sexta-feira, 29 de julho de 2005

Claquete 29 de julho de 2005



Newton Ramalho - colunaclaquete@gmail.com

O que está em cartaz

Em meio ao festival de denúncias que ameaça o país, o brasileiro, antes de tudo, um forte, vai sobrevivendo. De novidade, a estréia de “Amaldiçoados”, última novidade de Wes Craven, desta vez, arriscando-se com os lobisomens. Tem também, só no final de semana, a pré-estréia de “A Sogra”, com Jane Fonda e Jennifer Lopez. Nas continuações, “A Fantástica Fábrica de Chocolates”, dirigida por Tim Burton, e, estrelada por Johnny Depp, “As Aventuras de SharkBoy e LavaGirl em 3D”, fantasia de Robert Rodriguez, “O Castelo Animado”, mais uma animação do criador de “A Viagem de Chihiro”, Hayao Miyazaki, “A Queda – As Últimas Horas de Hitler”, narrando os momentos finais do ditador, “Batman Begins”, a nova versão do Homem-Morcego, com Christian Bale, no papel-título, “Guerra dos Mundos”, refilmagem de uma história de H.G.Wells, da dobradinha Spielberg/Tom Cruise, ”Quarteto Fantástico”, novo filme de ação baseado em personagens de quadrinhos, e, “Em Boa Companhia”, com Dennis Quaid. Para a criançada, “Herbie Meu Fusca Turbinado”, o ótimo desenho animado “Madagascar”, da Dreamworks, e, “Pokemón 4 – Viajantes do Tempo”. No filme de arte, a produção franco-libanesa “Sob o Céu do Líbano”.


Pré-Estréia: “A Sogra”

Após anos procurando seu príncipe encantado, Charlotte Cantilini (Jennifer Lopez) se apaixona por Kevin Fields (Michael Vartan). O problema é a mãe dele, Viola (Jane Fonda), que foi recentemente demitida do cargo de âncora de um jornal de rede nacional. Após perder o emprego, Viola teme perder também o filho, e, para evitar isso, decide, então, espantar a futura nora, tornando-se a pior sogra do mundo. Para isso, conta com a ajuda de sua assistente de longa data, Ruby (Wanda Sykes), que faz de tudo para que Viola leve adiante seus planos malucos. Acontece que Charlotte resolve revidar, e, as duas vão ter de disputar, para ver quem é que manda, afinal. Este filme marca o retorno de Jane Fonda às telas de cinema, após quinze anos de afastamento. Jennifer Lopez, loiríssima, foge ao habitual papel de latina. A pré-estréia de “A Sogra” será neste final de semana, no Cine 3 do Moviecom, na sessão de 21h. Para maiores de 12 anos.

Estréia: “Amaldiçoados”

O diretor Wes Craven, autor de filmes de terror famosos, como “A Hora do Pesadelo” e “Pânico”, está de volta à sua seara, desta vez com os lobisomens. A jovem produtora de TV, Ellie (Christina Ricci), vive com o irmão caçula Jimmy (Jesse Eisenberg), e, ainda administra a insegurança de seu namorado Jake (Josua Jackson). Uma noite, ao se envolverem num acidente na estrada, são atacados por um estranho animal. Da pior maneira, descobrem que há um lobisomem à solta, em Los Angeles, e, eles foram contaminados pela maldição, que só será quebrada quando a criatura for morta. O filme teve problemas na produção, chegando a sofrer atraso de mais de um ano no lançamento nos cinemas. “Amaldiçoados” estréia, nesta sexta-feira, no Cine Natal 2, e, no Cine 4 do Moviecom. Para maiores de 14 anos.


Filme de Arte: “Sob o Céu do Líbano”


Uma visão estranha, da realidade do Oriente Médio, chega aos nossos cinemas, através do olhar do diretor Randa Chahal Sabag. Uma cidade libanesa é dividida pelo exército de Israel, o que obriga parentes e amigos a se comunicarem por meio de alto-falantes e lenços vermelhos e brancos. Mas, a vida continua, e, Lamia, uma bela jovem de 16 anos, é autorizada a casar-se com um primo, que vive no outro lado da barreira. Após muitas negociações, o passe é acertado, e, Lamia pode atravessar as barreiras. Após despedir-se da família, e, dos amigos, numa cerimônia simples, em silêncio, ela parte para a nova vida. O véu branco enrosca no arame farpado, sob a vista ansiosa de um jovem soldado, que acompanha o trajeto com as lentes de seu binóculo. Lamia, porém, recusa-se a assumir sua nova vida, decidindo, então, voltar para casa. “Sob o Céu do Líbano” ganhou o Prêmio Especial do Júri, no Festival de Veneza. O filme de arte será exibido no Cine Natal 1, na terça-feira, dia 2, em sessão única, às 21h. Para maiores de 14 anos.


“Alexandre”, em DVD

Um dos filmes mais polêmicos do ano, “Alexandre”, do diretor Oliver Stone, chega, agora, em DVD. Oliver Stone recria a poderosa e verdadeira história de Alexandre o Grande (Colin Farrell), que no quarto século antes de Cristo havia conquistado a Grécia, a Pérsia, o Afeganistão e a Índia - ou seja, 90% do "Mundo Conhecido" até então. Mesmo tendo enfrentado os maiores exércitos de sua época, ele nunca perdeu uma batalha. Visionário, explorador e sonhador, ele era também um filho carinhoso, ferido pelo amor e pela ambição de sua mãe (Angelina Jolie) e pela eterna necessidade de agradar a seu pai (Val Kilmer). Seu sonho moldou o mundo como o conhecemos hoje. O filme causou certa comoção por exibir comportamento bissexual do conquistador. O DVD vem em edição dupla, com formato de tela widescreen anamórfico, e, som Dolby Digital 5.1, em inglês e português. Como extras, os documentários “Ressuscitando Alexandre”, “O bom e o perfeito são inimigos” e “A morte de Alexandre”, além de comentários do diretor Oliver Stone e do historiador Robin Lane Fox. Já nas locadoras.

“Machuca”, em DVD

Chile, 1973. Gonzalo Infante (Matías Quer) é um garoto que estuda no Colégio Saint Patrick, o mais conceituado de Santiago. Gonzalo é de uma família de classe alta, morando em um bairro na área nobre da cidade com seus pais e sua irmã. O padre McEnroe (Ernesto Malbran), o diretor do colégio, inspirado no governo de Salvador Allende decide implementar uma política que faça com que alunos pobres também estudem no Saint Patrick. Um deles é Pedro Machuca (Ariel Mateluna) que, assim como os demais, fica deslocado em meio aos antigos alunos da escola. Provocado, Pedro é seguro por trás e um deles manda que Gonzalo o bata, que se recusa a fazer isto e ainda o ajuda a fugir. A partir de então nasce uma amizade entre os dois garotos, apesar do abismo de classe existente entre eles. Do diretor Andrés Wood, recebeu uma indicação ao Goya de Melhor Filme Estrangeiro em Língua Espanhola.


“Desde Que Otar Partiu”, em DVD

Três mulheres de diferentes gerações vivem em um mesmo apartamento, em Tbilissi, capital da Geórgia. A primeira é a matriarca Eka (Esther Gorintin), que anseia que seu filho Otar, médico, que saiu do país para trabalhar como operário em Paris, volte para casa. A segunda é sua filha Marina (Nino Khomasuridze), que se ressente do amor de sua mãe pelo filho. A terceira é Ada (Dinara Drukarova), filha de Marina, uma jovem rebelde, que deseja uma vida mais agitada. Quando um amigo de Otar surge com uma notícia, Marina e Ada precisam decidir se dão esta notícia a Eka. Primeiro filme de ficção da diretora Julie Bertucelli, ganhou o Cesar de Melhor Filme de Estréia, o Prêmio da Semana da Crítica, no Festival de Cannes, e, o prêmio de Melhor Roteiro - Filme Francês, no Festival de Deauville.


“O Operário”, em DVD

A última vez em que Trevor Reznik (Christian Bale) dormiu foi há um ano, sendo que, desde então, o cansaço vem destruindo progressivamente sua saúde física e mental. Ele trabalha numa fábrica, operando maquinário pesado, e, faz de tudo para manter seu emprego. Envergonhado por causa de seu problema, Trevor isola-se cada vez mais, tornando-se paranóico. Depois de se envolver em um acidente no trabalho em que um homem perde um braço, Trevor começa a crer que seus colegas estão conspirando para demiti-lo. Ele precisará lutar não apenas para se manter no cargo, mas também para manter a sanidade. Christian Bale perdeu 28 quilos para interpretar seu personagem em O Operário. A dieta feita pelo ator consistia apenas em uma lata de atum e uma maçã por dia. Poucos acreditaram que ele conseguiria o papel de Batman, em “Batman Begins”, mas, o ator não apenas recuperou, como exibiu um corpo atlético como o homem-morcego. O DVD traz o formato de tela widescreen anamórfico, som DD 5.1, e, como extras, comentários do Diretor; “The Machinist: Quebrando As Regras”, Versão Alternativa da cena na prisão, cenas inéditas, e, trailer de cinema.


Petrobras abre inscrições para programa cultural

Estão abertas as inscrições do Programa Petrobras Cultural, para a seleção pública de difusão de filmes de longa-metragem, que apóia o lançamento de longas brasileiros em circuito comercial. O valor máximo para o patrocínio é de R$ 300 mil por projeto. Os formulários para as inscrições podem ser obtidos no site www.petrobras.com.br até 30 de agosto, onde podem ser obtidas maiores informações sobre o programa.



Filme recomendado: “Menino do Rio”

Retorno à califórnia carioca


É bem verdade que, apesar de possuirmos mais de sete mil quilômetros das mais belas praias do planeta, muitos brasileiros nascem e morrem sem jamais ter visto o mar. Isso não impede que sonhem com ele, com o ideal de liberdade a ele associado, pois, liberdade, além da calça azul e desbotada, está na capacidade de sonhar. Este sonho ficou muito bem representado numa modesta produção nacional, que representou as fantasias de toda uma geração: “Menino do Rio”.

É curioso como um filme com uma história para lá de simples, com atores desconhecidos, cenários abertos, e, mostrando até uso de drogas, tenha feito tanto sucesso. É possível que o “algo mais” estivesse entre a poltrona e a tela, pois o filme mexia com o menino de praia escondido dentro de todo espectador.

O enredo é de uma simplicidade de causar inveja para novelista mexicano. Valente (André de Biase) é um jovem independente, que, apesar de ser filho de um empresário bem sucedido, prefere viver sozinho, na beira da praia, fabricando e vendendo pranchas de surfe. Na hora que quer, sai para surfar ou voar de asa delta, sempre acompanhado pelo amigo Zeca (Sérgio Mallandro).

Numa dessas vezes, literalmente esbarram com Pepeu (Ricardo Graça Mello), um jovem órfão, que caminha pelo mundo, acompanhado pela cadela Kika. Logo, Pepeu vai morar com Valente, ajudando-o na oficina de pranchas.

Num lual, na beira da praia de Saquarema, Valente conhece uma misteriosa jovem, que parece ser bem diferente de todas as garotas que está acostumado. A jovem é Patrícia (Cláudia Magno), patricinha, filha de família rica, noiva do enjoado Adolfinho (Ricardo Zambelli).

Como acontece em toda boa trama folhetinesca, o acaso não tarda em colocar Valente e Patrícia frente a frente. Aos poucos, os dois vão se envolvendo, enquanto a moça foge do assédio de Adolfinho, e, esquece de sua atração platônica por um homem mais velho, que, por coincidência, é o próprio pai de Valente...

Enquanto as tramas românticas se acendem, Pepeu sente na carne os ardores dos hormônios a mil, mas, é recompensado com o surgimento da bela Soninha (Cláudia Ohana), tornando-o o mais invejado de toda a sua geração.

Mas, tanto Adolfinho, quanto o pai de Patrícia, não desistem fácil, e, o ex-noivo da moça tenta de tudo, de emboscada a roubar cartas pessoais da moça, para acabar com o romance com Valente.

Não é preciso dizer que o final é legal, como o filme todo, embora o “felizes para a sempre”, da geração surfista fossem efêmeros como a areia da praia, mais ao estilo “que seja eterno enquanto dure”.

Na época, a crítica foi dura com o filme, já que os produtores optaram por colocar breves cenas de nudez e uso de drogas, numa época em que a censura ainda dava os últimos estertores. Bem, se isso foi politicamente incorreto, o que não se pode dizer do conteúdo das nossas novelas atuais, ou, até mesmo dos noticiários dos mensalões...

“Menino do Rio” foi uma produção ousada, não pelas cenas mencionadas acima, mas, pelo uso de atores iniciantes, um roteiro frouxo, e, poucos recursos. Contudo, a aposta nas belas cenas de esportes radicais, a vida vista pela ótica de jovens, e, uma trilha sonora repleta de belas músicas, transformou o filme num hit de verão, no início dos anos 80, e, em uma valiosa peça de recordação, com o lançamento em DVD.

É muito divertido, ver André de Biase, hoje gordinho e careca, exibindo os músculos e uma basta cabeleira a la Príncipe Valente (daí o nome do personagem, que ganha até uma revista do herói), Evandro Mesquita, em pleno auge da banda Blitz, que só não era mais magro do que este cronista (na época, é claro...), Cissa Guimarães exibindo o melhor estilo hiponga, Nina de Pádua, e, Cláudia Ohana, na beleza primaveril de seus dezoito anos.

Todos estes atores viriam a desenvolver carreiras no cinema e na televisão, principalmente na Globo. André de Biase desenvolveria um personagem semelhante, ao lado de Kadu Moliterno e Andréa Beltrão, mas, a fórmula desgastou-se, ao longo dos anos, assim como a cabeleira do ator.

Cláudia Magno, que estreara no cinema neste filme, prosseguiu trabalhando, principalmente em novelas, mas, viria a falecer precocemente, em 1995, aos 35 anos de idade. Ricardo Graça Mello, que é filho de Marília Pêra, ainda atuaria em mais dois filmes, mas enveredaria, na música, seu habitat natural.

O DVD não é tão elaborado quanto se gostaria, mas, ao menos, foi mantido o formato de tela original, mesmo sem ser anamórfico. O áudio é em português mono, e, como extras, somente trailer de cinema, notas sobre filmografia, e, galeria de fotos.

Talvez o leitor estranhe que eu recomende um filme com tantos defeitos, e, numa edição de DVD tão pobre. Contudo, este é um dos casos em que o conteúdo emocional é mais importante do que a forma. Mesmo mono, é delicioso escutar músicas como "De Repente Califórnia", "Menino do Rio", "Corpos de Verão", "Para Sempre Amantes", "Tesouro da Juventude", e, "Perdidos na Selva", de Nelson Motta, Guilherme Arantes e Lulu “dos” Santos, como ainda se chamava. O diretor Antonio Calmon nos brinda com belíssimas cenas, de um Rio anos-luz da violência atual, de um tempo onde a camisinha era apenas para evitar gravidez, e, a AIDS ainda uma mera suposição para os cientistas.

Para quem duvidar, assista os primeiros cinco minutos do filme, mergulhando com o herói num vôo onírico, ao som de “Garota, eu vou pra Califórnia / Viver a vida sobre as ondas / Vou ser artista de cinema / O meu destino é ser star...”. Esse filme é para os que nunca desistiram deste sonho.

sexta-feira, 22 de julho de 2005

Claquete 22 de julho de 2005



Newton Ramalho - colunaclaquete@gmail.com

O que está em cartaz

A chuva deu uma trégua, e, a cidade está com cara de férias, embora muitos garotos já tenham voltado às aulas. É uma pena, pois, as estréias da semana estão todas voltadas para o público infantil. De cara, a nova versão de “A Fantástica Fábrica de Chocolates”, dirigida por Tim Burton, e, estrelada por Johnny Depp. De Robert Rodriguez, “As Aventuras de SharkBoy e LavaGirl em 3D”, fantasia, segundo a lenda, baseado em idéias do próprio filho de sete anos do diretor. Por fim, mais uma animação do criador de “A Viagem de Chihiro”, Hayao Miyazaki, “O Castelo Animado”. Continuam em cartaz, “A Queda – As Últimas Horas de Hitler”, narrando os momentos finais do ditador, “Batman Begins”, a nova versão do Homem-Morcego, com Christian Bale, no papel-título, “Guerra dos Mundos”, refilmagem de uma história de H.G.Wells, da dobradinha Spielberg/Tom Cruise, ”Quarteto Fantástico”, novo filme de ação baseado em personagens de quadrinhos, “Sr. e Sra. Smith”, com Brad Pitt e Angelina Jolie, e, “Em Boa Companhia”, com Dennis Quaid. Para a criançada, “Herbie Meu Fusca Turbinado”, o ótimo desenho animado “Madagascar”, da Dreamworks, e, “Pokemón 4 – Viajantes do Tempo”. Não haverá sessão de arte nesta semana.


Estréia 1: “A Fantástica Fábrica de Chocolates”

Um dos filmes que mais encantaram, e, ainda encantam as crianças, “A Fantástica Fábrica de Chocolates”, de 1971, mereceu uma refilmagem, à altura do filme original. Desta vez, o papel de Willy Wonka, vivido magistralmente por Gene Wilder, no primeiro filme, é de Johnny Depp, e, a direção é por conta de Tim Burton. A história é a mesma, em ambos os filmes, baseada no livro homônimo de Roald Dahl. Willy Wonka (Johnny Depp) é o excêntrico dono da maior fábrica de doces do planeta, que, um belo dia, decide realizar um concurso mundial, para escolher um herdeiro para seu império. Cinco crianças de sorte, entre elas, Charlie Bucket (Freddie Highmore), encontram um convite dourado, escondido nas barras de chocolate Wonka, e, com isso, ganham um passeio pela lendária fábrica de chocolate, que não era visitada, por ninguém, há 15 anos. Embora maravilhados com as delícias da fábrica, os visitantes descobrem, a duras penas, que, nem todo mundo merece entrar lá. Uma pitada de cultura inútil: a Nestlé providenciou 1850 barras de chocolate verdadeiro para os sets de filmagens, e, foram usados cerca de 800 mil litros de chocolate falso, para compor o rio de chocolate. “A Fantástica Fábrica de Chocolates” estréia, nesta sexta-feira, no Cine 6 do Moviecom. Censura livre. Atenção: cópia dublada!

Estréia 2: “As Aventuras de SharkBoy e LavaGirl em 3D”


Max (Cayden Boyd) é um solitário garoto de dez anos, que se perde em seu próprio mundo de fantasia, para escapar das confusões diárias, decorrentes do contato com seus pais, dos valentões da escola, e, de férias de verão, nem um pouco divertidas. Porém, quando Max descobre que os super-heróis que julgava imaginários podem ser bem mais reais do que ele sonhava, seu mundo se transforma completamente. Max, então, parte em uma viagem interplanetária, rumo ao estranho planeta Baba. Lá, ele encontra Sharkboy (Taylor Lautner), um garoto que é metade tubarão, e, metade humano, que foi criado por tubarões após se perder no mar. Ao seu lado está Lavagirl (Taylor Dooley), uma jovem vulcânica, que lança chamas, e, pedras incandescentes. O planeta Baba parece um paraíso infantil, repleto de montanhas-russas gigantescas, e, com um céu violeta, mas, o lugar enfrenta uma perigosa ameaça: o Sr. Elétrico (George Lopez), que tem, por objetivo, acabar com os sonhos das crianças, para sempre. Com Sharkboy, e, Lavagirl, em perigo, cabe a Max salvá-los, tendo que usar sua imaginação para conseguir derrotar o Sr. Elétrico. O roteiro do filme foi baseado nas aventuras intergalácticas criadas por Racer Max Rodriguez, filho do diretor Robert Rodriguez, de apenas 7 anos. “As Aventuras de Sharkboy e Lavagirl em 3-D” estréia, nesta sexta-feira, no Cine Natal 2, e, no Cine 4 do Moviecom. Censura livre. Atenção: cópia dublada!


Estréia 3: “O Castelo Animado”

Em meio à mesmice das produções infantis, um desenho japonês chega aos nossos cinemas, tendo, como maior referência, o diretor Hayao Miyazaki, que já nos brindou com os belíssimos “Princesa Mononoke” e “A Viagem de Chihiro”. O filme atual conta a história de Sofia, uma jovem de 18 anos, que trabalha na chapelaria de seu pai. Em uma de suas raras idas à cidade, ela conhece Hauru, um mágico bastante sedutor, mas, de caráter duvidoso. Ao confundir a relação existente entre eles, uma feiticeira lança sobre Sofia uma maldição, que faz com que ela aparente 90 anos. Desesperada, Sofia foge, e, termina por encontrar o Castelo Animado de Hauru. Escondendo sua identidade, ela consegue ser contratada, para realizar serviços domésticos no local. Aos poucos, vai se envolvendo com os demais moradores do castelo, em especial com Karushifã, um ser que vive no fogo, que também foi amaldiçoado, e, por isso, eles fazem um pacto para se ajudarem. “O Castelo Animado” estréia, nesta sexta-feira, no Cine 7 do Moviecom. O filme terá apenas uma sessão diária, sempre às 12h50. Censura livre. Atenção: cópia dublada.


“Meu Tio Matou Um Cara”, em DVD

Lá do sul, da Casa de Cinema de Porto Alegre, chega mais uma boa produção nacional, agora no formato digital. Éder (Lázaro Ramos) é preso, ao confessar ter matado um homem. Duca (Darlan Cunha), um menino de 15 anos, que é sobrinho de Éder, quer provar a inocência do tio. Ele tem certeza que o tio está assumindo o crime para livrar a namorada, Soraya (Deborah Secco), ex-mulher do morto. Duca também quer conquistar o coração de Isa (Sophia Reis), uma colega de escola que parece estar mais interessada em seu melhor amigo, Kid (Renan Gioelli). Para conseguir provar sua teoria, Duca recebe a ajuda de Isa, e, Kid, nas investigações. Um texto inteligente, boa atuação do elenco, e, a direção segura de Jorge Furtado, garantem uma boa diversão. A trilha sonora foi produzida por Caetano Veloso e André Moraes. Já nas locadoras.

“Em Boa Companhia”

Dan Foreman (Dennis Quaid) é o chefe de vendas de publicidade da revista Sports América, e, aos 51 anos, leva uma vida tranqüila. Mas, após a revista ser adquirida pela multinacional Globecom, Dan perde sua função, na empresa, para o jovem Carter Duryea (Topher Grace), um ambicioso publicitário de 26 anos. Em casa, Dan enfrenta, ainda, novos problemas, com a inesperada gravidez de sua esposa, e, os gastos extras, com as faculdades de suas filhas, Alex (Scarlett Johansson), e, Jana (Zena Grey). Por causa das novas despesas, Dan não pode, de maneira alguma, perder seu atual emprego, e, tenta, de todas as formas, manter um clima amigável com o intragável Carter. Mas, a situação muda de figura, quando Carter, que se divorciou recentemente, começa a namorar Alex. “Em Boa Companhia”, com direção de Paul Weitz, está em cartaz no Cine 5 do Moviecom. Para maiores de 12 anos.


“Vozes do Além”, em DVD

O suspense sobrenatural “Vozes do Além” parte de uma prática espírita Electronic Voice Phenomenon (Fenômeno da Voz Eletrônica - FVE), para contar uma história de terror, com toques de romance. Esse fenômeno baseia-se na comunicação que os mortos tentam fazer, com os vivos, usando aparelhos eletrônicos, como televisores, e, rádios. Jonathan Rivers (Michael Keaton) é um arquiteto, que fica viúvo, quando sua segunda esposa morre, em um misterioso acidente. Ele tenta seguir a vida, mas, não consegue. Um dia, conhece um estranho, que diz que a falecida está se manifestando usando o EVP. Rivers não acredita nisso, mas, quando faz o primeiro contato com sua mulher, fica fascinado. A partir daí, passa a estudar o fenômeno, e, se comunicar, com freqüência, com sua mulher. Ela começa a lhe dar pistas, para ajudar pessoas. Mas, algo de estranho acontece, pois ele começa a ouvir vozes de pessoas que ainda estão vivas, ma, que morrerão, em breve. Rivers tenta de tudo, para ajudá-los, mas, espíritos do mal vão impedi-lo. O disco traz a imagem em widescreen anamórfico, e, como extras, os documentários “Fazendo Contato: Experimentos de FVE”; “Como Gravar FVE, a Vida após a Morte”; “Ouvir é Acreditar: Sessões Reais de FVE”, comentários do diretor e de Michael Keaton; cenas excluídas. Já nas locadoras.



Abertas inscrições para o Festival do Minuto Vivo

Estão abertas, até o dia 31 de julho, as inscrições para o Festival do Minuto Vivo. O tema deste ano é “Silêncio”. Os concorrentes podem enviar obras realizadas em qualquer tipo de equipamento que produza imagens em movimento: câmeras de vídeo, câmeras de aparelhos de celular, câmeras de foto digital (inclusive seqüências de fotos) ou animações em formato Flash, feitas em computador. Para efeito de inscrição, os trabalhos podem ser entregues em fita de vídeo VHS, mini-DV, ou, ainda, em CD. Os trabalhos devem ter no mínimo um frame, e, no máximo, 60 segundos, incluídos os créditos. A cada bimestre, três trabalhos recebem premiação de mil reais, além do Troféu Minuto, e, de um curso de computação gráfica e vídeo digital. Informações no site www.festivaldominuto.com.br/.




Filme recomendado: “Tango”

O vôo de Saura, nas plagas de Gardel


Será que poderíamos imaginar algum cineasta estrangeiro, vindo ao Brasil para fazer um filme sobre o samba? No entanto, o diretor espanhol atreveu-se a tarefa semelhante, indo filmar, na Argentina, uma produção sobre o tango, e, toda a sua presença na história e cultura portenha. Fugindo de uma narração tradicional, o diretor conseguiu passar, pelo menos para os não-argentinos, a sensação de ter cumprido a missão a contento. O filme é “Tango”, de 1998.

Como falar de um valor cultural argentino, que não apenas embala a vida de seus habitantes, mas entranha-se em suas emoções, boas e más, sensuais ou dolorosas, sempre a dois, num estranho jogo de movimentos, desigualmente simétricos, tanto quanto o homem e a mulher que o interpretam?

Ao invés de um roteiro linear e tradicional, Saura optou por uma linha tênue e sinuosa, vagamente conduzida por um personagem central, Mario Suarez (Miguel Ángel Sola), autor e diretor teatral. Mário, apesar da fama, está em crise. Toda uma carreira gloriosa ficou para trás, e, ele, agora, depara-se com vários fantasmas, que o atormentam. A mulher, principal estrela do filme que está produzindo, o abandonou, reconstruindo sua vida com outro companheiro. A saúde é precária, pois um grave acidente de carro quase o fez perder a perna. A idade o lembra de que não é mais jovem, não lhe restando mais tanto tempo para a vida aventureira que sonhara. E, a mais triste das maldições: a inspiração parece ter se perdido, em meio a tantas crises convergentes.

Apesar de tudo, Mário é querido por seus amigos e companheiros, que procuram ajuda-lo, através de seu filme, a reencontrar a paz de espírito. A produção, sobre o tango, leva-o a paraísos de Buenos Aires, onde a arte mostra o seu valor, através de velhos, jovens, e, crianças, que mantêm viva a beleza da dança.

Numa destas visitas, encontra-se com Angelo Larroca (Juan Luis Galiardo), um mafioso que patrocina a maior parte do filme de Mário. Ele pede a Mario que dê um papel, no filme, à sua protegida, Elena (Mía Maestro), uma jovem e bela bailarina. Incerto, a princípio, aos poucos, Mário fica impressionado com o talento e beleza da jovem. Não tarda muito, para que se tornem amantes, a despeito dos avisos de todos.

Algumas partes da história Argentina são encenadas através da dança, como a chegada dos imigrantes, no final do século XIX, ou, a repressão militar do século XX. Em todas, a presença do tango era constante, até mesmo para abafar os gritos dos torturados, como afirma um dos personagens.

Na apoteótica chegada dos imigrantes, que se rendem à bela dança portenha, um vulto malévolo esgueira-se entre os dançarinos. Um punhal é brandido, em direção à bela Elena, que cai, o sangue manchando a sua roupa. O diretor corre em sua direção, apavorado. Terá sido esta a vingança do mafioso? Para saber mais, assista ao filme.

Com um roteiro quase inexistente, e, pouquíssimas personagens, Saura utilizou outros elementos, para compor o quadro completo de “Tango”. Tendo, à sua disposição a fina flor dos músicos, atores, e, bailarinos argentinos, não foi preciso ir muito além. Numa bela utilização de metalinguagem cinematográfica, Saura confere, ao seu diretor-personagem, o poder de apresentar belas referências a grandes nomes do tango, como Carlos Gardel e Astor Piazzola. Através das fantasias de Mário, é possível ter várias visões da dança, que vão, de um sensual embate entre sua antiga e atual amadas, até a exibição de “La Cumparsita”, certamente o mais conhecido e tocado tango, qualquer que seja o lugar no mundo.

Com uma trilha sonora maravilhosa, criada sob a batuta do argentino Lalo Schiffrin, e, a fotografia estudada, do fotógrafo italiano Vittorio Storaro, Saura nos presenteia com uma serie de quadros, onde a batida forte da música embala os sensuais movimentos dos casais.

Originariamente, o tango nasce no final do século XIX, de uma mistura de vários ritmos, provenientes dos subúrbios de Buenos Aires. Esteve associado, desde o princípio, com bordéis e cabarés, âmbito de contenção da população imigrante, massivamente masculina. Devido a que só as prostitutas aceitariam esse baile, em seus começos, era comum que o tango fosse dançado por um casal de homens.

Mas, o tango, como dança, não se limitou às zonas baixas, ou, a seus ambientes próximos. Estendeu-se também aos bairros proletários, e, passou a ser aceito "nas melhores famílias", principalmente depois que a dança teve sucesso na Europa.

O DVD, distribuído no Brasil pela Europa, não manteve o formato da edição americana, e, prejudicou a maravilhosa fotografia do filme. Mas, o som oferece as opções português e espanhol (Dolby Digital 5.1 e 2.0). Como extras, notas sobre a produção e elenco, e, um making of, legendado, além de trailer de cinema.

Este filme, que mereceu o prêmio técnico de Cannes em 1998, além da indicação ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro de 1999, certamente irá agradar a maioria das pessoas, que sentem prazer com a música e a dança. Diferente dos enfadonhos musicais de Hollywood, em “Tango”, nada é gratuito, e, mesmo sendo uma colcha de retalhos, é uma bela coleção de retalhos de imagens e sons que irão permanecer em suas mentes, mesmo depois de desligar a tv. Experimentem.

sexta-feira, 15 de julho de 2005

Claquete 15 de julho de 2005



Newton Ramalho - colunaclaquete@gmail.com

O que está em cartaz

Enquanto a guerra de lama corre solta, Brasil a fora, sobram poucas opções para o natalense, que não quer ficar vendo depoimentos de CPI na TV. Nas estréias, a nova versão de “Guerra dos Mundos”, dirigido por Spielberg, e, estrelado por Tom Cruise, e, “A Queda – As Últimas Horas de Hitler”, narrando os momentos finais do ditador. Continuam em cartaz, “Batman Begins”, a nova versão do Homem-Morcego, dirigido por Christopher Nolan, o diretor de "Amnésia", com Christian Bale, no papel-título, “A Casa de Cera”, refilmagem de um clássico de terror, no estilo mata-mata de adolescentes, os filmes de ação “Sr. e Sra. Smith”, com Brad Pitt e Angelina Jolie, e, o ótimo desenho animado “Madagascar”, da Dreamworks. Na próxima quinta-feira, acontece a pré-estréia de “Quarteto Fantástico”. Não haverá sessão de arte nesta semana.

“O Clã das Adagas Voadoras”, em DVD

Mais um ótimo filme, “O Clã das Adagas Voadoras”, de Zhang Yimou, chega às locadoras. No ano de 859 a China passa por terríveis conflitos. A dinastia Tang, antes próspera, está decadente. Corrupto, o governo é incapaz de lutar contra os grupos rebeldes que se insurgem. O mais poderoso e prestigiado deles é o Clã das Adagas Voadoras. Leo (Andy Lau) e Jin (Takeshi Kaneshiro), dois soldados do exército oficial, recebem a missão de capturar o misterioso líder das Adagas Voadoras, e, para tanto, elaboram um plano: Jin se disfarça como um combatente solitário, ganha a confiança da bela revolucionária cega Mei (Zhang Ziyi), e, assim, infiltra-se no grupo. Mas, a dupla não contava com a paixão que Mei despertaria nos dois. O filme recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Fotografia. Este é o terceiro filme em que o diretor Zhang Yimou e a atriz Zhang Ziyi trabalham juntos. Os anteriores foram “O Caminho para Casa” (1999), e, “Herói” (2002). Além do filme, o disco traz, como extras, comentários do Diretor e da Atriz Zhang Ziyi, Clipe da Música "Lovers", Storyboards, Galeria de Fotos, e, Making Of dos Efeitos Especiais. Nas locadoras.

“Hitch - Conselheiro Amoroso”, em DVD

“Hitch – Conselheiro Amoroso”, uma divertida comédia romântica, estrelada por Will Smith, chega agora, ao mercado doméstico. Muito mais à vontade aqui, Will vive Alex "Hitch" Hitchens, um lendário, e, propositalmente anônimo, "doutor do amor", que age em Nova York. Em troca de uma determinada taxa, ele se dispõe a ajudar homens tímidos a conquistar as mulheres de seus sonhos. Enquanto trabalha para Albert (Kevin James), um contador que se apaixonou pela socialite Allegra Cole (Amber Valetta), Hitch conhece a mulher que acredita ser sua própria cara-metade: a jornalista Sara Melas (Eva Mendes). Apaixonado, Hitch decide conquistá-la, mesmo correndo o risco de ter sua identidade desvendada pelo jornal em que Sara trabalha. Além do filme, o disco traz “Erros de Gravação”, “Cenas Excluídas”, Videoclipe "1 Thing" de Amerie, e, Trailers de cinema. O formato de tela é widescreen, e, o áudio, em inglês, português e espanhol, Dolby Digital 5.1. Já nas locadoras.


“Reencarnação”, em DVD

Um dos mais estranhos filmes estrelados por Nicole Kidman foi “Reencarnação”, de 2004. Dez anos após a morte de seu marido, Anna (Nicole Kidman), finalmente, conseguiu reconstruir sua vida, estando prestes a casar-se novamente. Repentinamente, surge, em sua vida, um garoto de dez anos, que se apaixona por ela, e, diz ser a reencarnação de seu falecido marido. Anna, inicialmente, considera a história totalmente absurda, mas, alguns detalhes, de situações ocorridas entre ela e seu falecido marido, contados pelo garoto, fazem com que ela fique intrigada. Aos poucos, Anna começa a relembrar fatos de seu passado, e, começa a questionar as escolhas que fez na vida, o que faz com seu noivo, a família dele, e, sua melhor amiga fiquem preocupados. Além de Nicole, o filme tem a participação de Lauren Bacall e Anne Heche. Uma cena do filme que escandalizou os mais conservadores, é quando Nicole beija o garoto na boca. Nas locadoras.

Abertas inscrições para o 9º Festival de Cinema, Vídeo e Dcine de Curitiba

Estão abertas, até o dia 30 deste mês, as inscrições para o Festival de Cinema, Vídeo e DCine de Curitiba, que chega à sua nona edição em 2005, com o intuito de estimular e divulgar a produção cinematográfica local e nacional. Os filmes selecionados deverão ser apresentados em 16mm e 35 mm. Os vídeos, em BETACAM/SP no sistema NTSC, e, no caso do DCine, a obra deverá ser captada em câmera digital (Beta Digital, DVCam ou MiniDV, finalizada em digital e quinescopada), e, apresentada para projeção em 35mm ou 16mm. Para melhores informações, sobre regulamento e inscrições, consultar o próprio site do festival: www.festcinecuritiba.com.br.


Curta curtas agora, no CurtaAgora

A internet brasileira dispõe de mais um site sobre curtas-metragens. É o www.curtagora.com. O site contém um acervo com mais de 4.000 filmes cadastrados, constantemente acrescidos e atualizados. No Curtagora é possível consultar títulos, sinopses e fichas técnicas, dar o seu voto, escrever comentários, ver fotos, assistir trailers e filmes online, indicar filmes para amigos, pesquisar filmografias, catálogo de profissionais e outros recursos inéditos dentro do panorama audiovisual brasileiro. Integram nesta pesquisa produções em cinema (35mm, 16mm e Super-8) e vídeo (Betacam, DV, Hi-8, S-VHS, VHS, U-Matic), com duração máxima de 60 minutos e nos gêneros de ficção, documentário, experimental, animação, educativo, videoarte e videoclipe. Experimente.

“A Volta ao Mundo em 80 Dias”, em DVD

Londres, final do século XIX. O inventor Phileas Fogg (Steve Coogan) é visto pela conservadora comunidade científica, liderada por Lorde Kelvin (Jim Broadbent), como um excêntrico, pois acham suas idéias mirabolantes. Fogg está usando um oriental, que diz chamar-se Passepartout (Jackie Chan), como piloto de testes. Na verdade ele é Lau Xing, um chinês que pegou de volta o Buda de Jade, um estatueta que protegia seu povo, e, tinha sido roubada por uma facção rival, e, colocada no Banco da Inglaterra. Recuperar a estatueta não é suficiente para Lau, pois ele precisa levá-la de volta para sua aldeia. Assim, instiga Fogg a fazer uma aposta com Lorde Kelvin, que não envolvia dinheiro e sim prestígio. Para vencê-la Fogg precisa dar a volta ao mundo em, no máximo, oitenta dias, algo impensável para a época. Fogg aceita o desafio, que em si já é bem difícil, ainda mais com Lorde Kelvin e seus amigos fazendo todo o tipo de trapaça para que perca a aposta. Logo no segundo dia de viagem, em Paris, Monique La Roche (Cécile de France), uma garçonete que sonha em ser pintora, se une aos dois amigos, em uma viagem cheia de aventuras e perigos através do mundo. Baseado em livro de Júlio Verne, é refilmagem da versão de 1956, com David Niven e Cantinflas.



Filme recomendado: “Nathalie X”

Dupla sedução


A infidelidade no casamento é um tema corriqueiro na ficção, principalmente em se tratando de filmes franceses. Contudo, uma reação inusitada da parte traída traz uma ótica diferente para o tema, como o fez a diretora Anne Fontaine. O filme é “Nathalie X”, já exibido no circuito de Arte, e, está disponível em DVD.

Catherine (Fanny Ardant) é o retrato de uma mulher realizada. Médica bem conceituada, vive uma vida tranqüila, ao lado do marido, e, do filho, num casamento sólido, de 25 anos. Charmosa e atraente, Catherine acreditava que nada poderia abalar o seu mundo, até o dia em que descobre que seu marido, Bernard (Gerard Depardieu), tivera um caso com outra mulher.

Inquirindo-o para saber a verdade dos fatos, Catherine enfrenta uma outra realidade. Apesar da ótima convivência dos dois, os anos os afastaram um do outro, a ponto de nada saberem mais do que agrada, ou não, ao outro. Eles não conseguem lembrar, sequer, qual a última vez que fizeram amor. Gerard insiste que o caso nada representa, para ele, mas, a descoberta abala Catherine profundamente.

Atônita, ela descobre que deixou-se levar pela rotina, e, que, o marido que ama, tornou-se um estranho, com desejos, e, necessidades, que ela desconhece, tanto quanto os seus próprios.

Um dia, ao sair do consultório, passa pela porta de um bordel de luxo, vizinho ao seu trabalho. Sem saber direito o porquê, Catherine entra no bordel, sentando-se para tomar uma bebida. Uma jovem aproxima-se, e, começa a conversar com ela. Marlene (Emanuelle Béart), de algum modo, desperta, em Catherine, um projeto maluco, que ela propõe, à jovem. A garota de programas, sob o pseudônimo de Nathalie, deverá aproximar-se, e, seduzir Bernard, contando, em detalhes, para Catherine, tudo o que acontecer entre os dois.

As duas passam a encontrar-se diariamente, para que a jovem possa fazer os seus relatos. No primeiro dia, Catherine fica chocada, quando Nathalie lhe revela que os dois fizeram sexo. Entre o espanto, e, a curiosidade, a última é mais forte, e, os detalhes são revelados pela moça.

À medida em que o tempo vai passando, as duas vão ficando mais próximas, a ponto de Catherine levar a jovem para cuidar de sua mãe, com problemas nos cabelos, pois a jovem entendia do assunto. Aos poucos, ao mesmo tempo em que absorve os relatos da jovem com o seu marido, Catherine busca, dentro de si mesma, os momentos em que vivera situações parecidas.

A situação começa a complicar-se quando a jovem revela que ele ameaça deixar a mulher, para viver com ela. Por sua vez, Bernard suspeita que Catherine está tendo um caso, pois nota mudanças na atitude da mulher. Um caso, na vida de Catherine, realmente acontece, mas, tem mais a ver com a redescoberta de sua sensualidade adormecida, do que uma represália contra o marido.

Quando as coisas parecem ter chegado a um ponto extremo, Catherine decide tomar uma atitude ousada, reunindo o marido, e, a amante dele, para um encontro de revelações. A surpresa acontece, mas, ela também é surpreendida. Ponto. Para saber mais, assista ao filme.

O ponto de partida do filme, a idéia de forçar uma amante para o marido que acabara de traí-la, pode parecer muito estranho. Não há dúvidas de que, o fator vingança estava por trás da idéia, além da curiosidade sobre as reações dele, e, o poder de dominar a situação, já que era ela quem controlava todos os fatores.

Contudo, o que Catherine não poderia prever era a reação que tudo aquilo provocaria nela mesma. As narrativas de Nathalie, descrevendo, com detalhes, tudo o que fazia e sentia, despertaram em Catherine, além da satisfação da curiosidade, um erotismo, há muito, esquecido, relembrando-a de suas próprias aventuras, quando jovem estudante. A reconstrução de Catherine faz-se, aos poucos, sob os olhos angustiados do marido.

O elenco do filme, embora enxuto, está maravilhoso. A diretora conseguiu reunir três dos maiores nomes do atual cinema francês, num filme onde a atuação é o único efeito especial permitido. Gerard Depardieu, embora num papel secundário, consegue passar, com falas mínimas, toda a angústia e desnorteamento do marido. Emanuelle Béart, que é mais conhecida fora da Europa por sua participação no primeiro “Missão Impossível”, tem aqui uma atuação irretocável, numa mistura de inocência e sensualidade. Fanny Ardant, por sua vez, traz todo o charme da maturidade, mostrando, sem palavras, os sentimentos que exalam de sua personagem. Outros filmes famosos, em que Fanny atuou foram “Sabrina”, “8 Mulheres”, e, “Retratos da Vida”.

O DVD traz o filme com formato de tela widescreen, e, áudio em francês e português Dolby Digital 2.0. Como extras, o disco traz algumas informações sobre o elenco, trailer de cinema, e, um Making Of de meia hora, onde tem algumas entrevistas com a diretora e elenco, e, muitas cenas de bastidores. O documentário é legendado em português.

“Nathalie X” é um filme extremamente interessante, pois aborda temas como relacionamento familiar, sexualidade na maturidade, e, as fantasias sexuais. Os conservadores de plantão podem ficar tranqüilos, pois o sexo é apenas falado, nunca exibido. A diretora Anne Fontaine consegue provar que, para se fazer um bom cinema, não é necessário efeitos de computador para criar uma realidade, e, sim, despertar a imaginação das pessoas, para que esta realidade seja criada na mente do espectador. Boa diversão!