sexta-feira, 8 de julho de 2005

Claquete 08 de julho de 2005


Newton Ramalho - colunaclaquete@gmail.com


O que está em cartaz

Foram-se as festas juninas, junto com os balões e os fogos, mas, ficaram as fortes chuvas, que fazem Natal parecer uma filial de Veneza. Nas estréias, a nova versão de “Guerra dos Mundos”, dirigido por Spielberg, e, estrelado por Tom Cruise, e, “A Queda – As Últimas Horas de Hitler”, narrando os momentos finais do ditador. Continuam em cartaz, “Batman Begins”, a nova versão do Homem-Morcego, dirigido por Christopher Nolan, o diretor de "Amnésia", com Christian Bale, no papel-título, “A Casa de Cera”, refilmagem de um clássico de terror, no estilo mata-mata de adolescentes, os filmes de ação “Sr. e Sra. Smith”, com Brad Pitt e Angelina Jolie, e, o ótimo desenho animado “Madagascar”, da Dreamworks. Na próxima quinta-feira, acontece a pré-estréia de “Quarteto Fantástico”. Não haverá sessão de arte nesta semana.

Estréia: “Quarteto Fantástico”

Mais um desenho da Marvel chega às telas de cinema. A vez, agora, é do “Quarteto Fantástico”, criado em 1961, por Stan Lee e Jack Kirby. Um desastre atinge uma nave espacial, fazendo com que os quatro tripulantes sofram modificações em seus organismos, ganhando poderes especiais. Reed Richards (Ioan Gruffudd), o líder do grupo, passa a ter a capacidade de esticar seu corpo feito borracha. Sue Storm (Jessica Alba), sua namorada, ganha poderes que a permitem ficar invisível, e, criar campos de força. Johnny Storm (Chris Evans), irmão de Sue, pode aumentar o calor do seu corpo, enquanto que Ben Grimm (Michael Chiklis) tem seu corpo transformado em pedra, e, ganha uma força sobre-humana. Ao retornar a Terra, eles passam a lidar com seus novos poderes, decidindo formar o grupo de super-heróis, Quarteto Fantástico, para combater os vilões que ameaçam a Terra. Este filme chegou a ter cenas alteradas, devido à animação “Os Incríveis”, que tinha muitas semelhanças. Houve uma outra versão, de 1994, que nunca chegou aos cinemas, pois a única intenção da empresa era manter os direitos de adaptação. Stan Lee, que apareceu em algumas pontas em “Hulk” e “Homem-Aranha”, interpreta, desta vez, um personagem, Willy Lumpkin, velho carteiro que trabalha para o grupo. A direção é de Tim Story. “Quarteto Fantástico” estréia, para valer, nesta sexta-feira, no Cine Natal 2, e, no Moviecom, em salas ainda não definidas. Para maiores de 12 anos.


Vale à pena comprar uma TV widescreen?

Em meio às ofertas de tvs de plasma, LCD, projetores, as velhas tvs de tubo de imagem lutam bravamente, contando, a seu favor, com o elemento preço, já que ainda representam a opção mais barata. Contudo, muitos compradores ainda ficam indecisos quanto à novidade widescreen. Como são mais caras do que as tvs tradicionais, resta a dúvida: qual a vantagem das telas retangulares? Para responder a isso, o espectador tem que fazer, a si mesmo, a pergunta: qual a sua programação preferida? Se a resposta for o conteúdo normal das emissoras, sejam abertas ou pagas, a melhor opção é o velho formato 3x4 mesmo. Mas, se a preferência for assistir filmes em DVD, as tvs widescreen são mais apropriadas, oferecendo recursos como entradas videocomponentes, progressive scan, e, sem as barras pretas que tanto irritam alguns espectadores. Se levarmos em conta que, uma widescreen de 32 polegadas oferece mais ou menos a mesma área útil de uma tv convencional de 38 polegadas, a vantagem econômica ficará, disparada, com a widescreen. É pesquisar e escolher!

Anima Mundi

Quem for para o Sul-Maravilha por estes dias, terá oportunidade de conferir o Anima Mundi, o único festival de animação da América Latina. Patrocinado pela Petrobras desde 1997, o evento apresenta, no Rio de Janeiro (8 a 17 de julho), e, São Paulo (20 a 24 dejulho), uma seleção de curtas, longas-metragens, seriados, e, comerciais realizados em diversos estilos visuais, linguagens narrativas e técnicas de animação. A competição com júri popular é dividida nas categorias: Curta-Metragem, Curta Infantil, Animação Brasileira, Portfólio, Primeira Obra, e, Animação em Curso. As premiações por júri profissional estão organizadas em Melhor Animação, Melhor Roteiro, Melhor Trilha Sonora, e, Melhor Design. O festival também promove o Anima Mundi Web, concurso para animações produzidas exclusivamente para veiculação na Internet. Informações no próprio site do festival www.animamundi.com.br.



Mais clássicos em DVD

Os amantes dos filmes clássicos estão menos órfãos. Antes limitados a pequenas distribuidoras, como a Magnus Opus, Versátil, ClassicLine, e, Continental, os clássicos do cinema mundial ganharam mais dois distribuidores. Uma é a Aurora (www.auroradvd.com.br), que entra no mercado com os títulos “Rififi”, de Jules Dassin, “O Beijo Amargo”, de Samuel Fuller, “Anos de Rebeldia”, de Dennis Hopper, e, “Brinquedo Proibido”, de René Clement. Uma major, a Fox, entrou pesado no mercado, com os títulos “Como Era Verde o Meu Vale”, “Como Agarrar um Milionário” e “Os Homens Preferem as Louras”, com Marilyn Monroe, “Comancheros” e “Fúria no Alaska”, com John Wayne, e, “A Bíblia...No Início”, com George C. Scott, Ava Gardner, Peter O´Toole, e, Richard Harris. Parabéns para os cinéfilos!

Porta-Curtas Petrobras

Gosta de curtas-metragens? Pois saiba que há uma porção deles, à disposição no site www.portacurtas.com.br. Patrocinado pela Petrobras, o site disponibiliza 289 curtas para assistir através da internet, além de informações sobre mais 2854 filmes e 11500 profissionais do ramo. Entre os títulos disponíveis estão o premiado “Ilha das Flores”, “A Sauna”, “Almas em Chamas”, “Deus é Pai”, e, muitos outros. O acesso é gratuito, e, os filmes, para serem assistidos, precisam do Windows Media Player, que pode ser baixado do próprio site. O acesso tanto pode ser feito por modem como por banda larga.


Espadas laser de Star Wars vão a leilão

A famosa espada a laser de Luke Skywalker, herói da primeira trilogia Star Wars, será leiloada, junto com vários objetos da série de George Lucas, pela casa Profiles in History, que organiza o evento. A espada, até hoje propriedade do produtor Gary Kurtz, vale de US$ 60 mil a US$ 80 mil, de acordo com a estimativa dos organizadores, especializados na venda de objetos de filmes. O leilão será em 29 de julho, em Beverly Hills. Kurtz, produtor do primeiro “Star Wars”, em 1977, colecionou vários objetos ligados à saga galáctica. Os fãs poderão participar do leilão pela Internet, acessando a página www.ebayliveauctions.com. O catálogo está disponível no endereço www.profilesinhistory.com. Entre os objetos à venda, está a outra espada, usada por Darth Vader, no episódio “O Império Contra-Ataca” (1980), estimada em entre US$ 40 mil e US$ 60 mil, e, a máscara do personagem de Yoda (US$ 8 mil a US$ 10 mil). Alguém se habilita?



007 na TNT

O canal pago TNT estará exibindo, nos próximos meses o Festival 007, com os filmes do mais famoso espião do cinema. No mês de julho, estão programados os títulos “007 Contra o Satânico Dr. No”, o primeiro filme oficial da grife, “Moscou Contra 007”, “Goldfinger”, e, “007 Contra a Chantagem Atômica”. Todos estes filmes são estrelados por Sean Connery, o que melhor encarnou o mítico personagem criado pelo escritor Ian Fleming. As exibições seguirão a seqüência acima, sempre com uma sessão na terça-feira, às 22h, e, reprise no sábado, às 0h30. O festival continua até novembro.

“Ruas de Fogo”, em DVD

Em algum lugar no tempo, numa cidade que pode ser a nossa, a violência urbana chega em níveis insustentáveis. Cada vez mais, as gangues de rua se apoderam dos espaços públicos, fazendo de cada quarteirão o seu verdadeiro domínio de violência. Os representantes da lei já não controlam mais a situação. É nesta situação caótica que uma cantora de rock é seqüestrada, por uma gangue de motoqueiros. Seu namorado retorna, então, à cidade, e, ao descobrir que ela é mantida refém, parte para o resgate. Mas, para isso, ele deverá passar por um inferno de gangues rivais, verdadeiros selvagens sem lei, que não medem esforços para proteger seus domínios. Cult dos anos 80, dirigido por Walter Hill (48 Horas), muito lembrado pela trilha sonora com músicas da banda The Blasters, Dan Hartman e Ry Cooder, entre outros. No elenco, Michael Paré, Diane Lane, Willem Dafoe. O som é Dolby Digital 2.0 e o formato de tela widescreen anamórfico. Nas locadoras.

Cineclube Natal exibe filme nesta sexta

Pouca gente sabe, mas Natal possui um Cineclube, muito ativo, por sinal. Com uma proposta de pluralidade de programação, o Cineclube Natal exibe clássicos, curtas-metragens, cinema nacional, e, produções européias recentes, para os amantes da Sétima Arte. Nesta sexta-feira, está programada uma sessão, com o documentário irlandês “A Revolução Não Será Televisionada”, dos diretores Kim Bartley e Donnacha O'Briain. O filme será apresentado pelo professor Arnon de Andrade, chefe do Departamento de Educação da UFRN. A sessão começa às 19h, no auditório do Sebrae, em frente ao ginásio Machadinho. A entrada (taxa de manutenção) custa R$1,00. Mais informações: 8813 – 9002 / 8805 – 4666 / 8838 - 2112 ou pelo e-mail cineclubenatal@grupos.com.br.


Morre o roteirista de “Noviça Rebelde”

Faleceu, no último sábado, o excepcional roteirista Ernest Lehman, autor de clássicos famosos, como “Sabrina”, “A Embriaguez do Sucesso” e “Intriga Internacional”, além de algumas das mais bem sucedidas adaptações da Broadway, como “A Noviça Rebelde”, “Amor, Sublime Amor”, e, “Quem Tem Medo de Virginia Woolf?”. Lehman ainda escreveu outros filmes memoráveis, como “Domingo Negro”, para o diretor John Frankenheimer, e, “Trama Macabra”, que viria a ser o último filme de Alfred Hitchcock. Lehman foi o único roteirista a receber um Oscar honorário da Academia.

Filme recomendado: “O Pagamento”

Cigano eletrônico


O que você faria, se pudesse adivinhar o futuro? Jogaria na Megasena, evitaria a sua própria morte, tentaria salvar o mundo?... Bem, considerando-se que adivinhar não é um dado de realidade, fica difícil imaginar o que se poderia fazer. Mas, o filme “O Pagamento”, dirigido por John Woo explora tudo isso, em meio a muitas cenas de ação explosiva, marca registrado do diretor.

Michael Jennings (Ben Affleck) é um engenheiro de computação brilhante, que constantemente é contratado, por grandes empresas, para trabalhar em projetos secretos. Esses projetos, quase sempre fazendo engenharia reversa, que é um nome bonito para pirataria, garantem, para as empresas, milhões de dólares economizados, em produtos gerados a partir dos concorrentes. Para evitar processos judiciais, após concluir seus serviços, Jennings passa por um processo onde parte de sua memória de curto prazo é apagada.

O último trabalho de Jennings foi para um amigo, James Rethrick (Aaron Eckhart), proprietário de um conglomerado de empresas. O projeto é tão grande, que leva três anos, para que Jennings o complete, mas, pode lhe render bilhões de dólares como pagamento. Após ter a sua memória apagada, como sempre, o engenheiro, ao invés de receber seu pagamento, recebe apenas um envelope, contendo dezenove estranhos objetos, e, a informação de que, por vontade própria, abriu mão dos bilhões de dólares a que tinha direito.

Estranhando a situação, Jennings decide investigar a empresa, com a ajuda de uma companheira de trabalho, Rachel (Uma Thurman), mas, é surpreendido com a notícia de que a polícia está atrás dele, por algo que não se recorda de ter feito.

Como todos os filmes de John Woo, o filme é uma seqüência de cenas de ação repletas de tiros, explosões, e, perseguições em alta velocidade. O espectador é levado, pelo diretor, a encarar os acontecimentos através da ótica do desmemoriado Jennings, sem saber direito o que está acontecendo, mas, lutando com todas as armas disponíveis, que, curiosamente, são os singelos objetos do envelope que o engenheiro endereçou a si mesmo.

O roteiro brinca com a questão da mutabilidade do tempo. Partindo do princípio de que se sabe o que vai acontecer, existe a opção de mudar os fatos? Se você acha que a idéia lembra “Minority Report – A Nova Lei”, onde mutantes previam crimes que iriam acontecer, acertou em cheio, pois ambos os filmes são baseados em contos do escritor Philip K. Dick. Outros contos do autor que viraram filmes foram “Blade Runner – Caçador de Andróides”, “Vingador do Futuro” e “O Impostor”.

Longe de ser uma viagem no tempo, a aventura de Jennings é uma luta desesperada pela sobrevivência, sempre caminhando para um desfecho sombrio, que ele espera poder evitar.

O DVD, distribuído pela Dreamworks, traz o filme com formato de tela widescreen anamórfico, e, som Dolby Digital 5.1, em inglês, português e espanhol, o que justifica o preço do hometheater. Além do filme, o disco traz um final alternativo, seis cenas cortadas ou ampliadas, e, 34 minutos de documentários, “O Pagamento: Concebendo o Futuro”, e, “Desafiando o Destino: As Cenas de Ação de O Pagamento”, além de comentários em áudio pelo diretor John Woo, e, pelo roteirista Dean Georgaris, todos os extras devidamente legendados, em português, inglês e espanhol.

Apesar das incoerências científicas (viva a liberdade poética), “O Pagamento” reúne os elementos que fazem um bom filme de ação, tornando-o uma opção de entretenimento interessante. Confira e forme a sua própria opinião.



sexta-feira, 1 de julho de 2005

Claquete 01 de julho de 2005



Newton Ramalho - colunaclaquete@gmail.com

O que está em cartaz

Foram-se as festas juninas, junto com os balões e os fogos, mas, ficaram as fortes chuvas, que fazem Natal parecer uma filial de Veneza. Nas estréias, a nova versão de “Guerra dos Mundos”, dirigido por Spielberg, e, estrelado por Tom Cruise, e, “A Queda – As Últimas Horas de Hitler”, narrando os momentos finais do ditador. Continuam em cartaz, “Batman Begins”, a nova versão do Homem-Morcego, dirigido por Christopher Nolan, o diretor de "Amnésia", com Christian Bale, no papel-título, “A Casa de Cera”, refilmagem de um clássico de terror, no estilo mata-mata de adolescentes, os filmes de ação “Sr. e Sra. Smith”, com Brad Pitt e Angelina Jolie, e, o ótimo desenho animado “Madagascar”, da Dreamworks. Na próxima quinta-feira, acontece a pré-estréia de “Quarteto Fantástico”. Não haverá sessão de arte nesta semana.

Pré-Estréia: “Quarteto Fantástico”

Mais um desenho da Marvel chega às telas de cinema. A vez, agora, é do “Quarteto Fantástico”, criado em 1961, por Stan Lee e Jack Kirby. Um desastre atinge uma nave espacial, fazendo com que os quatro tripulantes sofram modificações em seus organismos, ganhando poderes especiais. Reed Richards (Ioan Gruffudd), o líder do grupo, passa a ter a capacidade de esticar seu corpo feito borracha. Sue Storm (Jessica Alba), sua namorada, ganha poderes que a permitem ficar invisível, e, criar campos de força. Johnny Storm (Chris Evans), irmão de Sue, pode aumentar o calor do seu corpo, enquanto que Ben Grimm (Michael Chiklis) tem seu corpo transformado em pedra, e, ganha uma força sobre-humana. Ao retornar a Terra, eles passam a lidar com seus novos poderes, decidindo formar o grupo de super-heróis, Quarteto Fantástico, para combater os vilões que ameaçam a Terra. Este filme chegou a ter cenas alteradas, devido à animação “Os Incríveis”, que tinha muitas semelhanças. Houve uma outra versão, de 1994, que nunca chegou aos cinemas, pois a única intenção da empresa era manter os direitos de adaptação. Stan Lee, que apareceu em algumas pontas em “Hulk” e “Homem-Aranha”, interpreta, desta vez, um personagem, Willy Lumpkin, velho carteiro que trabalha para o grupo. A direção é de Tim Story. A pré-estréia de “Quarteto Fantástico” acontece nesta quinta-feira, no Cine Natal 1, e, nos Cines 3 e 7, do Moviecom. Para maiores de 12 anos.


Estréia 1: “Guerra dos Mundos”

Um dos livros mais famosos de H.G.Wells, “Guerra dos Mundos”, retorna às telas do cinema, desta vez com a dobradinha Steven Spielberg, na direção, e, Tom Cruise, no papel principal. Ele vive Ray Ferrier, um homem divorciado, que trabalha nas docas. Ele não se sente à vontade no papel de pai, mas, precisa cuidar de seus filhos, Robbie (Justin Chatwin) e Rachel (Dakota Fanning), quando eles lhe fazem uma de suas raras visitas. Pouco após eles chegarem, Ray presencia um evento que mudará para sempre sua vida: o surgimento de uma gigantesca máquina de guerra, que emerge do chão, e, incinera tudo o que encontra. Trata-se do primeiro golpe de um devastador ataque alienígena à Terra, que faz com que Ray pegue seus filhos e tente protegê-los, levando-os o mais longe possível das armas extra-terrestres. O livro de Wells serviu para o evento mais famoso no meio da indústria de comunicação: a famosa transmissão radiofônica de Orson Welles, em 1938, que levou ao pânico boa parte da população americana. Apesar do caráter ficcionista do livro, o autor embutiu uma forte crítica ao imperialismo e à beligerância das nações ocidentais. Esperemos que algo desta mensagem tenha permanecido neste filme, já que estamos tão necessitados de uma boa dose de pacifismo, nos dias atuais. “Guerra dos Mundos” está em cartaz, no Cine Natal 2, e, nos Cines 6 e 7 do Moviecom. Para maiores de 12 anos.

Estréia 2: “A Queda – As Últimas Horas de Hitler”

Na noite de novembro de 1942, quando Traudl Junge (Alexandra Maria Lara) foi selecionada para trabalhar como secretária pessoal de Hitler, a sua felicidade na poderia ser maior, já que serviria um dos homens mais poderosos do mundo. Três anos depois, em abril de 1945, o cenário era outro. Uma Alemanha dizimada resistia, como podia, ao avanço dos Aliados. Berlim sucumbia ante as tropas russas. Em meio a tudo isso, Hitler mantinha a sua pose e arrogância, ainda acreditando em uma hipotética vitória. O filme narra as últimas horas do ditador, do ponto de vista da jovem Traudl, que sobreviveu, para contar o que viu. A direção é de Oliver Hirschbiegel. “A Queda – As Últimas Horas de Hitler” terá apenas uma sessão diária, após 21h, até quarta-feira, no Cine 2, e, na quinta-feira, no Cine 4 do Moviecom. Para maiores de 16 anos.

“Ray”, em DVD

Chega às locadoras a premiada cinebiografia do músico Ray Charles, que rendeu um merecido Oscar ao ator Jamie Foxx. O próprio Ray participou da seleção musical do filme, embora não tenha sobrevivido até o lançamento nos cinemas. É exposta, com muita crueza, toda a vida do cantor, desde a infância pobre, sem pai, ao lado da mãe e do irmão menor. Uma tragédia irá marca-lo para sempre. Apesar da cegueira, Ray enfrenta todos os obstáculos para levar a sua música, tocando de igrejas a bordéis. O talento para os negócios, e, a sua música de excepcional qualidade, o levaram ao sucesso. A fama e o dinheiro, porém, trouxeram outros malefícios, como as drogas, que o afastaram da família. A redenção chegou, mais uma vez, graças à sua extraordinária força de vontade. O DVD duplo traz, além do filme (com formato de tela widescreen anamórfico e som Dolby Digital 5.1), diversos extras: Cenas Excluídas, comentadas pelo diretor, Cenas Musicais ampliadas, os documentários “Preparando-se para o papel”, “Lembrando-se de Ray”, “Bastidores”, “Ray - Trilha Original do filme”, e, “Genius: Um Tributo a Ray Charles”, além do trailer de cinema.


Abertas inscrições para o 3° Festival Curta Santos

A Oficina Regional Pagú está com as inscrições abertas, até o dia 20 de agosto, para o 3º Festival Curta Santos. Os participantes deverão apresentar curtas-metragens com temas livres, com no máximo 25 minutos de duração, nos formatos: ficção, documentário, ou, animação. O único requisito é que o trabalho não tenha participado das edições passadas no festival. Para maiores informações, inscrições, e, regulamento, entrar em contato com a Oficina Cultural Regional Pagú - Praça dos Andradas, s/nº - Santos - SP - Telefones: (13) 3219-7456/ 3219-2036.

Abertas inscrições para o Festival do Rio 2005

Estão abertas inscrições para PREMIÈRE BRASIL - Mostra Competitiva de Curta e Longa-Metragem Brasileiros, do Festival do Rio 2005, que, este ano, acontecerá de 22 de setembro a 6 de outubro. Poderão participar do Festival do Rio filmes de longa e curta-metragem, sendo os curtas-metragens produzidos entre 2003 e 2005, com cópia em 35mm ou digital (HDCam, Digi-beta Pal ou Mini DV, DVCam). A data limite para as inscrições, e, postagem dos filmes, é dia 20 de julho. Regulamento e inscrições online, no próprio site do festival www.festivaldorio.com.br.


“Garrincha – Estrela Solitária”, em DVD

Um dos heróis brasileiros, que, devido a suas qualidades e fraquezas, talvez melhor represente o espírito de nosso povo, foi Garrincha, jogador de futebol do Botafogo, e, da Seleção Brasileira, que, com suas pernas tortas, alucinava os adversários. Chega agora, em DVD, o filme “Garrincha – Estrela Solitária”, do diretor Milton Alencar, baseado no livro homônimo, de Ruy Castro. A vida de Garrincha, o "demônio das pernas tortas", dentro e fora do campo, confrontando o mito do futebol mundial ao homem humilde do interior. Em 1980, a escola de samba Mangueira homenageia Garrincha, que desfila em um carro alegórico, especialmente preparado para ele. As várias facetas de Mané Garrincha são mostradas, a partir das lembranças de pessoas que lhe foram muito próximas, e, que o amaram, de diferentes maneiras. As histórias que Elza Soares, Iraci, Sandro Moreyra e Nilton Santos viveram com Garrincha compõem uma visão multilateral de sua personalidade, e, de seu destino, de glórias e tragédias. Nos papéis centrais, André Gonçalves (Garrincha), e, Taís Araújo (Elza Soares). Nas locadoras.



O que vem por aí

Para o pessoal que gosta de clássicos, ou, mesmo, de filmes difíceis de encontrar, nas locadoras, a mídia DVD está dando uma “mãozinha”. Nos próximos dias, chegarão às prateleiras coleções como: Charles Bronson (“Kinjite - Desejos Proibidos”, “O Vingador”, “O Mensageiro da Morte” e “Desafiando o Assassino”), Steve McQueen (“Quando Explodem as Paixões”, “Mesa do Diabo”, “Os Implacáveis - Ed. Especial”, e, “Tom Horn”); Gangsteres - Volume Um (“Alma no Lodo”, “A Floresta Petrificada”, “O Inimigo Público nº 1”); Gangsteres - Volume Dois (“Anjos de Cara Suja”, ”Heróis Esquecidos”, “Fúria Sanguinária”); Errol Flynn (“Capitão Blood”, “Uma Cilada que Surge”, “Meu Reino por um Amor”, “Gavião do Mar”, “O Intrépido General Custer”); Fletch (“Assassinato por Encomenda” e “Fletch Vive”). Tem, ainda, a coleção Jurassic Park (“O Parque dos Dinossauros”, “O Mundo Perdido”, e, “Jurassic Park III”). Aguardem.

“Closer – Perto Demais”, em DVD

Anna (Julia Roberts) é uma fotógrafa bem sucedida, que se divorciou recentemente. Ela conhece, e, seduz Dan (Jude Law), um aspirante a romancista, que ganha a vida escrevendo obituários. Apesar do romance, ela se casa com Larry (Clive Owen). Dan mantém um caso secreto com Anna, mesmo após ela se casar, e, usa Alice (Natalie Portman), uma stripper, como musa inspiradora para ganhar confiança e tentar conquistar o amor de Anna. Essa inteligente, e, estranha, história de amor, é baseada em uma consagrada peça teatral de Patrick Marber. O DVD traz som Dolby Digital 5.1 e formato de tela em widescreen. Como extras, apenas o videoclipe “The Blower´s Daughter”, apresentado por Damien Rice, e, trailers de cinema. Por enquanto, só nas locadoras.

Curta Brasil, na TV Educativa

O "Curta Brasil", programa patrocinado pela Petrobrás, é dedicado à exibição de filmes brasileiros, nos formatos de curta e média-metragem. Por meio de entrevistas, o programa abre espaço para realizadores, e, personalidades da cultura brasileira, e, discute os aspectos ligados à linguagem e à produção cinematográficas. O programa é veiculado, em rede nacional, pelas afiliadas da TVE BRASIL sendo exibido sábado, à meia noite, com apresentação de Ivana Bentes. Neste sábado, serão exibidos “Cega Seca”, de Sofia Federico, e, “A História da Eternidade”, de Camilo Cavalcante.



Filmes da Semana

Guerra(s) dos Mundos


É curioso, como um diretor do quilate de Steven Spielberg, consegue dar umas derrapadas em sua carreira, alternando produtos brilhantes, com outros, de qualificação duvidosa. Também, não ajuda muito, se o astro principal, o megastar Tom Cruise, prefere falar de sua religião, a cientologia, do que promover o filme. O fato é que, a maioria das pessoas, ao sair de uma sessão de “Guerra dos Mundos”, fica perguntando para o vizinho: “O que foi que aconteceu com os alienígenas, no final do filme?”. Bem, o final desta versão é o mesmo da primeira, de 1953, que é o mesmo do livro, escrito por H.G.Wells, em 1898 (calma, não vou contar o final, pelo menos, não no primeiro parágrafo...).

A história retratada nos dois filmes, e, no livro, é exatamente a mesma. Um belo dia, sem aviso, seres vindos do espaço invadem a Terra, e, começam a matar e destruir tudo o que os seus raios mortíferos alcançam. O que eles querem? Dominar a Terra, tomar os seus recursos naturais, e, escravizar os habitantes, supõe-se. Se este resumo parece familiar, o leitor estará coberto de razão, e, para nossa tristeza, vemos que a Humanidade não mudou muito, da época de Wells, para cá.

O escritor inglês Herbert George Wells, ou H.G.Wells, como é mais conhecido, foi um dos precursores da moderna Ficção Científica. Entre suas obras mais conhecidas, estão “A Máquina do Tempo”, “A Ilha de Dr. Moreau”, “O Homem Invisível”, e, talvez a sua mais popular novela, “A Guerra dos Mundos”, publicada em 1898. O que poucos lembram é que Wells era um ferrenho crítico do imperialismo, numa época onde metade do mundo era constituída de colônias dos países europeus. Através de seus escritos, e, em particular, “A Guerra dos Mundos”, Wells passava a sua impressão do que era ser invadido, espoliado, e, escravizado, dentro de seu próprio país.

Na versão de 1953, dirigida por Byron Haskin, o mundo vivia, então, em plena Guerra Fria, enquanto o macartismo atiçava a paranóia dos americanos, que imaginavam que um comunista, comedor de criancinhas, poderia aparecer a qualquer instante, para soltar uma bomba atômica. Os abrigos nucleares estavam em moda, na época, com incentivo e propaganda do próprio governo. Isso parece ter vindo a calhar com este filme, que contribui para a paranóia do pós 11 de setembro, onde o medo dos cidadãos favorece o sonho armamentista dos governantes...

Mas, interpretações à parte, voltemos à vaca fria, isto é, ao filme de Mr Spielberg. Deixando de lado os alienígenas bonzinhos de “ET”, “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”, e, “Inteligência Artificial”, o filme mostra os novos visitantes da Terra, como seres que, além de destruidores, e, impiedosos, são sugadores de sangue, com um requinte de deixar o Drácula morto de inveja.

Por algum motivo, que não é explicado no filme, os alienígenas deixaram suas máquinas de destruição enterradas nas profundezas da Terra, milhares de anos antes de existir qualquer tipo de civilização humana. Um belo dia, resolvem retornar, pegar suas máquinas de destruição, e, saem matando e queimando tudo o que vêem.

No meio de tudo isso está Ray Ferrier, um operador de guindaste, que viu-se obrigado a tomar conta dos filhos no final de semana. Divorciado, Ray não tem boa relação com os filhos, principalmente com o mais velho, Robbie, um adolescente rebelde. A menina, ainda tenta manter um relacionamento acima do superficial, o que é prejudicado pela própria maneira de ser de Ray.

De uma hora para outra, o mundo muda radicalmente. Máquinas gigantescas, operadas por seres desconhecidos, saem do chão, e, iniciam uma jornada de destruição, com raios mortíferos, que reduzem as pessoas a pó (embora poupem as roupas, sabe-se lá porque...).

Apavorado, Ray rouba um carro, fugindo da destruição com os filhos. Em meio ao caos em que as cidades se transformaram, a civilização parece ter se desfeito, num fogo cruzado entre os alienígenas, os militares, e, a própria população, desesperada para fugir da morte.

Fugindo do campo de batalha, com a filha, Ray encontra abrigo na casa de Ogilvy, cuja família fora inteiramente massacrada pelos alienígenas. Ray tem que controlar os próprios temores, o descontrole do novo companheiro, e, de quebra, fugir dos ets, que capturam os seres humanos para roubar-lhes o sangue. Só resta uma alternativa, continuar fugindo, para buscar a sobrevivência de qualquer maneira. Ponto. Não falo mais nada, para não estragar a surpresa, para os que não conhecem a história.

O principal pecado de Spielberg parece ter sido o de não decidir o papel do seu herói. No livro, o personagem principal é um observador, um cronista dos fatos, que apenas relata, ao leitor, o que vê, deixando, para este, o julgamento. Na versão de 1953, o herói é um cientista, que lidera a sua equipe na luta contra os invasores. No filme atual, Ray é um homem confuso e aterrorizado, mas, que é capaz de lidar com granadas, notar coisas que mesmo os militares não percebem, e, até matar outro ser humano. Embora tenha sido uma excelente atuação de Tom Cruise, seu personagem não é fácil de se identificar, principalmente quando o imaginamos em “Missão Impossível”, ou, “Minority Report – A Nova Lei”, do mesmo Spielberg.

Como se poderia esperar, o filme é repleto de efeitos especiais, muito bem feitos, por sinal, com seqüências de ação estonteantes. Os furos do roteiro atrapalham, mas, não invalidam o filme, como resgate de uma das mais conhecidas histórias de ficção científica. Para se ter uma boa idéia, seria interessante dar uma conferida na versão de 1953, disponível em DVD, ou, melhor ainda, dar uma lida no livro original. Lembrem que, muito antes das versões cinematográficas, um ousado jovem, Orson Welles, aterrorizou os Estados Unidos, com uma transmissão radiofônica da história, levando milhares de pessoas a crer que realmente estava ocorrendo uma invasão alienígena.



sexta-feira, 24 de junho de 2005

Claquete 24 de junho de 2005



Newton Ramalho - colunaclaquete@gmail.com

O que está em cartaz

O clima de São João está no ar, junto com a fumaça das fogueiras, o pipoco dos rojões, e, a poeira levantada pelos forrozeiros. Talvez, por isto mesmo, as estréias sejam tímidas. Na verdade, a única estréia é o desenho Madagascar, da Dreamworks. Para os que preferirem um cineminha, ao invés da marcação das quadrilhas (juninas, volto a lembrar...), na próxima quarta-feira entra em cartaz o esperado “Guerra dos Mundos”, dirigido por Spielberg, e, estrelado por Tom Cruise. Continuam em cartaz, “Batman Begins”, a nova versão do Homem-Morcego, dirigido por Christopher Nolan, o diretor de "Amnésia", com Christian Bale, no papel-título, “A Casa de Cera”, refilmagem de um clássico de terror, no estilo mata-mata de adolescentes, os filmes de ação “Sr. e Sra. Smith”, com Brad Pitt e Angelina Jolie, “Operação Babá”, com o durão Vin Diesel bancando a ama-seca, o épico, estrelado por Orlando Bloom, e, o terceiro episódio de “Guerra nas Estrelas”, “A Vingança dos Sith”, de George Lucas. Apenas no sábado e domingo, pré-estréia de “A Queda – As Últimas Horas de Hitler”. Na sessão Filme de Arte, do Cine Natal 1, a produção canadense “Desafio no Ártico”.

Estréia: “Madagascar”

O leão Alex é a grande atração do zoológico do Central Park, em Nova York. Ele e seus melhores amigos, a zebra Marty, a girafa Melman e a hipopótamo Glória (Heloisa Perissé, que também fez a adaptação do roteiro), sempre passaram a vida em cativeiro e desconhecem o que é morar na selva. Curioso em saber o que há por trás dos muros do zoológico, Marty decide fugir, para explorar o mundo. Ao perceber a fuga do amigo, Alex, Gloria e Melman decidem partir à sua procura. O trio encontra Marty na estação Grand Central do metrô, mas, antes que consigam voltar para casa, são atingidos por dardos tranqüilizantes, e, capturados. Eles são embarcados em um navio rumo à África, onde serão colocados em liberdade, por um grupo de humanos que quer tirar os animais da vida estressante em cativeiro. Após um grupo de pingüins, que também está no navio, sabotá-lo, o grupo vai parar na ilha de Madagascar, onde precisa encontrar meios de sobrevivência em uma selva verdadeira. “Madagascar” estréia, para valer, nesta sexta-feira, nos Cines 4 e 7 do Moviecom. Livre. Cópia dublada.


Pré-Estréia 1: “Guerra dos Mundos”

Um dos livros mais famosos de H.G.Wells, “Guerra dos Mundos”, retorna às telas do cinema, desta vez com a dobradinha Steven Spielberg, na direção, e, Tom Cruise, no papel principal. Ele vive Ray Ferrier, um homem divorciado, que trabalha nas docas. Ele não se sente à vontade no papel de pai, mas, precisa cuidar de seus filhos, Robbie (Justin Chatwin) e Rachel (Dakota Fanning), quando eles lhe fazem uma de suas raras visitas. Pouco após eles chegarem, Ray presencia um evento que mudará para sempre sua vida: o surgimento de uma gigantesca máquina de guerra, que emerge do chão, e, incinera tudo o que encontra. Trata-se do primeiro golpe de um devastador ataque alienígena à Terra, que faz com que Ray pegue seus filhos e tente protegê-los, levando-os o mais longe possível das armas extra-terrestres. O livro de Wells serviu para o evento mais famoso no meio da indústria de comunicação: a famosa transmissão radiofônica de Orson Welles, em 1938, que levou ao pânico boa parte da população americana. Apesar do caráter ficcionista do livro, o autor embutiu uma forte crítica ao imperialismo e à beligerância das nações ocidentais. Esperemos que algo desta mensagem tenha permanecido neste filme, já que estamos tão necessitados de uma boa dose de pacifismo, nos dias atuais. A pré-estréia de “Guerra dos Mundos” acontece na quarta-feira e quinta-feira, no Cine Natal 2, e, nos Cines 5 e 6 do Moviecom. Para maiores de 12 anos.

Pré-Estréia 2: “A Queda – As Últimas Horas de Hitler”

Na noite de novembro de 1942, quando Traudl Junge (Alexandra Maria Lara) foi selecionada para trabalhar como secretária pessoal de Hitler, a sua felicidade na poderia ser maior, já que serviria um dos homens mais poderosos do mundo. Três anos depois, em abril de 1945, o cenário era outro. Uma Alemanha dizimada resistia, como podia, ao avanço dos Aliados. Berlim sucumbia ante as tropas russas. Em meio a tudo isso, Hitler mantinha a sua pose e arrogância, ainda acreditando em uma hipotética vitória. O filme narra as últimas horas do ditador, do ponto de vista da jovem Traudl, que sobreviveu, para contar o que viu. A direção é de Oliver Hirschbiegel. A pré-estréia de “A Queda – As Últimas Horas de Hitler” acontece no sábado e no domingo, no Cine 2 do Moviecom. Para maiores de 16 anos.

Filme de Arte: “Desafio no Ártico”

A sessão Filme de Arte, do Cine Natal 1, traz, esta semana, a produção canadense “Desafio no Ártico”, do diretor Charles Martin Smith. Charlie Halliday (Barry Pepper) é um arrogante piloto, condecorado por sua participação na Segunda Guerra Mundial. Ele trabalha no gélido Noroeste do Canadá, em uma empresa privada de aviação, transportando passageiros e pequenas cargas. Em uma destas viagens, Charlie é procurado por uma família inuit, que o suborna, para que leve sua filha tuberculosa (Annabella Piugattuk) a um hospital em Yellowknife. Durante um vôo, o avião cai, numa área remota do Ártico Canadense, os dois escapando por pouco. Agora, a única chance de sobrevivência é a jovem passageira, Kanaalaq (Annabella Piugattuk). Aos poucos, com a convivência, Charlie consegue adaptar-se às circunstâncias, pois só assim poderão chegar vivos à civilização. O filme é baseado no conto “Walk Well, My Brother”, de Farley Mowat, que já teve um outro livro levado às telas em “Lobos Não Choram”, de 1983. “Desafio no Ártico” terá sessão única, às 21h do dia 28 de junho, terça-feira, no Cine Natal 1. Para maiores de 14 anos.

SENAC abre inscrições para Concurso Internacional de Quadrinhos

Já estão abertas as inscrições para o 1º Concurso Internacional de História em Quadrinhos, realizado pelo Senac São Paulo, e, pela Editora Devir. O objetivo é eleger o melhor profissional da área. As inscrições poderão ser feitas até seis de julho próximo, por e-mail. O concurso está aberto a todos os quadrinhistas, profissionais, ou, amadores, de todo o território nacional e do exterior, maiores de 16 anos, que deverão ter trabalhos inéditos de história em quadrinhos. Cada autor poderá inscrever até dois trabalhos. Mais informações: http://www.sp.senac.br/quadrinhos.


“Heavy Metal – Universo em Fantasia”, em DVD

Nos anos 80, um título chamou a atenção dos jovens. “Heavy Metal – Universo em Fantasia” trouxe, para as telas de cinema, o clima alucinante da revista Heavy Metal, que mostrava histórias de ficção-científica para adultos, com desenhos elaboradissimos, cheios de loiras peitudas, bem ao gosto dos americanos. Para quem nunca assistiu, o filme é uma seqüência de pequenas histórias, que têm, em comum, uma estranha esfera verde, de origem alienígena, com estranhos e perigosos poderes. O desenho é pobre, comparado às maravilhas da computação gráfica dos dias atuais, mas, o pioneirismo, e, a quebra de paradigmas do filme, explorando o sexo e a violência na mídia desenho animado, tornam este filme um marco. Foi feita uma seqüência, “Heavy Metal 2000”, que só tem em comum com o anterior as mulheres peitudas. No DVD de “Heavy metal – Universo em Fantasia”, além do filme, que vem com som Dolby Digital e Vídeo Anamórfico, traz, como extas, o documentário “Imaginando Heavy Metal”, Cenas Inéditas, Rascunho com Comentários Opcionais de Carl Macek, Fotos de Produção, Galeria de Capas da Revista Heavy Metal, Desenhos a Lápis com Animações, Portfolios, Conceitos de Criação, e, Notas de Produção.



“Nina”, em DVD

Nina (Guta Stresser) é uma jovem que vive em um perturbado mundo suburbano na capital paulistana. Entre baladas, drogas, sexo sem compromisso, e, um emprego medíocre, Nina tranca-se no seu quarto, onde produz um mundo em ilustrações (feitas por Lorenço Mutarelli). Sem ter dinheiro nem para a própria comida, ela é infernizada por Eulália (Myrian Muniz), dona do quarto onde mora. A senhoria é, literalmente, uma bruxa: coloca etiquetas com seu nome dos alimentos da geladeira, viola as cartas da jovem e rouba o dinheiro que a mãe de Nina manda, entre outras coisas. Esse é seu mundo e, dentro dele, ela começa a se perder e idealiza o assassinato como única forma de se libertar. Nina passa a ficar completamente descontrolada, percebendo que, de fato, poucas pessoas realmente se importam com ela. Uma combinação de Crime e Castigo de Dostoiévski, o visual soturno dos filmes de suspense e as animações violentas que lembram os Mangás Japoneses. O longa-metragem de estréia do diretor Heitor Dhalia é um retrato pungente da desintegração psicológica diante um mundo frio e sádico. Nas locadoras.


Filme recomendado: “Batman Begins”

O vôo do morcego


Normalmente, as adaptações de quadrinhos para o cinema, precisam explicar a origem do personagem, já que, as novas gerações, nasceram olhando para a televisão, e não, para as revistas em papel. Contudo, Batman, o Homem-Morcego, talvez por ser extremamente conhecido, furou esta regra. Depois do quase fracasso da série, os produtores resolveram ressuscitar o personagem, e, desta vez, começando pelo princípio do início, ou seja, como surgiu o herói. Para cumprir esta missão, nada melhor que um diretor fora do padrão hollywoodiano, o inglês Christopher Nolan, autor de “Amnésia” e “Insônia”, para dirigir “Batman Begins”, em cartaz em nossos cinemas.

Batman já foi levado às telas muitas vezes. No site IMDB, foram encontradas 32 referências de filmes ou produções para a TV com o personagem, algumas exóticas, como o filme filipino “Batman Enfrenta Drácula”. Isso se deve ao sucesso do herói, que está nas bancas de revista desde 1939. Colega de berço do Superman, Batman tem a seu favor as fraquezas humanas, já que é um herói que não dispõe de superpoderes, mas, tão somente da sua inteligência e habilidades físicas. Essa talvez seja a razão da identificação das pessoas com ele. Claro que na sua identidade secreta ele é um milionário, o que confere muito poder, mas, isso é uma outra história.

A visão mostrada em “Batman Begins” mostra Bruce Wayne como um menino equilibrado, vivendo em uma família feliz, o pai, médico respeitado, apesar de milionário, adorava andar no metrô que ajudara a implantar na cidade. Um acidente na infância, quando Bruce cai em um velho poço abandonado, o leva a um trauma com relação aos morcegos, que iria acompanha-lo até a vida adulta.

Na saída de um teatro, onde fora, com o pai, e, a mãe, para assistir a um concerto, Bruce presencia os dois serem assassinados por um marginal drogado. Chocado, o menino é obrigado a enfrentar uma vida de solidão, onde o único amigo é o fiel mordomo Alfred, vivido, magnificamente, no filme, pelo brilhante Michael Caine.

Bruce amadurece, e, torna-se um jovem forte e inteligente, embora revoltado, com a morte dos pais, e, a situação, cada vez pior, da marginalidade em Gotham City. Para conhecer o mundo dos marginais, tornou-se ele mesmo um, viajando sem destino, enfrentando os agressores com violência, até chegar em algum lugar remoto da China, na encosta do Himalaia. É aí que trava contato com uma misteriosa sociedade, a Liga das Sombras, através de Henri Ducard (Liam Neeson) que o recruta, em nome de Ra's Al-Ghul (Ken Watanabe), o poderoso líder do grupo.

O jovem passa por um intenso treinamento, que incluem vários tipos de armamentos e formas de lutas. Mas, ao tomar conhecimento do caráter sanguinolento que predomina na Liga, foge do lugar, que é destruído por um incêndio.
De volta a Gotham City, descobre que está pior do que a deixou. O banditismo domina a política e a polícia, restando poucos policiais honestos, entre eles, o idealista Jim Gordon (o camaleônico Gary Oldman). Contando com a cumplicidade de Alfred, Bruce reassume o seu papel de milionário irresponsável e perdulário, ao mesmo tempo em que decide combater o crime de maneira anônima, aterrorizando os criminosos.

Uma ajuda extra vem a calhar, com Lucius Fox, um cientista que trabalha nas empresas Wayne, mas vive relegado a um laboratório de experimentos de novas tecnologias. Lá, Bruce encontra alguns itens preciosos, como uma roupa de combate de kevlar, à prova de balas, um tecido que pode assumir uma forma predeterminada, ou, um poderoso carro de combate, capaz de rivalizar os Hummer do exército americano.

À medida que vai enfrentando os mafiosos e traficantes de drogas, nosso herói vai travando contato com um estranho plano de envenenamento da cidade, idealizado por ninguém menos do que o seu antigo mentor Ducard, que ajudara a escapar da morte no incêndio da Liga das Sombras. Um duelo poderoso, entre Batman, Ducard, e, o Espantalho, irá definir o destino de Gotham. Ponto. Para saber mais, assista ao filme.

Apesar de sua origem no final dos anos 30, Batman renasceu para o mundo em 1966, quando a rede de televisão ABC, após o filme “Batman – O Homem-Morcego” colocou no ar um seriado, que teve três temporadas, com o ator Adam West, e, uma incômoda barriguinha, que encantou os fãs do mundo inteiro. O filme, que deu origem à série, foi lançado, recentemente, em DVD.

A partir de 1989, a indústria voltou ao personagem, com “Batman”, “Batman - O Retorno” (1992), ambos com Michael Keaton, “Batman Eternamente” (1995), com Val Kilmer, e, “Batman & Robin” (1997), com George Clooney. Este último filme foi considerado um fracasso comercial, apesar de ter reunido um elenco estelar, como Shwarzenegger, Chris O’Donnel, Alicia Silverstone, e, Uma Thurman.

O retorno à grife do Homem-Morcego só foi possível graças à visão – acertadissima, por sinal – de explorar o lado humano, e, “realista” do mundo do herói. Não existem superpoderes, os vilões não são os personagens caricatos dos primeiros filmes, a bandidagem pratica o tráfico de drogas, e, o bairro barra-pesada é um favelão, do tipo que existe em qualquer grande cidade do mundo.

Bruce Wayne, diferente dos estereotipados heróis dos quadrinhos, é um homem atormentado pelos traumas de infância, que precisa aprender a dominar os seus próprios medos e impulsos, além da sede de vingança. Esta tênue linha, que separa o vingador do justiceiro, é o que provoca o surgimento do herói.

A escolha do elenco, certamente, é um dos motivos para o sucesso do filme. O Batman de Christian Bale é verossímil, expressando a angústia do personagem, ao mesmo tempo que expõe toda a energia do herói, não um ser indestrutível, mas um homem bem preparado e municiado. Michael Caine, com toda a sua fleugma britânica, faz um Alfred impecável, enquanto que Gary Oldman, surpreendente, como sempre, aparece como o futuro Comissário Gordon. Nos papéis secundários, Liam Neeson, Morgan Freeman, Ken Watanabe (“O Último Samurai”), Katie Holmes (a namorada de Tom Cruise), e, Rutger Hauer completam o time, com atuações impecáveis.

O filme não tem o excesso de efeitos especiais, observados em filmes como “Homem-Aranha”, sendo filmado em locações reais. Isso, ao invés de desmerecer o filme, passa uma maior sensação de veracidade.

Com um pé na tradição dos quadrinhos, e, o outro na visão dos novos espectadores, Nolan conseguiu uma visão equilibrada, fazendo renascer um personagem que faz parte do imaginário de jovens do mundo inteiro. Vale à pena dar uma conferida, seja para relembrar os tempos de infância, ou, simplesmente para curtir um filme de ação. Dos bons, por sinal.