sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

Claquete

Newton Ramalho - claquete@interjato.com.br

O que está em cartaz

Se você não é ruim da cabeça, nem doente do pé, mas, nem por isso, está a fim de correr atrás do trio elétrico, considere as sugestões da semana. De estréias, no cinema, tem “Jesus – A História do Nascimento”, de Catherine Hardwicke, a fantasia “O Labirinto do Fauno”, de Guillermo del Toro, e, a animação “O Segredo dos Animais”, da Nickelodeon. Nas continuações, vale conferir a divertida animação “Happy Feet – O Pinguim”, o policial “Os Infiltrados”, de Martin Scorsese, o drama “O Grande Truque”, e, o suspense “Efeito Borboleta 2”. Nas programações exclusivas, no Cinemark, tem a comédia nacional “Fica Comigo Esta Noite”, e, a divertida animação “Deu a Louca na Chapeuzinho”. No Moviecom, o terror “Jogos Mortais 3”, a animação nacional “Wood & Stock – Sexo, Orégano e Rock’n’Roll”, com os personagens de Angeli, e, a comédia “Muito Gelo e Dois Dedos de Água” (esta, com preços promocionais).

Estréia 1: “Jesus - A História do Nascimento”

Maria (Keisha Castle-Hughes) é uma jovem camponesa da cidade de Nazaré. Um dia, ela recebe a visita do anjo Gabriel (Alexander Siddig), que anuncia que Deus a escolheu para ser mãe de seu filho. Casada com o carpinteiro José (Oscar Isaac), Maria segue os conselhos do anjo, e, viaja para a casa de Zacarias (Stanley Townsend) e Isabel, seus parentes, para escapar dos guardas do rei Herodes (Ciarán Hinds). Ao retornar a Nazaré, já com a gravidez avançada, Maria é rejeitada por sua família e por José. Porém, após ter um sonho com o anjo Gabriel, José aceita a situação da esposa. Obrigados a viajar devido ao censo, José e Maria partem para Belém, sob o risco de serem descobertos pelos guardas de Herodes, sendo, ainda, procurados pelos três Reis Magos. “Jesus – A História do Nascimento” estréia nesta sexta-feira, no Cine 6 do Moviecom, e, na Sala 6 do Cinemark. Censura livre. Cópias dubladas.

Estréia 2: “O Labirinto do Fauno”

Espanha, 1944. Oficialmente, a Guerra Civil já terminou, mas, um grupo de rebeldes ainda luta nas montanhas, a norte de Navarra. Ofelia (Ivana Baquero), de dez anos, muda-se para a região, com sua mãe, Carmen (Ariadna Gil). Lá, as espera seu novo padrasto, um oficial fascista, que luta para exterminar os guerrilheiros da localidade. Solitária, a menina logo descobre a amizade de Mercedes (Maribel Verdú), jovem cozinheira da casa, que serve de contato secreto com os rebeldes. Sob a rígida vigilância do padrasto, Ofélia refugia-se em um mundo de imaginação e sonho. A menina descobre um labirinto abandonado, próximo à casa, e, ao percorrê-lo, conhece um ser fantástico, que a guiará por uma jornada em busca da liberdade. A direção é de Guillermo del Toro. "O Labirinto do Fauno" estréia nesta sexta-feira, no Cine 7 do Moviecom, e, na Sala 3 do Cinemark. Para maiores de 16 anos.

Estréia 3: “O Segredo dos Animais”


O fazendeiro considera-se o responsável pela segurança de todos os animais. Mas, mal ele dá as costas, os animais ficam sobre duas patas, andam, conversam, assistem à TV e se divertem, pregando peças uns nos outros, principalmente Otis, o boi. Ele e seus melhores amigos, Pip, o rato, Fred, o furão, Pedro, o galo, e Porco, estão sempre dispostos a uma boa traquinagem. O pai de Otis, Ben, é o boi responsável pelo bem-estar dos animais. Ao contrário de seus pais, Otis não está preocupado em esconder dos humanos os talentos que os animais da fazenda possuem. E, enquanto o fazendeiro começa a desconfiar qual é o segredo dos animais, os terríveis coiotes começam a achar que podem invadir a fazenda. “O Segredo dos Animais” estréia nesta sexta-feira, no Cine 3 do Moviecom, e, na Sala 1 do Cinemark. Censura livre. Cópias dubladas.

O adeus ao cafajeste

Morreu esta semana Jece Valadão, ator, produtor, diretor e roteirista, cuja biografia se confunde com a própria história do cinema brasileiro. Atuou em mais de 70 filmes, inclusive alguns marcos do cinema, como o famosíssimo “Rio 40 Graus”, de Nelson Pereira dos Santos. A imagem que ficou associada ao ator foi a do machão cafajeste, em filmes como “Memórias de um Gigolô”, onde ele atuou ao lado de Cláudio Cavalcanti e Rossana Ghessa.

Inscrições abertas para I Mostra Cineclubista de Curtas Potiguares

O Cineclube Natal, em parceria com o Teatro de Cultura Popular (TCP), abre inscrições para a sua I Mostra Cineclubista de Curtas Potiguares. Os participantes poderão inscrever seus trabalhos gratuitamente até o dia 17 de dezembro. A ficha de inscrição, e, o regulamento, estão disponíveis no site www.cineclubenatal.blogspot.com . A inscrição preenchida e o curta-metragem devem ser entregues à Diretoria de Programação do Cineclube Natal, durante as sessões regulares da instituição. A mostra não é competitiva e podem participar vídeos com até 30 minutos de duração. A seleção ficará a cargo da direção do Cineclube Natal. Todos os diretores dos curtas-metragens exibidos receberão certificado de participação. O evento será realizado no TCP, em fevereiro de 2007.



Filme da Semana: “Duna”

Dunas ao vento

Um certo dia, um escritor, com muita imaginação, criou uma história extremamente rica, com inúmeros personagens, lugares estranhos, guerreiros corajosos, bruxas poderosas, e, uma saga que se estenderia por muitos anos. Não estou me referindo à obra de Tolkien, ou J. K. Rowlings, mas, à de um fantástico escritor chamado Frank Herbert. Se não tem a erudição de “O Senhor dos Anéis”, ou, o marketing de Harry Potter, a saga iniciada com o livro “Duna” não fica atrás, seja na complexidade da criação, ou, em prender a atenção do leitor. O livro inspirou um longa-metragem para o cinema, e, uma minissérie para a tv. Para quem não estiver a fim de se espremer no Carnatal, qualquer das três opções irá preencher o final de semana muito bem.

A saga iniciada com “Duna” foi a obra da vida de Herbert, que morreu antes de concluir o sétimo livro da série. Iniciada em 1965, quando ficção-científica era assunto exclusivo de nerds, “Duna” criou uma legião de fiéis aficionados, que cultivam, até hoje, a admiração pela obra.

A história inicia no ano 10.191, quando a Humanidade já se espalhou por boa parte do universo, tendo colonizado mundos a incríveis distâncias de nosso planeta natal, graças a poderosas naves de transporte que conseguem mover-se “sem sair do lugar”, utilizando dobras no espaço. Só quem consegue esta façanha são os Pilotos da Liga Espacial, misteriosos seres, outrora humanos, que alcançaram um estágio de evolução impensável, graças ao uso de uma substância especial, a melange. Embora se mantenham fiéis ao seu papel de transportadores, nada é feito contra a sua vontade, nem mesmo os desejos do imperador.

O universo humano tem um soberano, o Imperador Shaddam IV, que vive, com sua filha, a princesa Irulan, e, muitas legiões de assassinos Sardaukar, em Kaitain, na sede do Império. Apesar do título pomposo, a autoridade do imperador é pouco além de simbólica, já que, os dirigentes das Casas Nobres é que tem o poder real sobre os seus respectivos domínios, nos moldes do feudalismo medieval. As duas casas mais poderosas são a dos Atreides, no planeta Caladan, comandados pelo Duque Leto, e, a dos Harkonnen, de Giedi Prime, chefiados pelo malévolo Barão Vladimir.

Completando o quarto pilar do poder está a Irmandade Bene Gesserit, uma sociedade formada por mulheres, chamadas de bruxas, por possuírem poderes telepáticos e dominarem qualquer um, através do uso da Voz, a sua mais poderosa arma. Secretamente, as Bene Gesserit elaboram um plano milenar de seleção genética, para produzir o Kwisatz Haderach, que terá habilidades de presciência e acesso a toda sua memória genética, aquele que, segundo as profecias, seria o ser mais perfeito e poderoso do universo.

Unindo todos esses elementos está a melange, substância que prolonga a vida, amplia a consciência, ajuda o treinamento das Bene Gesserit, e, é vital para a Liga Espacial, que, sem a especiaria, não seria capaz de transpor o universo, transformando a Humanidade em um sem-número de mundos isolados. A melange, porém, só é encontrada em um único lugar no universo, o desértico planeta Arrakis, também chamado de Duna.

Receoso da crescente popularidade do Duque Leto, o Imperador, secretamente, trama um plano para destruí-lo, aproveitando-se de uma secular disputa entre os Atreides e os Harkonnen. Shaddam IV obriga o Barão Harkonnen a ceder Arrakis, então sob seu domínio, para os Atreides, em troca do viçoso planeta Caladan. Por trás disso está uma secreta associação com o Barão, para destruir a Casa dos Atreides.

A mudança no comando de Arrakis cria outro pretexto para um conflito entre os Harkonnens e os Atreides. Os Atreides sofrem um ataque devastador movido pelos Harkonnen, auxiliados por soldados Sardaukar, do Imperador, e, ajudados por um traidor dentro da própria Casa Atreides. O Duque Leto é assassinado, mas, Paul e sua mãe, Lady Jéssica, escapam para o interior do deserto. Com as habilidades Bene Gesserit de Jéssica, e, as habilidades de luta de Paul, eles se juntam a um bando nativo de Fremem, ferozes guerreiros do deserto, que vivem ocultos nas condições mais inóspitas que se possa imaginar. Eles são capazes, até mesmo, de cavalgar os gigantescos Vermes de Areia que dominam o planeta deserto.

Paul surge, então, como o Kwisatz Haderach, e, o conhecimento secreto de Jessica dos mitos religiosos dos Fremen plantado por uma missionária Bene Gesserit habilitam Paul a se tornar Muad'Dib, um líder político e religioso que une os milhões de Fremen em uma força militar incomparável, para libertar o planeta do jugo dos Harkonnen.

Curiosamente, ao contrário da maioria das fábulas de ficção-científica, não há máquinas ou computadores. Para os cálculos científicos e elaborações estratégicas, existiam os Mentats, homens com mentes excepcionalmente treinadas. É bem verdade que, em 1965, os computadores existentes fossem movidos (literalmente) a válvulas, totalmente fora da realidade das pessoas comuns. Mas, mais que isso, Herbert imaginou um universo onde o Homem é mais importante.

Como haviam sido desenvolvidos escudos de força, capazes de resistir até a raios laser, a maioria dos combates era feito no corpo-a-corpo, com o uso de armas brancas.

Como transportar este riquíssimo universo, descrito em mais de 600 páginas, só no primeiro volume, para as telas de cinema, numa sessão de pouco mais de duas horas? Bem, a primeira tentativa foi em 1983, com a direção do aclamado diretor David Lynch (de “Veludo Azul” e “Coração Selvagem”). Apesar do elenco estelar, com Max Von Sidow, Sean Young, Jürgen Prochnow, José Ferrer, e, até o popstar Sting, o filme não obteve muito sucesso. Ruben Ewald Filho chegou a classifica-lo como “cinqüenta milhões de dólares jogados fora”.

Na verdade, ao rever o filme em DVD, vê-se que Lynch tentou manter fidelidade ao livro, embora fosse difícil condensar tudo num tempo tão curto. Os efeitos especiais, na época inovadores, hoje parecem primários, principalmente quando se assiste a partir de uma mídia digital. Posteriormente, foi lançada uma versão estendida, com 50 minutos a mais, que Lynch renegou, recusando-se a ter o seu nome associado a ela.

Em 2000, uma rede de TV americana fez uma minissérie baseada no livro. Com uma duração de quase cinco horas, foi possível detalhar muito mais a história original, e, com os recursos de efeitos especiais muito mais aperfeiçoados, ficou muito mais palatável, para os padrões de exigência dos espectadores atuais. Se melhorou nesse aspecto, piorou um pouco no elenco, já que, o único nome conhecido, nessa versão, é o do ator William Hurt.

Todas as versões estão disponíveis em DVD, a original de Lynch, a versão estendida do filme de 1983, e, a minissérie. O filme de Lynch é o que tem a pior apresentação, com imagem em tela cheia, e, nenhum extra. Já a minissérie vem em edição dupla, com formato de tela widescreen anamórfico, som Dolby Digital, trailers de cinema e dois Making Of (sem legendas, infelizmente). Posteriormente, foi feita uma outra minissérie, correspondendo aos segundo e terceiro livros da série.

Além de “Duna”, Herbert escreveu “O Messias de Duna”, “Os Hereges de Duna”, “Os Filhos de Duna”, “O Imperador-Deus de Duna”, e, “As Herdeiras de Duna”.

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Claquete

Newton Ramalho - claquete@interjato.com.br

O que está em cartaz

Novembro vai chegando ao fim, melancolicamente, sem novidades nos cinemas, a não ser a animação “Happy Feet – O Pinguim”, que conseguiu a proeza de esnobar o novo 007, no mercado americano. A outra estréia, só no Moviecom, é a animação nacional “Wood & Stock – Sexo, Orégano e Rock’n’Roll”, com os personagens de Angeli. Nas continuações, o drama da Primeira Guerra Mundial, “Flyboys” (veja em Filme da Semana), a comédia “Pequena Miss Sunshine”, o policial “Os Infiltrados”, de Martin Scorsese, “Terror em Silent Hill”, o ótimo “O Grande Truque”, misto de drama e suspense, do diretor Christopher Nolan, o suspense “Efeito Borboleta 2”, o terror “Jogos Mortais 3”, e, a divertida animação “Deu a Louca na Chapeuzinho”. Nas programações exclusivas, no Cinemark, a comédia “Fica Comigo Esta Noite”, e, no Moviecom, a comédia nacional “Muito Gelo e Dois Dedos de Água” (esta, com preços promocionais).

Estréia 1: “Happy Feet - O Pingüim”

A vida do pingüim Imperador se resume basicamente a coisa: ter uma canção do coração. A partir desta canção é que o pingüim será respeitado entre os de sua espécie, e, conquistará o amor de uma fêmea. Todo pingüim já nasce com sua canção do coração, exceto um: Mano. Diferente de todos os pingüins, Mano não sabe cantar, e, sim, sapatear, para o espanto de todos, inclusive de seu pai, Memphis, que diz que "isso não é coisa de pingüim". Apaixonado por Glória, mas, sem ter como conquistá-la, uma vez que os pingüins fazem isso através da música, Mano se afasta de seu bando, e, acaba conhecendo outra espécie de pingüins, os Adelie. Entre eles, Mano é idolatrado, por seus passos de dança maneiros, e, logo forma um forte laço de amizade com alguns pingüins, em especial Ramon. Mas, Mano não desistiu de viver entre os seus, e, tentará mostrar que a dança pode mover montanhas. “Happy Feet - O Pingüim” estréia nesta sexta-feira, no Cine 6 do Moviecom, e, nas Salas 2 e 6 do Cinemark. Censura livre. Cópias dubladas.

Estréia 2: “Wood & Stock - Sexo, Orégano e Rock´n´Roll”

Em uma festa, na virada para 1972, na casa de Cosmo, os jovens Wood, Stock, Lady Jane, Rê Bordosa, Rampal, Nanico e Meiaoito, vivem intensamente o barato do flower power, ao explodir dos fogos de Ano Novo. Trinta anos se passam, e, nossos heróis, agora, carecas e barrigudos, enfrentam as dificuldades de um mundo cada vez mais individual e consumista. Família, filhos, trabalho, contas a pagar e solidão, são conceitos que não combinam com o universo inconseqüente desses "bichos-grilos", perdidos no tempo. O jeito é dar ouvidos à voz sábia de Raulzito, e, ressuscitar a velha banda de rock'n'roll. Animação nacional, baseada nos personagens do cartunista Angeli, com as vozes de Rita Lee, Sepé Tiaraju, Zé Vítor Castiel, Felipe Monaco e Tom Zé. "Wood & Stock – Sexo, Orégano e Rock’n’Roll" estréia nesta sexta-feira, no Cine 3 do Moviecom. Para maiores de 16 anos.


“Velozes e Furiosos – Desafio em Tóquio”, em DVD

Sean Boswell (Lucas Black) é um adolescente superficial e infeliz, que usa as corridas de rua como válvula de escape. Após bater com o carro, e, para evitar a prisão, Sean é enviado para Tóquio, par morar com o pai. Em sua nova cidade, Sean fica inteiramente deslocado, até conhecer Twinkie (Bow Wow), que lhe apresenta as corridas de drift, uma mistura de derrapagem e velocidade. Sean logo se empolga com a novidade, o que faz com que se envolva em novas confusões. O disco traz formato de tela widescreen e som Dolby Digital 5.1. Os extras só deverão vir na edição definitiva.

“O Enigma de Andrômeda”, em DVD

“O Enigma de Andrômeda”, um dos filmes mais intrigantes de ficção-científica dos anos 70, finalmente, foi lançado em DVD. O filme foi escrito e dirigido por Michael Crichton, o autor de “Jurassic Park”. Quando um satélite espacial cai, em uma pequena cidade do Oeste americano, uma misteriosa bactéria mata todos os habitantes, à exceção de um bebê, e, um velho bêbado. Agora, um grupo de cientistas precisa correr contra o tempo, para evitar o extermínio de toda a Humanidade. Nas locadoras.

“O Beijo da Mulher-Aranha” no Projeto Cinema e Literatura

O Cineclube Natal e a Livraria Bortolai exibirão “O Beijo da Mulher-Aranha”, de Hector Babenco, no Projeto “Cinema e Literatura”. Dois presos, um por motivos políticos e outro por comportamento imoral, dividem a mesma cela, e, com o passar do tempo, aprendem a respeitar um ao outro, e, descobrem uma forma de enfrentar a opressão da cadeia. Com Raul Julia, William Hurt e Sônia Braga. Hurt ganhou os prêmios de Cannes e o Oscar de Melhor Ator, por este filme. A exibição começa às 18h, no auditório da própria livraria, na Avenida Afonso Pena, 805, Tirol. Ao término da sessão haverá debate com a platéia. O acesso é gratuito. Para maiores de 16 anos.

Adeus a Altman e Noiret

Esta semana foi muito ruim para o cinema mundial. Além da morte do diretor Robert Altman, autor de “Short Cuts – Cenas da Vida”, e, da genial comédia “M*A*S*H*”, o mundo perdeu, ontem, o ator francês Philippe Noiret. Dono de uma carreira invejável, com mais de 150 filmes, Noiret alcançou fama mundial com duas belíssimas produções, “Cinema Paradiso”, de Giuseppe Tornatore, e, “O Carteiro e o Poeta”, onde interpretava Pablo Neruda.



Filme da Semana: “Flyboys”

Batismo de fogo

Embora existam mais de quinhentos filmes sobre a Segunda Guerra Mundial, não há muitas produções sobre o conflito de 1914 a 1918, que, embora numa escala menor, foi mais sangrento e fratricida, mudando fortemente o balanço das forças políticas mundiais. Uma pequena parte desta história, ligada ao uso do avião como arma militar, é apresentada no filme “Flyboys”, atualmente em cartaz nos nossos cinemas.

No final do século 19, o mundo passava por grandes transformações. A incipiente indústria do petróleo encontrara uma utilização nobre, como combustível para veículos, o que revolucionou a indústria de transportes, até então, dependente de navios à vela e carvão, trens, e, cavalos. Com a industrialização maciça, a necessidade de matérias-primas, e, a disputa por mercados, acirrou o imperialismo das poderosas nações européias.

A Inglaterra dominava boa parte do mundo, seguida por outras nações, como a França, Bélgica, e, até mesmo a Rússia, nos estertores do regime tzarista. A Alemanha, formada por antigos estados independentes, fora unificada em 1871, surgindo como uma nova força, não apenas no âmbito econômico, mas, também, militar. A corrida armamentista levou os países a adotar o serviço militar obrigatório, criar novas armas, e, produzir armamento e munição em quantidades cada vez maiores. Ironicamente, era denominado “a paz armada”.

Cientes do poderio dos adversários, os jogadores se uniram em alianças, de modo que, em 1907, a Europa já se encontrava dividida em dois blocos político-militares: a Tríplice Aliança, com a Alemanha, Itália e Áustria-Hungria, e a Tríplice Entente, com a Inglaterra, França e Rússia. Nesse ambiente tenso, no dia 28 de junho de 1914, em Sarajevo, capital da Bósnia, o herdeiro do trono austríaco, Francisco Ferdinando, e, sua esposa, foram assassinados, a tiros, por um estudante da Bósnia. A Áustria declarou guerra a Sérvia, o que provocou a participação dos respectivos aliados, dando início à Primeira Guerra Mundial, duraria quatro anos, com a morte de mais de nove milhões de soldados.

Na maior parte do conflito, os combates foram marcados pela guerra de trincheiras, onde os exércitos defendiam suas posições utilizando-se de uma extensa rede de trincheiras que eles próprios cavavam. Novas armas, como o canhão de tiro rápido, o gás venenoso, o lança-chamas, armas automáticas e o submarino, faziam um número crescente de vítimas. Entre as novidades do conflito, foi utilizado o avião, que mal completara dez anos de existência.

Quando Santos Dumont fez o primeiro vôo num veículo mais pesado do que o ar, em 23 de outubro de 1906, certamente sonhou, para o seu invento, uma utilização nobre. Contudo, devido ao ambiente da época, sua invenção, que sempre deixou como domínio público, foi apropriada pelos militares para uso bélico.

Inicialmente, os aviões eram utilizados apenas para vôos de reconhecimento e verificação de movimentação de tropas. Mas, à medida que o conflito avançava, foi sendo aperfeiçoado para combate aéreo, e, para lançamento de bombas.

O filme “Flyboys” ilustra bem esse lado do conflito. Enquanto as tropas se arrastavam pelo lamaçal das trincheiras, as esquadrilhas de aviões, pilotadas por jovens pilotos de diversos países, travava batalhas nos céus da França, num conflito diferenciado, com regras próprias.

Enquanto o pau quebrava na Europa, os Estados Unidos mantinham-se fora do conflito, em parte por considerar a guerra um problema regional europeu, e, em parte, pela própria alienação do eleitor americano. Muitos jovens idealistas, entretanto, participaram do conflito, juntando-se ao exército canadense, atuando como motoristas voluntários de ambulância, ou, integrantes da Legião Estrangeira da França. As motivações eram as mais diversas, como fica bem caracterizado no filme.

Blaine Rawlings (James Franco), é um jovem texano, que foi expulso do rancho de sua família, e, que idealiza uma vida de herói, pilotando aviões. Ele se une a Higgins (Christien Anholt), um recruta da Legião Estrangeira, William Jensen (Philip Winchester), para seguir a tradição de heroísmo da família, Briggs Lowry (Tyler Labine), que se alistou devido à pressão do pai, Eddie Beagle (David Ellison), que deseja fugir de seu passado, e, um boxeador negro, Eugene Skinner (Abdul Salis), que deseja defender a França, que permitiu que se tornasse campeão.

Os jovens vão para um campo de treinamento de pilotos, onde, sob o comando do capitão Georges Thenault (Jean Reno), são submetidos a um rigoroso treinamento, de forma que eles possam integrar a Esquadrilha Lafayette, o primeiro esquadrão de pilotos americanos, liderados por Reed Cassidy (Martin Henderson), um piloto de guerra veterano. É mostrado o treinamento com maquetes de madeira, e, a explicação do porquê do famoso cachecol. Entre os equipamentos distribuídos, um revolver, para o caso do avião pegar fogo, e, um martelinho de madeira para quando a metralhadora engalhasse.

O batismo de fogo é cruel, quando se defrontam com experientes pilotos alemães, principalmente um que pilota um avião todo negro, conhecido como “Falcão Negro”. Este quebra o código de honra dos pilotos, quando mata um americano que tinha conseguido pousar, após ser abatido. Na vida real, até mesmo o lendário Barão Vermelho, o barão Manfred Albrecht von Richthofen, que abateu mais de oitenta aviões ingleses e franceses, recebeu funeral com honras militares, prestado por seus inimigos.

O filme mostra o amadurecimento dos pilotos ao longo do conflito, com seus dramas pessoais, e, a reação que os acontecimentos causavam, em cada um. No final, é mencionado destino de cada um dos sobreviventes, inclusive, quando mostram uma foto real dos participantes do esquadrão. Ao todo, 265 americanos serviram na esquadrilha, dos quais, 51 foram mortos em combate. Um piloto negro, Eugene Bullard, realmente existiu, embora, como seja dito no filme, não foi reconhecido por seu próprio país, ao entrar no conflito.

O filme é repleto de belas cenas de combates aéreos, onde fica difícil perceber onde termina a ação real e inicia a computação gráfica. Para os caçadores de curiosidades, a brasileira Anna Walker, dona de uma empresa de acrobacia aérea em Londres, participa de várias cenas de combates aéreos.

À exceção de Jean Reno, totalmente subtilizado, não há nomes conhecidos no elenco. Contudo, a direção segura do francês Jean Pierre Jeunet (conhecido no Brasil por “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”) certamente mantém o ritmo e a atenção do espectador até o final.

No ano em que comemoramos os cem anos do vôo do Pai da Aviação (sorry, irmãos Wright), certamente é um bom filme para assistir, e, refletir um pouco sobre os usos para os quais os homens destinam as idéias mais brilhantes. E, para os que quiserem ver outros filmes sobre a Primeira Guerra Mundial, sugiro “Nada de Novo no Front”, de Lewis Milestone, “Galipoli”, de Peter Weir, e, “Glória Feita de Sangue”, de Kubrick.

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Claquete

Newton Ramalho - claquete@interjato.com.br

O que está em cartaz

Num mês de tantos feriados (ainda falta um), as estréias chegam em doses constantes e homeopáticas. Neste final de semana, teremos duas estréias, um movimentado drama da Primeira Guerra Mundial, “Flyboys”, e, a comédia “Pequena Miss Sunshine”. Nas continuações, o policial “Os Infiltrados” (veja mais no Filme da Semana), de Martin Scorsese, “Terror em Silent Hill”, o ótimo “O Grande Truque”, misto de drama e suspense, do diretor Christopher Nolan, o suspense “Efeito Borboleta 2”, o terror “Jogos Mortais 3”, e, a divertida animação “Deu a Louca na Chapeuzinho”. Nas programações exclusivas, no Cinemark, a comédias “Fica Comigo Esta Noite”, “Trair e Coçar, é só Começar”, e, a animação “O Bicho Vai Pegar”, e, no Moviecom, a comédia nacional “Muito Gelo e Dois Dedos de Água” (esta, com preços promocionais).

Estréia 1: “Flyboys”

Em 1916, a 1ª Guerra Mundial já dura dois anos, sem perspectiva de acabar. Milhões de pessoas já morreram, e, as forças aliadas, compostas por França e Inglaterra, lutam nas trincheiras contra as tropas alemãs. Os Estados Unidos mantêm a posição de neutralidade, o que não impede que alguns americanos partam para a Europa, como motoristas voluntários de ambulância, ou, integrantes da Legião Estrangeira da França. Um deles é Blaine Rawlings (James Franco), um texano que foi expulso do rancho de sua família, e, que idealiza uma vida de herói, pilotando aviões. Ele se une a Higgins (Christien Anholt), um recruta da Legião Estrangeira, William Jensen (Philip Winchester), para seguir a tradição da família, Briggs Lowry (Tyler Labine), que se alistou devido à pressão do pai, Eddie Beagle (David Ellison), que deseja fugir de seu passado, Eugene Skinner (Abdul Salis), que deseja defender a França, que permitiu que se tornasse campeão de boxe, e, Reed Cassidy (Martin Henderson), um piloto de guerra veterano. Sob o comando do capitão Georges Thenault (Jean Reno), os pilotos franceses realizam um rigoroso treinamento com os americanos, de forma que eles possam integrar a Esquadrilha Lafayette, o primeiro esquadrão de pilotos americanos a lutar na 1ª Guerra Mundial. “Flyboys” estréia nesta sexta-feira, no Cine 7 do Moviecom, e, na Sala 1 do Cinemark. Para maiores de 14 anos.

Estréia 2: “Pequena Miss Sunshine”

Nenhuma família é verdadeiramente normal, mas, a família Hoover extrapola todos os padrões. O pai desenvolveu um método de auto-ajuda, que é um fracasso, o filho mais velho fez voto de silêncio, o cunhado é um professor suicida, e, o avô foi expulso de uma casa de idosos, por usar heroína. Nada funciona para o clã, até que a filha caçula, a desajeitada Olive (Abigail Breslin), é convidada para participar de um concurso de beleza, para meninas pré-adolescentes. Eles se amontoam em sua Kombi enferrujada, numa jornada tragicômica, repleta de surpresas alucinadas, e, que mudará toda essa família desajustada de maneira que ela jamais poderia imaginar. A direção é de Jonathan Dayton e Valerie Faris. “A Pequena Miss Sunshine” estréia nesta sexta-feira, no Cine 4 do Moviecom, e, na Sala 2 do Cinemark. Para maiores de 14 anos.



Novidades

“Piratas do Caribe: O Baú da Morte”, em DVD

O capitão Jack Sparrow parte em uma aventura inteiramente nova. Na seqüência de “Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra”, o excêntrico Jack é capturado por uma rede de intrigas sobrenaturais. Uma ameaça ainda mais aterrorizante paira sobre seu capitão, e, sua tripulação desprezível: descobre-se que Jack tem uma dívida de sangue com o lendário Davy Jones, o governante das profundezas do mar e comandante do fantasmagórico “Holandês Voador”, ao qual nenhum outro barco é capaz de se equiparar em velocidade e força. O disco traz formato de tela widescreen e som Dolby Digital 5.1, mas, ao contrário do primeiro filme, que já saiu numa edição completíssima, esta não traz nenhum extra, de modo que o colecionador terá que esperar a edição sell-thru.

Inscrições abertas para I Mostra Cineclubista de Curtas Potiguares

O Cineclube Natal, em parceria com o Teatro de Cultura Popular (TCP), abre inscrições para a sua I Mostra Cineclubista de Curtas Potiguares. Os participantes poderão inscrever seus trabalhos gratuitamente até o dia 17 de dezembro. A ficha de inscrição, e, o regulamento, estão disponíveis no site www.cineclubenatal.blogspot.com . A inscrição preenchida e o curta-metragem devem ser entregues à Diretoria de Programação do Cineclube Natal, durante as sessões regulares da instituição. A mostra não é competitiva e podem participar vídeos com até 30 minutos de duração. A seleção ficará a cargo da direção do Cineclube Natal. Todos os diretores dos curtas-metragens exibidos receberão certificado de participação. O evento será realizado no TCP, em fevereiro de 2007.

Grupo Caminhos Comunicação & Cultura lança documentário

O Grupo Caminhos Comunicação & Cultura, formado por jornalistas e radialistas da terrinha, realizou o documentário “Com quantas ave-marias se faz uma santa?”, com 30 minutos de duração, cujo lançamento acontecerá em Natal no próximo dia 20 de novembro, às 19 horas, no SeaWay Shopping. O tema do documentário é a lenda sobre uma criança se perdeu numa serra próxima à cidade, e, após muitos anos, o seu corpo foi encontrado intacto, e, o local passou a ser palco de milagres. A direção é de Albery Lúcio, e, na equipe técnica estão Ana Lúcia Gomes, Edileusa Martins e Fernanda Gurgel, entre outros.

Cineclube Natal exibe “Laranja Mecânica”

O Cineclube Natal, em parceria com o Teatro de Cultura Popular (TCP), programou para o próximo domingo, dia 19, o filme “Laranja Mecânica”, do diretor Stanley Kubrick. Baseado em livro de Anthony Burgess, o filme mostra uma sociedade do futuro, onde a violência é comum, a ética não vale muito, e, as aparências é que importam. Será exibido, também, o curta-metragen “Flying Padre”. A sessão começa às 19h, no TCP, ao lado da Fundação José Augusto. Depois haverá debate com a platéia. Os ingressos custam R$ 2,00. Para maiores de 18 anos.


Filme da Semana: “Os Infiltrados”

Quem é quem?

O sonho de todo cidadão de bem é ter uma polícia que consiga prender os bandidos. Só que, a maioria das pessoas não imagina o que pode ser necessário fazer, para conseguir isso. Não é raro que um policial precise se passar por bandido, para investigar as operações criminosas. E, infelizmente, o inverso também ocorre, quando policiais se vendem para o Lado Negro, e, passam informações valiosas para os bandidos. É exatamente este universo que é explorado por Martin Scorsese, no filme “Os Infiltrados”, em cartaz nos nossos cinemas.

Fugindo do clichê dos filmes de gângsteres, que sempre tratam de mafiosos italianos em Chicago ou Nova York, Scorsese leva a ação para Boston, no rico estado de Massachusetts, onde o crime organizado é controlado por Frank Costello (Jack Nicholson), chefe de uma quadrilha que domina a colônia irlandesa. É nesse ambiente que crescem, e, tomam destinos parecidos dois jovens. Um deles é Colin Sullivan (Matt Damon), que cresce aos cuidados de Costello, e, entra na polícia, graduando-se com distinção. O outro, Billy Costigan (Leonardo DiCaprio) vinha de uma família de pessoas à margem da lei, cujo único homem totalmente honesto fora o seu pai. Ele também entra para a academia de polícia, mas, é desligado a poucos dias da formatura, por ter se desentendido com um instrutor.

Os dois se apresentam no mesmo dia, Colin, bastante festejado, indo direto para um grupo de elite de combate ao crime organizado, enquanto Billy recebe uma proposta para trabalhar sob disfarce, fingindo-se de bandido. A intenção do capitão Queenan (Martin Sheen) e do sargento Dignam (Mark Wahlberg) é de infiltrar um rosto desconhecido na quadrilha de Costello, para poder prende-lo. O problema é que Colin, o afilhado do bandido, está sempre passando as informações para o chefão, que sempre consegue evitar as situações de perigo.

Os dois passam a viver uma vida dupla, enredando-se cada vez mais nas suas respectivas armadilhas, e, dia após dia, crescem as suspeitas, nos dois grupos, sobre os espiões infiltrados. Ao invés de heróis indestrutíveis, os dois mostram suas faces humanas, com medos, dúvidas, e, sem ter mais parâmetros dos seus próprios valores, sem saber onde termina o fingimento e onde inicia a realidade.

A história do filme se desenrola em um intrincado jogo de gato e rato, onde cada um dos infiltrados tenta se proteger, e, desmascarar o outro. Como se poderia esperar, os acontecimentos caminham para um clímax, onde todas as faces serão expostas. Ninguém espere um final feliz, pois numa história onde todos têm algum tipo de culpa, dificilmente alguém sairá impune.

Além de um excelente tratamento psicológico dos personagens, Scorsese questiona o uso da mentira. Até que ponto é correto mentir? Desde uma simples desculpa, para fugir a um encontro chato, ou, manter uma vida dupla de assassino?

Este filme é baseado em um cultuado filme policial chinês “The Infernal Affairs” (Mou Gaan Dou), embora também tenha traços da história de Whitey Bulger, um gângster de sangue irlandês, que cumpriu pena em Alcatraz, supostamente forneceu armas ao IRA e que permanece na lista dos dez fugitivos mais procurados do FBI por uma série de assassinatos nos anos 70.

Embora seja um pouco mais longo que a maioria das produções, com 149 minutos, o filme certamente agradará tanto aos amantes dos filmes de ação, quanto aos que gostam de um bom suspense psicológico.