sexta-feira, 7 de março de 2008

Claquete – 07 de março de 2008

Newton Ramalho - colunaclaquete@gmail.com

O que está em cartaz

As mulheres comemoram o seu Dia Internacional, embora eu continue achando que elas deveriam lutar para não precisar de um dia especial... É como os ganhadores de Oscar, que, quando chegam a Natal, não esquentam muito o lugar. Esta semana será a vez dos dramas “Sangue Negro” (só no Cinemark) e “Piaf – Um Hino ao Amor” (só no Moviecom). Estréia, também a aventura “10.000 A.C.”. Continuam em cartaz: “Rambo IV”, com Sylvester Stallone, o drama “O Caçador de Pipas” (veja em Filme da Semana), “Vestida Para Casar”, “Juno” e “Meu Monstro de Estimação”. Nas programações exclusivas, o Cinemark exibe “Antes de Partir”, “Meu Nome Não é Johnny” e, na Sessão Cult, o nacional “Jogo de Cena”. No Moviecom, mantém-se em cartaz “O Gangster”, “A Lenda do Tesouro Perdido 2 – Livro dos Segredos”, “Hitman – Assassino 47” e “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”.

Estréia 1: “Sangue Negro”

“Sangue Negro” é a história da vida e do mundo de Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis), que consegue sair da condição de um mineiro derrotado e pai solteiro para magnata do petróleo, graças a seus próprios esforços. Quando Plainview fica sabendo da existência de uma pequena cidade no Oeste onde o petróleo, uma riqueza, ainda pouco compreendida, está transbordando do solo, ele segue para lá com seu filho, H.W. (Dillon Freasier), para tentar a sorte na pequena e empoeirada Little Boston. Mas, quando o ouro negro lhes traz toda a fortuna, nada permanecerá igual, pois uma série de conflitos irá por os valores em perigo, por causa da corrupção, fraude e do petróleo. O filme foi escrito e dirigido por Paul Thomas Anderson, e ganhou o Oscar de Fotografia e de Melhor Ator (Daniel Day-Lewis), além de ter sido indicado para mais seis categorias. “Sangue Negro” estréia nesta sexta-feira, na Sala 3 do Cinemark. Classificação indicativa 16 anos.


Estréia 2: “Piaf – Um Hino ao Amor”

A vida de Edith Piaf (Marion Cottilard) foi sempre uma batalha. Abandonada pela mãe, foi criada pela avó, dona de um bordel na Normandia. Dos três aos sete anos de idade fica cega, recuperando-se milagrosamente. Mais tarde, vive com o pai alcoólatra, a quem abandona aos 15 anos. Depois de crescida e independente de seu pai, Edith segue inconscientemente os passos da mãe, cantando nas ruas de Paris, em troca de moedas. Em 1935 é descoberta por um dono de boate e, neste mesmo ano, grava seu primeiro disco. A vida sofrida é coroada com o sucesso internacional. Fama, dinheiro, amizades, mas também a constante vigilância da opinião pública. Como suas músicas, a sua vida é repleta de amores e tragédias. O filme ganhou os Oscars de Melhor Atriz (Marion Cotillard) e Melhor Maquiagem, sendo, ainda, indicado para Melhor Figurino. A direção é de Olivier Dahan. “Piaf – Um Hino ao Amor” estréia nesta sexta-feira, no Cine 5 do Moviecom. Classificação indicativa 12 anos.

Estréia 3: “10.000 A.C.”

Ambientado em uma época remota, 10 mil anos antes de Cristo, o filme narra a saga de D'Leh (Steven Strait), um jovem caçador de mamutes, cujo pai supostamente abandonou seu povo. Sua maior vontade é provar sua coragem e conquistar o coração de Evolet (Camilla Belle), por quem é apaixonado. Evolet surgiu na tribo como filha de uma profecia. Ela só poderia se entregar àquele que conseguisse matar o “rei” dos mamutes. Antes que alguém consiga tal feito de verdade, a tribo é invadida por misteriosos guerreiros que seqüestram a moça. D'Leh sai em busca da amada, e, no caminho, ele se depara com tigres dentes-de-sabre, tribos desconhecidas e com seu próprio passado. Ele consegue juntar um enorme exército e não só a vida de Evolet, como a de todo seu povo, vai depender de suas decisões. A direção é de Roland Emmerich. “10.000 A.C.” estréia nesta sexta-feira, no Cine 6 do Moviecom (dublado) e na Sala 2 do Cinemark (legendado). Classificação indicativa 12 anos.

Sessão Cult: “Jogo de Cena”

Atendendo a um anúncio de jornal, 83 mulheres contaram sua história de vida em um estúdio. 23 delas foram selecionadas, em junho de 2006, sendo filmadas no Teatro Glauce Rocha. Em setembro do mesmo ano, várias atrizes interpretaram, a seu modo, as histórias contadas por estas mulheres. “Jogo de Cena” é o décimo longa-metragem de Eduardo Coutinho, um dos maiores documentaristas brasileiros em atividade. A partir desta sexta-feira, na Sala 7 do Cinemark, na sessão de 15h. Classificação indicativa livre.

Lançamentos em DVD

“Primo Basílio”, em DVD

O clássico de Eça de Queiroz é ambientado em São Paulo, 1958. A jovem Luísa (Débora Fallabela) casada com o engenheiro Jorge (Reynaldo Gianecchini), sofre com as constantes ausências do marido, envolvido na construção de Brasília. O reencontro de Luísa e seu primo Basílio (Fábio Assunção) coloca o casamento da jovem sonhadora em risco, já que ela se envolve num caso extraconjugal. Juliana (Glória Pires), sua invejosa governanta, descobre o romance proibido e faz de tudo para infernizar a vida de Luísa, ameaçando revelar seu segredo. O disco traz o filme com formato de tela widescreen e áudio Dolby Digital 5.1. Nas lojas e locadoras.

“Planeta Terror”, em DVD

O casal de médicos William (Josh Brolin) e Dakota Block (Marley Shelton) é surpreendido no hospital por uma multidão de homens e mulheres cheios de feridas e mutilações, que vagam com um suspeito olhar perdido. Entre eles está Cherry (Rose McGowan), uma dançarina de boate cuja perna foi arrancada num ataque noturno. Com uma metralhadora no lugar da perna decepada, ela vai liderar, acompanhada por El Wray (Freddy Rodríguez), um exército de inválidos assassinos. A direção é de Robert Rodriguez. O disco traz o filme com formato de tela widescreen e áudio Dolby Digital. Nas lojas e locadoras.

“O Invisível”, em DVD

Nick Powell, um escritor com uma carreira brilhante, é brutalmente atacado numa noite e abandonado, praticamente sem vida, em um lugar estranho. Preso entre o mundo dos vivos e dos mortos, ele só poderá contar com a ajuda de Annie, a única que consegue vê-lo e ouvi-lo. Para salvá-lo da morte iminente, precisarão trabalhar juntos e descobrir o que realmente aconteceu. Mas, como solucionar um mistério quando a vítima é você mesmo? O disco traz o filme com formato de tela cheia e áudio Dolby Digital 5.1, e, como extras, Comentários em Áudio do Diretor David S. Goyer e da escritora Christine Roum, Cenas Inéditas e Videoclipes. Nas lojas e locadoras.


Eventos


“Festim Diabólico”, no Cine Café

O Cineclube Natal, em parceria com o Nalva Melo Café Salão, apresenta nesta sexta-feira, o longa-metragem “Festim Diabólico”, do diretor Alfred Hitchcock. Dois rapazes matam um colega de escola, apenas para terem a sensação de praticar um assassinato e provar que conseguem realizar o crime perfeito. Para desafiar os amigos e a família, fazem uma festa no apartamento deles, e colocam a comida em cima de um baú onde está o corpo da vítima. A exibição começa às 20h, no espaço do próprio café (Rua Duque de Caxias, 110, Ribeira). A entrada custa R$2,00. Para maiores de 14 anos.

"ALIENAÇÃO" no Projeto Café Teatro 2008

No próximo sábado, 8 de março, em continuidade ao projeto Café Teatro, será encenada a peça "ALIENAÇÃO", no Nalva Melo Café Salão. O espetáculo é dirigido por Ramona Lina e conta, no elenco, com os atores, Arlindo Bezerra, Daniel Eshofuni, Doc Câmara, Luana Vesceslau e pelos músicos Clóvis Neto e Felipe Serquiz. O Projeto Café Teatro 2008 tem por objetivo apresentar, ao público natalense, trabalhos de atores locais e oferecer um espaço alternativo para as artes cênicas. A exibição começa às 19h30, no espaço do próprio café (Rua Duque de Caxias, 110, Ribeira). A entrada custa R$5,00. Para maiores de 18 anos.

Sessão Maldita da Tapiocaria: “O Estranho Sem Nome”

A Sessão Maldita da Tapiocaria exibe no próximo domingo (09/03) o filme “O Estranho Sem Nome” (1973), de Clint Eastwood. O segundo filme de Clint Eastwood como diretor, ele interpreta um misterioso estranho que emerge do escaldante calor do deserto e cavalga em direção à pecaminosa cidade Lago. Após cometer três assassinatos e um estupro, “O Estranho” é contratado pela cidade para protegê-la de três criminosos fugidos da prisão. Ele manda pintar toda a cidade de vermelho e a rebatiza como Inferno. Dessa forma incomum, ele espera os bandidos para um confronto final. A exibição será no domingo, dia 9, às 17h30, na Tapiocaria do Shopping do Artesanato Popular, ao lado do Praia Shopping. Consumação mínima de R$ 2.


Filme da Semana: “O Caçador de Pipas”

O caçador da redenção

Quando falei para a minha filha Marina que estava lendo “O Caçador de Pipas”, ela disse que parara no meio, o que era estranho, em uma devoradora de livros como ela. É desgraça demais, disse ela, se alguém com depressão ler esse livro, é capaz de se matar. Fui obrigado a concordar com ela, ao terminar a leitura, e fiquei apreensivo quanto ao filme, que estreou a semana passada em Natal. Mas, para a minha grata surpresa, o filme é muito bom, e, a história, embora suavizada, não deixa de cumprir o seu papel, que é o de mostrar ao mundo um pouco da realidade do sofrido Afeganistão.

A história inicia naquele país, no final dos anos 70. O país vive uma onda de inquietação política, com os embates entre os simpatizantes do comunismo e os fanáticos religiosos. Mantendo distância desses grupos, um homem de negócios ganha a vida lidando com a burocracia e a corrupção da máquina do governo. Baba (Homayoun Ershadi) é rico, para os padrões afegãos, e vive, com o seu único filho, Amir (Zekeria Ebrahimi) em uma confortável mansão. Entre os criados vive Ali (Nabi Tanha) que tem um filho da idade de Amir, Hassan (Ahmad Khan Mahmidzada).

Amir é uma criança solitária, que gosta de ler e sonha em ser escritor. Seu único amigo é Hassan, que é desprezado pelos outros meninos por ser pobre e, principalmente, por ser da etnia Hazara, enquanto que a etnia dominante é a Pashtun. Mas, Hassan não se importa com isso, vive feliz ao lado do pai e de Amir, por quem mantém uma devoção a toda prova. Hassan, apesar de analfabeto, adora as histórias de Amir, é excelente no estilingue e tem uma habilidade toda especial para encontrar as pipas que caem do céu.

Como seu país, Amir vive dividido. Apesar da amizade incondicional de Hassan, ele se ressente da atenção que o seu pai dá ao filho do criado. Ele acha que o pai não gosta dele e o culpa pela morte da mãe, durante o parto. Rahim Kahn (Shaun Toub), o melhor amigo do seu pai, tenta demove-lo dessa idéia e o incentiva a continuar escrevendo.

O maior problema de Amir tem o nome de Assef (Elham Ehsas), um esnobe colega de colégio, que tem prazer em aterrorizar os garotos menores, acompanhado de dois asseclas. Quando, um dia, ele ameaça Amir, Hassan vem em seu socorro, usando o estilingue para proteger o amigo.

Esse gesto faz crescer o ódio de Assef por Hassan, que planeja a vingança. Essa acontece durante um torneio de pipas, quando Hassan é encurralado por Assef e seus comparsas. Indefeso, ele é espancado e violentado por Assef, enquanto Amir presencia tudo, escondido, incapaz de fazer nada.

O ocorrido piora a angústia de Amir, que além de se culpar por sua covardia, vê o amigo suportar tudo com estoicismo e silêncio. Juntando tudo isso com o ciúme, ele cria uma situação onde Hassan é acusado de roubo. Apesar do pai de Amir tentar impedir, Ali e Hassan abandonam a casa.

A situação política do país desmorona com a invasão soviética, em dezembro de 1979. No auge da Guerra Fria, com os Estados Unidos envolvidos numa crise com reféns no Irã, mais de cem mil soldados soviéticos impõem um governo comunista e promovem uma destruição sem precedentes no país.

Baba e Amir (Khalid Abdalla) conseguem fugir para os Estados Unidos, onde viverão modestamente, enquanto o jovem se adapta ao modo de vida ocidental. Apesar de sempre estarem em contato com outros afegãos, a dura vida em sua terra natal fica apenas nas lembranças, enquanto as notícias ruins vão chegando, com a substituição do invasor soviético pelos fundamentalistas talibãs, que pregam um retorno às origens, destruindo todo sinal de modernidade e civilização ocidental.

Amir conhece uma jovem afegã, Soraya (Atossa Leoni), por quem se apaixona e casa, com as bênçãos de ambas as famílias. Apesar de não terem filhos, vivem felizes e Amir, finalmente, realiza o sonho de publicar o seu primeiro romance. Nesse momento, ele recebe um telefonema do velho amigo Rahim Kahn, que pede que vá vê-lo no Paquistão.

Atendendo ao pedido do amigo, Amir será colocado a par de revelações que explicam os sentimentos do pai em relação a Hassan. Ele descobre, também, que o antigo amigo morrera, assassinado pelos talibãs, e que o seu único filho estava abandonado à própria sorte em Kabul.

O pacato Amir decide, então, fazer o gesto mais ousado de sua vida. Ele irá penetrar no perigoso Afeganistão dominado com mão de ferro pelos talibãs, para resgatar o filho de Hassan, e redimir um pouco da culpa que o domina desde criança. O maior obstáculo que ele irá encontrar será o seu antigo desafeto, Assef (Abdul Salam Yusoufzai), agora, um importante e cruel oficial talibã.

O maior mérito do filme “O Caçador de Pipas”, além de transformar em imagem a envolvente história de Khaled Hosseini, é o de dar uma visão, mesmo que fugaz, do horror em que se transformou o Afeganistão sob o domínio talibã. O Afeganistão, país montanhoso, com pouca área cultivável e condições climáticas extremas, é muito pobre, e as turbulências políticas e invasões estrangeiras pioraram muito mais essas condições, aumentando a miséria e a mortalidade, a ponto de um terço da população ter fugido para outros países.

Quem leu o livro de Hosseini certamente irá sentir falta de alguns eventos, bem como de uma maior contundência – no sentido literal – do embate de Amir e Assef. Mas, cinema é outra linguagem, as modificações feitas serviram para tornar o filme mais acessível para a maioria dos espectadores, que certamente se interessarão mais pelo assunto. Se conseguir isso, já terá valido o preço do ingresso. Experimentem.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Claquete – 29 de fevereiro de 2008


Newton Ramalho - colunaclaquete@gmail.com

O que está em cartaz

O Oscar veio e passou, sobrando pouca coisa para o natalense conferir. Nas estréias, Stallone ressuscita “Rambo IV”, enquanto “O Caçador de Pipas” chega com um certo atraso. Estréiam, só no Moviecom, “Hitman – Assassino 47” e “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”, um raro filme romeno. Continuam em cartaz a comédia romântica “Vestida Para Casar”, o drama “Juno”, Oscar de Melhor Roteiro, o infantil “Meu Monstro de Estimação” e o drama político “O Suspeito”. Nas programações exclusivas, o Cinemark exibe “Desejo e Reparação”, Oscar de Melhor Trilha Sonora, a comédia dramática “Antes de Partir”, o drama nacional “Meu Nome Não é Johnny” e, na Sessão Cult, o nacional “Mutum”. No Moviecom, estão em cartaz o policial “O Gangster”, com Denzel Washington, a aventura “A Lenda do Tesouro Perdido 2 – Livro dos Segredos”, e o nacional “Sexo Com Amor?”.

Estréia 1: “Rambo IV”

Uma guerra civil se prolonga por quase 60 anos, na fronteira da Birmânia com a Tailândia, envolvendo os birmaneses e a tribo karen. John Rambo (Sylvester Stallone) vive no norte da Tailândia, onde pilota um barco no rio Salween. Cansado de lutar, Rambo leva uma vida simples e solitária, apenas acompanhando o fluxo de rebeldes e refugiados. Um dia, Sarah Miller (Julie Benz) e Michael Burnett (Paul Schulze), dois missionários, explicam que os birmaneses colocaram minas terrestres na estrada e que, por isso, precisam que Rambo os leve pelo rio. Relutante, Rambo aceita a proposta. Mas, duas semanas depois, o pastor Artur Marsh (Ken Howard) o procura, dizendo que os missionários foram capturados e que havia recolhido dinheiro para contratar mercenários para resgatá-los. O pastor agora quer que Rambo treine os mercenários, para que a missão deles possa ter sucesso. Este é o quarto episódio da série Rambo, e o primeiro a ser dirigido pelo próprio Stallone. “Rambo IV” estréia nesta sexta-feira, no Cine 4 do Moviecom (dublado) e na Sala 2 do Cinemark (legendado). Para maiores de 18 anos.

Estréia 2: “O Caçador de Pipas”

Na exótica Kabul, capital do Afeganistão, antes da invasão russa e posterior domínio talibã, dois meninos, Amir (Zekeria Ebrahimi) e Hassan (Ahmad Khan Mahmidzada) vivem uma vida feliz, curtindo a infância e pegando as pipas que caem nos torneios. Mas, o ciúme irá provocar a separação entre os dois e Amir passa a viver com o pai nos Estados Unidos. Vinte anos depois, ao saber da sua real relação com Hassan, Amir retorna ao Afeganistão, para tentar consertar o ocorrido em seu passado. A sua missão é encontrar e resgatar o filho de Hassan, que se encontra sob a guarda de um dos mais cruéis oficiais do Talibã, e tem uma relação direta com a infância de Amir. A direção é de Marc Foster (“Em Busca da Terra do Nunca”). Baseado no best-seller de Khaled Hosseini, “O Caçador de Pipas” estréia nesta sexta-feira, no Cine 6 do Moviecom e na Sala 5 do Cinemark. Para maiores de 14 anos.

Estréia 3: “Hitman – O Assassino 47”

O agente 47 (Timothy Olyphant) foi criado para ser um exímio matador de aluguel. Suas armas mais poderosas são a ousadia e o orgulho que têm ao executar cada trabalho. O número 47 é uma referência aos dois últimos dígitos do código de barras que tem tatuado em sua nuca. Um dia, ele é envolvido em um golpe político, o que faz com que seja perseguido pela Interpol e pelos militares russos. Enquanto foge pela Europa Oriental, ele tenta descobrir quem organizou este plano contra ele, ao mesmo tempo em que precisa lidar com as lembranças que uma bela garota lhe desperta. A direção é de Xavier Gens. “Hitman – Assassino 47” estréia nesta sexta-feira, no Cine 7 do Moviecom. Para maiores de 14 anos.

Estréia 4: “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”

Em 1987, nos últimos dias do comunismo na Romênia, Otilia (Anamaria Marinca) e Gabita (Laura Vasiliu) dividem um quarto num dormitório estudantil. Elas são colegas de classe na universidade de uma pequena cidade romena. Gabita está grávida e o aborto é ilegal no país. Otilia aluga um quarto num hotel barato. Lá, elas recebem um certo Sr. Bebe (Vlad Ivanov), chamado para resolver a questão. Mas, ao saber que Gabita está com a gravidez mais adiantada do que havia informado, Sr. Bebe aumenta as exigências para o serviço. Ele cobra um preço que as duas não estão preparadas para pagar. A direção é de Cristian Mungiu. “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias” estréia nesta sexta-feira, no Cine 1 do Moviecom. Para maiores de 14 anos.

Sessão Cult: “Mutum”

Mutum é um local isolado do sertão de Minas Gerais, onde vivem Thiago (Thiago da Silva Mariz) e sua família. Thiago tem apenas dez anos e, juntamente com seu irmão e único amigo Felipe (Wallison Felipe Leal Barroso), é obrigado a enxergar o nebuloso mundo dos adultos. “Mutum” é baseado na história de Miguilim, da novela “Campo Geral”, de João Guimarães Rosa. Os nomes dos personagens-mirins foram trocados em relação ao livro. Eles foram chamados pelos nomes dos próprios atores - todos não profissionais, escolhidos na região das filmagens. Dirigido por Sandra Kogut (“Um Passaporte Húngaro”). A partir desta sexta-feira, na Sala 4 do Cinemark, na sessão de 15h. Censura livre.



Lançamentos em DVD


“Tropa de Elite”, em DVD

Depois de ser visto em DVD pirata e nos cinemas, o filme “Tropa de Elite” chega à versão oficial em DVD. O filme mostra o treinamento e a prática do BOPE (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar), grupo especializado no combate ao tráfico nos morros cariocas, visto por meio da trajetória de três oficiais, interpretados por Wagner Moura, Caio Junqueira e André Ramiro. O disco traz o filme com formato de tela widescreen e áudio Dolby Digital 5.1, e, como extras, Trailers, Entrevistas, Galeria de Fotos e a versão em mp4. Nas lojas e locadoras.

“Stardust: O Mistério da Estrela”, em DVD

Para provar seu amor pela namorada, Tristan Thorn, um garoto comum da pequena cidade de Muralha, promete buscar uma estrela cadente que ambos viram cair. Entretanto, o corpo celeste não caiu no mundo em que vivem, e sim, nas terras além-muro – no mundo das fadas. Assim, cabe a Tristan juntar coragem para iniciar sua jornada e adentrar o reino mágico, se quiser conquistar sua amada. Lá dentro, outras forças estão em jogo, como a bruxa Lamia e os príncipes de Stormhold, todas igualmente interessadas na estrela. Com Charlie Cox, Claire Danes, Robert de Niro e Michelle Pfeiffer. O disco traz o filme com formato de tela widescreen e áudio Dolby Digital 5.1, e, como extras, Making Of, Cenas Inéditas, Erros de Gravação e Trailer de Cinema. Nas locadoras.

“Paprika”, em DVD

Num futuro próximo, o Dr. Tokita (Tôru Furuya) inventa um poderoso aparelho chamado DC-Mini, que torna possível o acesso aos sonhos das pessoas. Sua colega, a Dra. Atsuko Chiba (Megumi Hayashibara), desenvolve um tratamento psiquiátrico revolucionário com o aparelho. Mas, antes de seu uso ser autorizado, o DC-Mini é roubado. Atsuko, então, assume seu alter-ego, Paprika, a bela “detetive de sonhos”, para mergulhar no mundo do inconsciente e descobrir quem está por trás da tragédia. O disco traz a animação com formato de tela widescreen e áudio Dolby Digital 5.1, e, como extras, Comentários dos Realizadores, Making Of, Uma Conversa Sobre o Sonho, O Mundo CG do Sonho, A Arte da Fantasia e Trailers. Nas lojas e locadoras.



Eventos

“A Noite dos Mortos Vivos”, no Cine Café

O Cineclube Natal, em parceria com o Nalva Melo Café Salão, apresenta nesta sexta-feira, o longa-metragem “A Noite dos Mortos Vivos”, do diretor George Romero. Esse filme, de 1968, revolucionou por ter transformado o morto-vivo na principal criatura do horror cinematográfico. Sem maiores explicações, os mortos levantam de suas covas e saem matando - e comendo - qualquer um em seu caminho. Para fugir dos zumbis canibais, um grupo de sete pessoas se refugia em uma isolada casa de fazenda, onde vivem uma noite de terror e paranóia. A exibição começa às 20h, no espaço do próprio café (Rua Duque de Caxias, 110, Ribeira). A entrada custa R$2,00. Para maiores de 18 anos.

“Árido Movie”, no Cine Vanguarda

O Cineclube Natal, em parceria com o Teatro de Cultura Popular (TCP), apresenta neste domingo, dia 2, o longa-metragem “Árido Movie”, de Lírio Ferreira. O filme conta a história de um jornalista que volta a sua cidade natal, no interior de Pernambuco, para o enterro de seu pai e lá encontra muita estrada e aridez. Ele se depara com uma família até então, desconhecida, que exige vingança do assassino do pai, e, com figuras bem características dessa região. O longa será precedido do curta-metragem “Sanduíche”, de Jorge Furtado. A exibição começa às 17h, no TCP, ao lado da Fundação José Augusto. Os ingressos custam R$ 2,00.

Festival Guarnicê de Cinema

Estão abertas até o dia 30 de março as inscrições para o Festival Guarnicê de Cinema. O evento será realizado em São Luís, Maranhão, de 11 a 17 de junho. Além de exibição de produções nacionais, latino-americanas e de países de língua portuguesa, o festival terá mostras competitivas para filmes de curta-metragem de até 15 minutos e média-metragem, de todos os gêneros. Mais informações no site www.festivalguarnice.ufma.br, pelo telefone (98) 3231-2887, ou, através dos e-mail euclidesbmn@globo.com, guterresfilho@gmail.com e dac@ufma.br.



Filmes da Semana: “Rambos”

Vítima, herói, ícone e candidato a aposentadoria

Os meus atentos leitores certamente terão notado a estranheza do título desta resenha – “Rambos” – e, estarão se perguntando se o colunista cochilou enquanto escrevia (o que já ocorreu, algumas vezes) ou é algum título novo, ainda inédito. Na verdade, aproveitando a estréia do mais novo filme da grife Rambo, resolvi dar uma passeada pela saga, cujos três capítulos iniciais foram relançados em uma edição de colecionador.

Primeiro, algumas curiosidades. Sabiam que realmente existiu um soldado chamado John Rambo? Descobri isso por acaso, ao folhear a lista de mortos em combate no Memorial dos Veteranos do Vietnã, em Washington, DC. Outra coisa interessante diz respeito ao primeiro filme, onde Rambo não mata ninguém, o único policial morto é devido a um acidente. Mas, nos outros filmes, ele tira o atraso.

A saga Rambo iniciou nos anos 70, quando o escritor David Morrell lançou o livro “First Blood”. Morrell nunca imaginou que seu personagem, o problemático veterano do Vietnã John Rambo, faria tanto sucesso que se tornaria um símbolo americano, identificado com a administração Reagan.

Diferente do livro, o personagem no filme “Rambo – Programado Para Matar” (1982), foi suavizado e mostrado como alguém que simplesmente não era aceito pela sociedade em seu próprio país. O final também foi alterado, já que, no livro, Rambo e o seu caçador matavam-se no embate final. As duas alterações tiveram a influência de Stallone (que participou da elaboração do roteiro), o que se mostraria acertado, já que o filme fez um sucesso fenomenal e garantiu as continuações que viriam mais tarde. Todo adolescente da época era doido por uma faca de sobrevivência igual à que o herói usava no filme (só vim conseguir a minha um dia desses...).

Em 1985 foi lançada a seqüência, “Rambo 2 – A Missão”. O veterano, que fora preso no final do primeiro filme, é libertado com a missão de descobrir evidências sobre prisioneiros americanos no Vietnã. Ele realmente os encontra, bem como muitos soldados vietnamitas e seus perigosos assessores russos. Não podemos esquecer que a Guerra Fria estava no auge, e, para o gáudio dos espectadores, russos e vietnamitas eram mortos como se estivessem numa linha de montagem.

Uma nova seqüência chegaria às telas em 1988, “Rambo 3”. Rambo está feliz da vida, morando em um mosteiro na Tailândia, quando descobre que o seu antigo comandante e mentor, Coronel Trautman (o ótimo Richard Crenna), foi capturado por russos no Afeganistão. Rambo vai para lá, luta ao lado dos rebeldes (possivelmente talibãs liderados por Bin Laden, quem sabe...), dá o maior cacete nos russos e liberta o amigo. Mais uma vez, em função do panorama político, o grande inimigo era a União Soviética, que invadira o Afeganistão e ainda parecia ser uma grande ameaça para o mundo.

Passaram vinte anos desde o último filme, e o grande ícone americano ressurge das cinzas. Sem inimigos institucionais, como a antiga União Soviética, o Afeganistão (que virou vítima, bandido e agora, amigo), o Iraque de Sadan, o jeito é apontar a mira nos terroristas, que é o que está em moda. O ex-soldado continua vivendo na Tailândia, onde pilota um barco no rio Salween. Na fronteira com Mianmar (antiga Birmânia), uma luta tribal se arrasta por seis décadas, sem vislumbre de término.

Quando um grupo de ativistas de direitos humanos é capturado pelos combatentes, Rambo é solicitado a organizar uma operação de resgate. Relutando em voltar a lutar, ele monta um grupo de mercenários para resgatar os reféns. Duvido que alguém entre no cinema por engano, mas, quem for pode esperar muitas lutas, tiros, explosões e pancadarias. Quem contou afirma que são mais de duzentas mortes, ao longo de uma hora e meia de filme. Bem, que quiser ver um filme leve, sugiro “Juno” ou “Desejo e Reparação”. “Rambo IV” é filme de ação, muita ação.

Embora a ação das seqüências seja interessante, confesso que sou fã incondicional do primeiro filme. Embora tenha vindo em uma safra de filmes sobre a Guerra do Vietnã, como “Franco-Atirador” e “Apocalipse Now”, “Rambo – Programado Para Matar” mostra o drama doméstico, de quem entrou – à força – em uma guerra que era para ser só promessa de campanha de JFK, e, mesmo tendo sobrevivido a um inferno, ainda era hostilizado pelos próprios compatriotas, que os culpavam por tudo de ruim que acontecera no distante país do Sudeste Asiático.

A edição de colecionador que mencionei acima veio suprir uma lacuna importante para os fãs de Rambo. Além de lançar os três filmes iniciais, o box traz um quarto disco só de extras, com 116 minutos de documentários, trailers, galerias de fotos e destaques da TV. Além disso, os discos dos filmes também trazem extras importantes, como os comentários em áudio do autor David Morrell e o documentário “Esboço: Criando John Rambo - 20 Anos Depois”, onde os principais envolvidos na produção do filme – David Morrell, Stallone, Ted Kotcheff, Mario Kassar e Andrew Vajna - relembram os fatos que viabilizaram a adaptação do livro para o cinema.

No disco bônus estão os documentários “Afeganistão, Um País em Crise”, “Forjando Heróis - Os Boinas Verdes”, “O Vietnã contado pelos que o viveram”, “Rambo III - Fechando o Círculo”, “Coragem e Glória”, “Rambonomics”, “Material de Sobrevivência”, “O Preço de um Herói” (Um divertido e nostálgico extra, mostrando cenas de ação protagonizadas por bonecos e outros brinquedos da linha Rambo) e Making of de Rambo III.

Sugiro que o espectador, antes de arriscar no cinema, dê uma refrescada na memória, passando na locadora e revendo as aventuras do herói trombadão, que poderia ter sido o professor do Capitão Nascimento. Boas porradas!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Claquete – 22 de fevereiro de 2008


Newton Ramalho - colunaclaquete@gmail.com

O que está em cartaz

Aos poucos, os indicados ao Oscar começam a aparecer nos cinemas de Natal. É o caso de “Desejo e Reparação”, que teve sete indicações. A outra estréia do final de semana é a comédia dramática “Antes de Partir”. Pena que os dois filmes só entrem em cartaz na rede Cinemark. Nas continuações, estão a comédia romântica “Vestida Para Casar”, os dramas “O Som do Coração” (veja em Filmes da Semana) e “Juno”, o infantil “Meu Monstro de Estimação”, o nacional “Sexo Com Amor?”, e o drama político “O Suspeito”. Nas programações exclusivas, o Cinemark exibe o misto de musical e terror “Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet”, de Tim Burton, o drama nacional “Meu Nome Não é Johnny” e, na Sessão Cult, o nacional “A Via Láctea”, e, no Moviecom, o policial “O Gangster”, com Denzel Washington, o suspense “Cloverfield – O Monstro”, a aventura “A Lenda do Tesouro Perdido 2 – Livro dos Segredos”, e a ficção-científica “Eu Sou a Lenda”.

Estréia 1: “Desejo e Reparação”

Baseado no livro homônimo de Ian McEwan, “Desejo e Reparação” conta o drama de uma jovem cujo namorado é acusado, injustamente, de um crime que não cometeu. Cecilia Tallis (Keira Knightley) está apaixonada por Robbie Turner (James McAvoy), e tudo vai bem, até o dia em que a irmã de Cecília (Saoirse Ronan) acusa Robbie de tê-la agarrado à força. O julgamento equivocado e infantil de Briony faz com que Robbie vá para a prisão e acabe lutando na França na Segunda Guerra Mundial. Cecília, por sua vez, abandona a sua família e torna-se enfermeira. Apesar de todas as adversidades, o casal Robbie e Cecília tentará viver um romance em tempos de guerra. Ao longo de sua vida adulta, a própria Briony (vivida por Romola Garai) irá tentar desfazer o erro que cometeu. “Desejo e Reparação” é a história de um erro trágico, capaz de alterar vidas e, também, da determinação de uma pessoa em reparar o equívoco. A direção é de Joe Wright, que dirigiu o ótimo “Orgulho e Preconceito”. Indicado para sete categorias do Oscar 2008, “Desejo e Reparação” estréia nesta sexta-feira, na Sala 7 do Cinemark. Para maiores de 14 anos.

Estréia 2: “Antes de Partir”

Jack Nicholson e Morgan Freeman, dois dos maiores nomes do cinema da atualidade estrelam a comédia dramática “Antes de Partir”, onde vivem dois pacientes terminais que fogem do hospital para aproveitar seus últimos dias de vida. Jack Nicholson interpreta bilionário Edward Cole e Freeman é o mecânico Carter Chambers. Apesar de terem vindo de mundos diferentes, eles resolvem passar o fim da vida juntos. Os dois se conhecem quando viram vizinhos de cama no hospital. Após receberem a notícia de que não terão muitos dias, eles bolam um plano de fuga. Na aventura, irão fazer tudo que nunca tiveram oportunidade antes, como saltar de pára-quedas, competir com carros em alta velocidade, ir à Europa, além de comer muito e sem restrições. A direção é de Rob Reiner. “Antes de Partir” estréia nesta sexta-feira, na Sala 2 do Cinemark. Para maiores de dez anos.

Sessão Cult: “A Via Láctea”

O professor de Literatura e escritor Heitor (Marco Ricca) e a atriz Júlia (Alice Braga) namoram há algum tempo. É entardecer na cidade de São Paulo e o casal tem uma violenta discussão por telefone. Após desligar, Heitor decide pegar o carro e encontrá-la em sua casa, para resolver a situação. Durante o trajeto pelas ruas de São Paulo, o trânsito, os engarrafamentos, os pedestres, os meninos nas esquinas, os bares, a paisagem urbana, ele passa a analisar as possibilidades do amor, perda e morte em um grande centro urbano. A direção é de Lina Chamie. A partir desta sexta-feira, na Sala 7 do Cinemark, na sessão de 15h. Para maiores de 12 anos.




Lançamentos em DVD


“Piaf: Um Hino ao Amor”, em DVD

A extraordinária trajetória da cantora Edith Piaf, que teve uma infância conturbada, sendo abandonada pela mãe e criada pela avó em um bordel. Ao ser descoberta, na década de 30, cantando nas ruas de Paris, a jovem grava seu primeiro disco e, em meio a altos e baixos na vida pessoal, acaba sendo reconhecida internacionalmente como uma das maiores intérpretes de todos os tempos. Com Marion Cotillard, Gerard Depardieu e Sylvie Testud. O disco traz o filme com formato de tela widescreen e áudio Dolby Digital 5.1. Nas locadoras.

“Ligeiramente Grávidos”, em DVD

Alison (Katherine Heigl) e Ben (Seth Rogen) se conhecem numa boate e, completamente bêbados, passam a noite juntos. A ligação entre eles terminaria aí, mas, algumas semanas depois, Alison liga para Ben, para informá-lo que está esperando um filho dele. A notícia faz com que Ben passe a questionar sua própria vida, além de aproximar duas pessoas que preferiam jamais ter se conhecido. O disco traz o filme com formato de tela widescreen e áudio Dolby Digital 5.1. Nas locadoras.

“Aristogatas”, em DVD

Em Paris, uma carinhosa e excêntrica milionária faz seu testamento deixando toda sua fortuna para seus gatos de estimação. Descobrindo sua intenção, o mordomo Edgar rapta a elegante Duquesa e seus filhotes, abandonando-os no interior da França. Em sua salvação, irão contar com a ajuda de um gato malandro e sua turma de amigos muito especiais. O disco traz o filme com formato de tela cheia e áudio Dolby Digital 5.1, e, como extras, Jogo Virtual do Gatinho, Jogos dos Instrumentos, Curta inédito: “Dia do Banho” (1946), Músicas: “Aristocats”, “Thomas O'Malley Cat”, “Everybody Wants to be a Cant” e “She Never Felt Alone” e o documentário Por trás das câmeras. Nas lojas e locadoras.

Eventos


II Semana Cult do Cineclube Natal

O Cineclube Natal, em parceria com o Teatro de Cultura Popular, está realizando, até domingo, a II Semana do Filme Cult. O evento acontece no Teatro de Cultura Popular, Rua Jundiaí, 641, Tirol, ao lado da fundação José Augusto, às 19h00. Os ingressos custam dois reais. A programação, para os próximos três dias é: na sexta-feira, “A Montanha Sagrada” (1973), de Alexandro Jodorowsky, no sábado, “A Tortura do Medo” (1960), de Michael Powell, e, no domingo, – “Meteorango Kid, o Herói Intergalático” (1969), do baiano André Luiz Oliveira.

Homenagem a Kurosawa

Nos cem anos da imigração japonesa e dez anos da morte do maior diretor de cinema japonês, Akira Kurosawa (1910-1998), três de seus filmes são lançados em DVD como homenagem póstuma ao realizador, dois deles dirigidos pelo cineasta logo no início de carreira – “A Mais Bela” (1944) e “Duelo Silencioso” (1949)- e um terceiro, “Homem Mau Dorme Bem”, realizado em 1960 e livremente inspirado em Hamlet. Além destes títulos, já existem no mercado 15 outros filmes do diretor, disponíveis em DVD, entre eles, “Ran” e “Trono Manchado de Sangue”, também baseados em Shakespeare.

Oscar 2008

A cerimônia do Oscar este ano, que acontece no próximo domingo, dia 24, está entrando em sua 80ª edição. A premiação mais badalada do cinema mundial será transmitida no Brasil pela Rede Globo, após o BBB, e, nos canais pagos TNT, a partir das 22h30, e E! Entertainment Television. A transmissão da Globo, narrada por José Wilker, deverá se limitar à cerimônia, enquanto que, nos canais de assinatura, serão transmitidas desde a chegada das celebridades até as festas após o evento.


Filmes da Semana: “Vestida Para Casar” e “O Som do Coração”

Vestidos e músicas

Com a devida licença do meu querido professor Jarbas, que, no curso de Jornalismo, se esforçava para nos fazer entender Tarkovsky e Glauber Rocha, insisto dizer que cinema é, antes de tudo, entretenimento. Para quem acredita nisso, pode apreciar, sem consciência pesada, duas produções que estão em cartaz nos nossos cinemas: “Vestida Para Casar” e “O Som do Coração”.

“Vestida Para Casar” é um daqueles filmes que é detestado pela crítica e amado pelo público – foi a maior bilheteria no seu final de semana de estréia. Porque isso? Talvez porque as pessoas se identifiquem com a heroína, vivida pela ótima Katherine Heigl, que apareceu na série “Grey’s Anatomy” e cresceu no cinema graças a uma das comédias mais elogiadas do ano passado, “Ligeiramente grávidos”.

No filme atual, ela vive Jane, uma mulher idealista, romântica e completamente altruísta. Tendo perdido a mãe muito cedo, ela praticamente a substituiu na criação da irmã mais nova, Tess. Ainda criança, ela descobriu um talento inato, que viria a desenvolver ao longo da vida: a de quebra-galho e faz-tudo em festas de casamento.

Graças a este talento, Jane se tornaria extremamente solicitada pelas amigas, tendo participado, como dama de honra, em nada menos que 27 casamentos. A capacidade da moça era tanta que ela foi capaz de participar, simultaneamente, de dois casamentos em uma mesma noite, mesmo tendo que se deslocar entre Manhattan e o Brooklin diversas vezes. Esse vai-e-vém terminou chamando a atenção de Kevin (James Marsden), um cínico repórter, que percebe que uma matéria sobre essa viciada em casamentos pode significar, para ele, uma promoção no jornal.

Mas, Jane também tem os seus sonhos. Embora apenas a torcida do Flamengo saiba, ela é apaixonada pelo seu chefe, George (Edward Burns), mas, não consegue quebrar a inércia e fazer o romance acontecer. A coisa se complica com a chegada de Tess (Malin Akerman), sua irmã caçula, que usa todas as armas para conquistar George. A coisa atinge níveis insuportáveis para Jane quando ela percebe que a irmã está se apossando até dos seus sonhos – e os destruindo.

Embora de uma maneira leve, divertida e meio despercebida, “Vestida Para Casar” traz um enfoque muito interessante sobre objetivos de vida e a dificuldade em vencer a inércia para mudanças. A personagem principal vive meio perdida, um sonho distante de felicidade que ela não tem coragem de realizar, substituindo por uma atitude de altruísmo que termina se tornando uma imagem que ela é obrigada a sustentar. Kevin, o jornalista, por sua vez, esconde a sua decepção de ter sido abandonado pela noiva atrás de uma fachada de cinismo e deboche. No fundo, ambos detestam as suas imagens, mas, não tem coragem de enfrentar o desgaste.

Curiosamente, será de Jane, a boazinha, que virá a mudança mais radical, quando ela resolve, como se diz popularmente, chutar o pau da barraca, causando uma tremenda confusão no casamento da irmã – que ela própria estava organizando. É quando ela realmente questiona os valores pelos quais viveu até então, tomando as decisões que irão determinar o rumo do seu futuro. Ponto.

Dizer que “O Som do Coração” é repleto de música seria uma redundância, até porque, hoje em dia, todo filme traz uma trilha sonora que não só preenche o vazio, mas, dá ritmo às cenas, pontua as emoções dos personagens e ajuda a causar impacto nas cenas de ação. E, o que tem de diferente neste filme?

O filme “Perfume – A História de um Assassino” conseguiu trazer uma dimensão de olfato para um ambiente onde só existe som e imagem. Se pensarmos assim, talvez não seja grande coisa um filme musicalmente rico, já que o som faz parte do cinema. Mas, “O Som do Coração” consegue algo interessantíssimo, unindo, de maneira indissolúvel, som, imagem e história, graças a um fantástico trabalho de fotografia, edição e trilha sonora.

A história é simples de doer. Dois jovens músicos encontram-se, por acaso, em uma festa em Nova York. A moça é Lyla (Keri Russell, de “Missão Impossível 3”), uma brilhante revelação no violoncelo, e o rapaz é Louis (Jonathan Rhyes Meyers, de “Match Point”), um guitarrista irlandês. A atração é imediata, e os dois passam uma mágica noite à luz das estrelas.

No dia seguinte, porém, Lyla é obrigada, pelo pai, a sair da cidade. Para frustração deste, que sonhava em uma carreira brilhante para a filha, descobre que ela está grávida. Um acidente apressa o parto, e uma manobra do pai de Lyla, forjando a assinatura dela, faz com que o bebê seja enviado para um orfanato, enquanto ele diz para ela que a criança morrera.

Onze anos se passam, e o garoto cresce. Totalmente diferente dos companheiros de orfanato, Evan (Freddie Highmore) escuta a música em tudo ao seu redor. De alguma forma, ele acredita que os seus pais estão à sua procura, e que a música será a forma de reencontrá-los. Um dia, ele decide seguir os seus instintos e foge do orfanato.

O destino o leva a Nova York, onde conhece o Mago (Robin Williams), um controverso vagabundo, meio herói, meio bandido, que toma conta de um grupo de menores abandonados, explorando-os pelas suas habilidades musicais. Percebendo o grande talento de Evan, dá-lhe um novo nome, August Rush, e o exibe no Central Park, onde o garoto chama a atenção do público.

Quando a polícia dá uma batida no velho teatro onde o grupo se abriga, o garoto foge, e encontra abrigo em uma igreja, onde o seu talento musical será reconhecido, e o levará para uma renomada escola de música de Nova York.

Nesse meio tempo, Lyla também vem à cidade, visitar o pai no hospital. Dominado pelo remorso, ele conta a verdade sobre o filho de Lyla. Revoltada, ele decide ficar em Nova York até encontrá-lo. Para isso, ela retoma o violoncelo, que tinha abandonado após o parto.

Louis, por sua vez, agora um executivo, está insatisfeito com a sua vida. Resolvendo mudar, ele troca o terno pelo jeans e vai em busca de Lyla, sem encontrá-la. Ele decide, então, retomar a vida musical do ponto onde parou, trazendo a sua velha banda para tocar em Nova York.

No que promete ser uma noite mágica, irá acontecer um imenso concerto ao ar livre, onde Evan acredita que, através da música que compôs, terá a chance de encontrar os seus pais, se estes puderem escutá-lo. O problema é que o Mago tem outros planos, e fará tudo para impedir o garoto de chegar até o palco.

“O Som do Coração” tem alguns furos de roteiro, como, por exemplo, um talento musical tão grande ficar sem ser descoberto durante anos, em um garoto que nem sabia assobiar. Todo aprendizado, então, é a jato, pois em uma noite ele já toca violão com perfeição, em meia hora compõe músicas sem saber teoria musical e, por aí vai. Mas, as qualidades do filme superam estas liberdades poéticas, principalmente nas cenas em que são mesclados diferentes ritmos e sons, quando se alternam as cenas entre Louis e Lyla, cada um se apresentando em lugares diferentes.

Vale o destaque, também, do quarteto central, em especial, do garoto Freddie Highmore, que já brilhara como o Charlie na versão burtoniana de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, e, aqui, praticamente, carrega o filme nas costas.