclamando do novo bairro, do novo apartamento, e, da nova escola, Ceci, subitamente, muda de opinião, pedindo insistentemente à mãe para que se mudem para a ilha.

O divórcio e a nova casa não são os únicos problemas de Dahlia. Desde criança, ela sofria a rejeição da mãe, alcoolatra e viciada em drogas, que não escondia que Dahlia era um fardo para ela. A lembrança mais recorrente da infância de Dahlia era que a mãe sempre a deixava esperando após a aula.

A princípio, tudo parece correr bem. O apartamento, recém pintado, parece ser o ninho agradável para quem quer recomeçar a vida. Logo, Dahlia consegue um emprego, que, embora não seja maravilhoso, fornece as condições de que ela precisa, para se manter.
O primeiro problema acontece com um estranho vazamento, no teto do quarto da menina. Irritada, Dahlia aciona Murray (John C. Reilly), o corretor responsável pelo apartamento. Após muitas discussões, ele faz com que Veeck (Pete Postlethwaite), o zelador, conserte o vazamento. Este reclama de jovens vândalos, que invadem o apartamento acima do de Dahlia, e, deixam as torneiras abertas.

Os eventos se repetem, com sons de passos e móveis arrastados, e, para complicar, Ceci conversa e brinca com uma amiga imaginária, o que atrapalha a sua vida no colégio. Dahlia fica assustada, quando Ceci diz que o nome desta amiga é Natasha, o mesmo nome encontrado em uma mochila que pertencia a uma menina que morava no apartamento acima do delas, e, que fora embora, com o pai.

O vazamento volta, sempre com uma água negra, perturbando a paz de Dahlia, que, tanto suspeita que o ex-marido contratou os delinquentes do prédio, quanto começa a preocupar-se com a própria saúde mental, já que tem pesadelos recorrentes, e, chegou a dormir um dia inteiro.

Tendo que administrar ex-marido, vazamentos, corretor malandro, porteiro mal-humorado, a coisa termina estourando sobre o lado mais fraco. Dahlia obriga a menina a ignorar a sua amiga imaginária. A solução termina sendo pior, já que a garota se descontrola, em plena aula, no que é considerado um ataque histérico. Sem conseguir contato com Dahlia, o colégio chama o pai, que a leva consigo.

Sem saber da filha, Dahlia fica desesperada, pois parece que todos os problemas estouram de uma vez só, inclusive o vazamento. Desta vez, as visões de Dahlia a conduzem ao que parece ser a origem de todos os fatos estranhos. Ponto. Para saber mais, assista ao filme.

Embora o filme seja fortemente centrado em sua personagem central, um coadjuvante importante é a água. É a água do rio, que cerca e aprisiona os habitantes da ilha, é a água da chuva que cai incessantemente, é a água da banheira, onde acontecem momentos importantes, e, é a água negra do título, que invade o apartamento.

Walter Salles conseguiu um equilíbrio importante, entre o suspense psicológico, e, o terror das aparições fantasmagóricas. Existe sempre uma dúvida, no espectador, se as coisas que estão acontecendo são reais, ou, frutos da imaginação da mente perturbada de Dahlia. Essa, aliás, é a maior reclamação das pessoas que saem insatisfeitas, geralmente, adolescentes, acostumados ao “mata-mata”, do gênero terror.

Destaque para Jennifer Connely, ganhadora de um merecido Oscar, por “Uma Mente Brilhante”, que, em “Água Negra”, praticamente leva o filme sozinha.

sexta-feira, 16 de setembro de 2005

Claquete 16 de setembro de 2005




Newton Ramalho - colunaclaquete@gmail.com

O que está em cartaz

Enquanto as cabeças começam a rolar em Brasília, o terror e a cegueira chegam a Natal – mas, só na ficção. Neste final de semana, estréia “Água Negra”, suspense dirigido por Walter Salles, e, “A Pessoa é Para o Que Nasce”, documentário sobre três cegas nordestinas. Nas continuações, “Vôo Noturno”, de Wes Craven, “Gaijin – Ama-me Como Sou”, a seqüência de “Gaijin”, da diretora Tizuka Yamazaki, “Deu Zebra”, um filme família, sobre uma zebra que pensava ser um cavalo de corridas, as comédias românticas “Penetras Bons de Bico”, com Owen Wilson, “Amor em Jogo”, com Drew Barrymore, e, “Procura-se um Amor Que Goste de Cachorros”, com Diane Lane e John Cusack, o terror “A Chave Mestra”, e, “2 Filhos de Francisco”, cine-biografia da dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano. No filme de arte, a produção americana “Espanglês”.


Estréia 1: “Água Negra”


Apesar de ter estreado quatro semanas atrás, só agora “Água Negra”, do diretor brasileiro Walter Salles, chega aos cinemas natalenses. Dahlia Williams (Jennifer Connelly) separou-se recentemente, e, está tentando começar uma vida nova, mudando para um novo apartamento, e, começando a trabalhar em um novo emprego. Dahlia está decidida a pôr um ponto final no relacionamento com seu antigo marido, para poder cuidar de Ceci (Ariel Gade), sua filha, mas, a separação litigiosa se transforma em uma complicada batalha pela custódia da criança. Para piorar a situação, o apartamento para o qual elas se mudaram possui barulhos misteriosos, vazamentos constantes de uma água negra, e, alguns fatos estranhos, que dão margem à imaginação de Dahlia. Acreditando que está sendo vítima de um assustador jogo mental, ela tenta juntar as peças do enigma, e, descobrir o que está acontecendo. Este filme, que é uma refilmagem da produção japonesa “Honogurai Mizu No Soko Kara”, é a primeira produção em inglês do diretor brasileiro. “Água Negra” estréia nesta sexta-feira, no Cine 5 do Moviecom. Para maiores de 12 anos.


Estréia 2: “A Pessoa é Para o Que Nasce”

Um interessante documentário, do diretor Roberto Berliner, chega aos nossos cinemas. “A Pessoa é Para o Que Nasce”, foi, inicialmente, um curta-metragem de seis minutos que percorreu vários festivais do Brasil e do mundo. A adaptação para um longa-metragem levou três anos, terminando em 2004. O documentário trata sobre três irmãs cegas. Unidas por esta incomum peripécia do destino, Regina, Maria e Conceição viveram toda sua vida cantando e tocando ganzá, em troca de esmolas, nas cidades e feiras do Nordeste do Brasil. O filme acompanha os afazeres cotidianos destas mulheres, e, revela suas curiosas estratégias de sobrevivência, das quais participam parentes e vizinhos. Acompanha, também, numa reviravolta inesperada, o efeito do cinema na vida destas mulheres, transformando-as em celebridades. “A Pessoa é Para o Que Nasce” estréia, nesta sexta-feira, no Cine 2 do Moviecom. Censura Livre.

Filme de Arte: “Espanglês”

A sessão Filme de Arte, do Cine Natal 1, apresenta a produção americana “Espanglês”. Flor (Paz Vega) é uma bela mexicana, que possui uma filha de 12 anos (Shelbie Bruce). Ela vai trabalhar como empregada doméstica na casa dos Clasky, uma influente família de Los Angeles. Temendo sua adaptação à cultura americana, Flor se surpreende com a forma receptiva com a qual é tratada pelos Clasky. Dirigido por James L. Brooks (“Laços de Ternura”), e, com Adam Sandler, Paz Vega e Téa Leoni no elenco. Curioso que este filme, apesar de ter o cartaz exibido durante meses, nunca chegou a ser exibido comercialmente, em Natal. A Sessão Filme de Arte será no Cine Natal 1, na terça-feira, dia 20, em sessão única, às 21h. Para maiores de 12 anos.



Abertas inscrições para Festival de Cinema Universitário


Chegando em sua quarta edição, o Nóia – Festival Brasileiro de Cinema e Vídeo Universitário, abriu as inscrições, durante todo o mês de setembro. O tema do festival deste ano, que acontece entre os dias 30 de novembro e 03 de dezembro, no Centro Dragão do Marde Arte e Cultura, em Fortaleza, é “Cinema de Animação”. Poderão se inscrever estudantes universitários de todo o Brasil, nas categorias ficção, documentário, experimental, além da animação. A programação do festival contará, também, com Oficinas e Seminários, abertos ao público, e, trará grandes profissionais, da área de quadrinhos, e, cinema de animação. Mais informações, no site do festival: www.noia2005.com.


Morre Robert Wise

O diretor de “Noviça Rebelde” e “Amor, Sublime Amor”, morreu na última quarta-feira, aos 91 anos de idade, em decorrência de problemas cardíacos. Ele morreu poucos dias antes do Festival de San Sebastian, onde seria premiado pelo conjunto de sua obra. Wise foi indicado aos Oscar em três ocasiões, ganhando a estatueta nos filmes citados acima. Wise também dirigiu outros filmes memoráveis, como “A Maldição do Sangue da Pantera”, “O Canhoneiro do Yang-Tsé”, “O Enigma de Andrômeda”, “Jornada nas Estrelas – O Filme”, e, o clássico “O Dia em Que a Terra Parou”, libelo pacifista em plena Guerra Fria, lançado recentemente, em DVD, no Brasil. Além de sua carreira como diretor, Wise foi um talentoso editor, sendo indicado ao Oscar pela edição de “Cidadão Kane”, considerado, por muitos, o melhor filme de todos os tempos.


“Star Wars III” em pré-venda

Já está sendo colocado à venda, com entrega para 1º de novembro, o DVD duplo de “Star Wars Episódio III – A Vingança dos Sith”. A edução, ansiosamente aguardada pelos fãs, vem recheada de extras, como é de costume na série. O primeiro disco traz o filme, com formato de vídeo widescreen 2.35:1 & 16x9 Anamórfico, e, áudio em inglês Dolby Digital 5.1Surround EX, e, Espanhol e Português Dolby Digital 2.0. O disco de extras traz seis cenas excluídas inéditas, documentário “Em Um Minuto”, a transformação em Darth Vader, no featurette “O Escolhido”, a criação das batalhas em "É Tudo Verdade", "making of" de "A Vingança dos Sith", em uma coleção de 15 documentários para a internet, clipe musical "A Hero Falls", Teaser do cinema e trailers de lançamento, galeria de fotos de produção, demo do novo videogame “STAR WARS Battlefront”, e, links do DVD-ROM de Star Wars.


“Fome de Viver” é relançado no circuitão

Os fãs estranhavam a demora do lançamento, em DVD, do cultuado filme “Fome de Viver”, de 1983. A explicação é que o filme foi relançado nos cinemas, em cópia nova, estando, atualmente, em cartaz no Rio de Janeiro. “Fome de Viver”, baseado em livro de Whitley Strieber, conta a história de uma sensual vampira, vivida por Catherine Deneuve, que, ao perder o seu atual companheiro (David Bowie), inicia um romance com uma jovem médica, vivida por Susan Sarandon. O filme virou cult, nos anos 80, pelo visual requintado, misturando elementos clássicos e modernos, além de uma trilha sonora, que une rock a Bach e Schubert. Vamos torcer para que chegue por aqui.



Filme recomendado: “Rios Vermelhos”

Rios de ação


Ninguém é inocente. Não, não estou me referindo aos protagonistas das várias CPIs que assolam o país. Mas, a frase resume bem um intessante filme francês, que resgata o clima das produções policiais das décadas de 30 e 40, embora use, com parcimônia, os efeitos especiais da tecnologia atual. O filme em questão é “Rios Vermelhos”, do diretor Mathieu Kassovitz, baseado no best seller homônimo do escritor Jean-Christophe Grangé.

O filme inicia com a chegada do comissário Niemans a Guernon, uma pequena cidade nos Alpes franceses. Niemans é um veterano policial de Paris, famoso, tanto por sua experiência de campo, quanto pela truculência e mau humor. Sua vinda à pequena cidade foi motivada por um crime bizarro. O corpo de um homem foi encontrado, sem as mãos e olhos, e, com sinais de tortura, executada com requintes de crueldade.

O crime chocou a pequena cidade, que vivia em função da universidade local. Esta, uma instituição tradicional, orgulhava-se dos prêmios conquistados, tanto nas competições atléticas universitárias, como nas pesquisas acadêmicas. A vítima, como a maioria dos habitantes da cidade, trabalhava na universidade, na biblioteca do campus.

A análise da água encontrada nos globos oculares do morto levou à descoberta de uma nova vítima, o que sugeriu a possibilidade de um criminoso em série.

Longe dali, um jovem policial, Max Kerkerian, investiga a violação do túmulo de uma criança, morta em um acidente automobilístico, dezoito anos antes. Logo, ele descobre que todos os registros referentes à menina, tinham sido roubados, da escola local. Seguindo as poucas pistas de que dispunha, conseguiu chegar à casa do possível autor da violação do túmulo.

Ao tentar entrar na casa, encontra com Niemans, que também vinha examiná-la, pois pertencia à segunda vítima. Após um confuso início, os dois passam a trabalhar juntos.

As investigações são dificultadas pelo próprio ambiente. Os professores da universidade formam uma comunidade extremamente fechada, expurgando os estranhos, e, casando-se entre si, numa casta moderna. Os policiais ficam chocados com a tese de doutorado da primeira vítima, o blibliotecário, que estudava os jogos olímpicos de 1936, numa apologia à criação da raça pura nazista. É desse trabalho que vem o título do filme, já que “rios vermelhos” seriam as veias, por onde corria o sangue puro.

Os crimes continuam acontecendo, desta vez com o oftalmologista local, ex-membro da universidade. Niemans escapa da morte, enquanto o assassino foge de Kerkerian, após uma exaustiva perseguição.

Aos poucos, os dois vão percebendo que, mais que crimes isolados, as mortes refletem uma vingança terrível, a crimes praticados no passado. O desfecho se dará no alto das montanhas, em meio às neves eternas, com revelações surpreendentes.

Certamente, o espectador já terá visto muitos filmes policiais tratando de serial killers, com muito mais efeitos especiais, tiros, explosões, e, perseguições de carros. Então, o que teria de mais, este filme, em particular?

Embora o cinema hollywoodiano seja o melhor em termos de efeitos especiais, a maioria dos autores e distribuidores morre de medo da autocensura, que pode classificar o filme impróprio para determinadas faixas de público. Isso, certamente prejudica a bilheteria do filme, ponto mais sensível do coração dos burocratas.

Sendo assim, o cinema americano, na maioria dos casos, carece de ousadia. Os personagens são estereotipados, o mocinho, um anjo de candura, o vilão, o pior dos elementos, etc..

O cinema europeu, de uma maneira geral, e, o filme policial francês, em particular, mostram-se bem mais soltos, apresentando seus personagens de uma forma mais humana, com virtudes e defeitos. Niemans, o poderoso comissário, é bruto, mal humorado, não respeita regras, e, morre de medo de cachorros. Kerkerian, certamente, se não fosse policial, seria um marginal. Ele fuma maconha, e, ao se ver sem transporte, não hesita em roubar um carro. Mesmo assim, os dois irão às últimas conseqüências, para elucidar os crimes, e, prender os culpados.

Todas as vítimas estavam envolvidas em um tenebroso plano, no passado, plano este que motivou o assassino a vingar-se, de uma forma cruel e aterradora.

O filme mantém um ritmo intenso, cheio de reviravoltas, que mantém o espectador preso, tanto pela direção segura de Kassovitz, como pela atuação do elenco, em especial, do marroquino Jean Reno, que criou uma magnífica interpretação do comissário Niemans. Vicente Cassel faz um contra-ponto interessante, como o jovem policial Kerkerian. “Rios vermelhos” recebeu cinco indicações ao César, o Oscar francês, nas Melhor Diretor, Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora e Melhor Som.

A edição em DVD, da Columbia, está excelente. Além das trilhas em francês (original), inglês, portugues e espanhol, foi mantido o formato da tela em widescreen anamórfico. Como extras, comentários do diretor, Mathieu Kassovitz, e, do ator Vicent Cassel, documentário “A Investigação”, com 50 minutos, Making Of, com mais 25, tudo legendado em português, notas sobre o elenco e diretor, trailer de cinema, e, mais alguns easter eggs, extras escondidos. O filme gerou uma seqüência, “Rios Vermelhos 2 – Anjos do Apocalipse”, que, além de não ter o brilho do filme original, teve uma péssima edição em DVD.

Puro entretenimento, quem gosta do gênero policial, certamente ficará satisfeito, ao acompanhar a história, num crescente de ação e suspense. “Rios Vermelhos”, além de resgatar o filme policial francês noir, também trouxe elementos do cinema moderno, como a montagem alucinante, além de uma fotografia impecável, que, não apenas contribui para a atmosfera do filme, como também ressalta as belíssimas paisagens das montanhas francesas.