sexta-feira, 30 de julho de 2004

Claquete 30 de julho de 2004



Newton Ramalho - colunaclaquete@gmail.com


O que está em cartaz

Aos poucos, o cinema volta seus olhos para os adolescentes e adultos. Neste final de semana, estréiam “Hellboy”, mais uma adaptação de um herói de quadrinhos, com muita ação e efeitos especiais, e, a comédia romântica “Meninas Malvadas”. Continuam em cartaz, “Efeito Borboleta”, uma ficção científica estilo viagem no tempo, “Cazuza – O Tempo Não Pára”, cinebiografia autorizada do inesquecível Cazuza, e, “Diários de Motocicleta”, sobre a vida pré-revolucionária de Che Guevara. Para a criançada, “Garfield”, com o gato mais folgado do mundo, “Homem Aranha 2”, dublado e legendado, “Cinegibi, o Filme – A Turma da Mônica”, a produção da Disney, “Nem Que a Vaca Tussa”, e, o nacional “Didi Quer Ser Criança”, com Renato Aragão. Nesta semana, não acontecerá o Filme de Arte. Na próxima quinta-feira, acontece a pré-estréia de “Eu, Robô”, estrelado pelo rapper Will Smith.


Hellboy

Já perto do fim da 2ª Guerra Mundial (aquela, em que americanos e ingleses eram os mocinhos), os nazistas tentam eliminar seus inimigos, usando magia negra, e, invocando forças ocultas. Um destes rituais é interrompido por um grupo aliado, mas, alguma coisa já havia chegado ao nosso mundo: uma criança com a pele vermelha, e, a mão esquerda feita de metal. O garoto passa a ser chamado de Hellboy, sendo levado pelos Aliados. Depois de adulto, passa a integrar a agência clandestina BPRD (Bureau de Pesquisa e Defesa Paranormal), que luta contra as forças do Mal. Na agência, Hellboy tem a companhia do ser anfíbio Abe Sapien (Doug Jones), de seu amor platônico Liz Sherman (Selma Blair) - uma garota com poderes pirocinéticos – e, do agente Myers (Rupert Evans), além do próprio Broom, responsável pelo salvamento de Hellboy. As coisas se complicam quando Grigori Rasputin (Karel Roden) - o homem que trouxe Hellboy à Terra - é ressuscitado, e, retoma seus planos de deflagrar o Apocalipse. Hellboy é interpretado por Ron Perlman, mais conhecido por seu papel de Salvatore, em “O Nome da Rosa”. Mais uma adaptação de quadrinhos para o cinema, projeto pessoal do diretor mexicano Guillermo del Toro (“A Espinha do Diabo”, “Blade 2”). Estréia nesta sexta-feira, no Cine Natal 2, e, no Cine 4 do Moviecom. Censura 14 anos.


Meninas Malvadas


Cady Heron (Lindsay Lohan) é uma garota que cresceu na África, e, sempre estudou em casa, nunca tendo ido a uma escola. Após retornar aos Estados Unidos, com seus pais, ela se prepara para iniciar sua vida de estudante, matriculando-se em uma escola pública. Logo, Cady percebe como a língua venenosa de suas novas colegas pode prejudicar sua vida, e, para piorar ainda mais sua situação, Cady se apaixona pelo garoto errado. Estréia nesta sexta-feira, no Cine 3 do Moviecom. Censura 12 anos.


Pré-estréia: Eu, Robô

Isaac Asimov, um dos maiores escritores de todos os tempos, já teve várias de suas obras transformadas em filmes. Desta vez, o filme “Eu, Robô”, estrelado por Will Smith, baseia-se nos elementos de um dos mais famosos livros de Asimov, de mesmo nome. O livro, na verdade, é uma coletânea dos primeiros contos sobre robôs, onde foram formuladas as famosas leis da robótica, que, assim como a personagem Susan Calvin (Bridget Monayhan), estão presentes no filme. Em 2035, a existência de robôs é algo corriqueiro, sendo utilizados, constantemente, como empregados, e, assistentes dos humanos. Os robôs possuem um código de programação chamado Leis da Robótica, que impedem que façam mal a um ser humano. Estas leis parecem ter sido quebradas, quando o Dr. Miles aparece morto, e, o principal suspeito de ter cometido o crime é, justamente, o robô Sonny. Caso Sonny realmente seja o culpado, a possibilidade dos robôs terem encontrado um meio de quebrar a Lei da Robótica pode permitir que eles dominem o planeta, já que nada mais poderia impedi-los de subjugar os seres humanos. Para investigar o caso, é chamado o detetive Del Spooner (Will Smith), que, com a ajuda da Dra. Susan Calvin, precisa desvendar o que realmente aconteceu. “Eu, Robô” tem pré-estréia na próxima quinta-feira, dia 5, no Cine Natal 1 (sessão única, às 21h30), e, no Cine 1 do Moviecom, sessões a partir de 16h10. Censura 12 anos.


Os Três Patetas, em DVD


Os nomes Moe.Curly e Larry são familiares? Não, se você não foi criança nos anos 60, a chance de ter assistido os filmes dos Três Patetas é muito remota. Mas, as novas gerações têm, agora, a chance de conhecer um dos mais famosos trios de comediantes americanos, adeptos da fórmula pastelão, que seria copiada, com sucesso, pelos Trapalhões, aqui no Brasil. A Columbia Tri-Star, que pertence à Sony, está lançando, no próximo dia 11, dois discos, “The Three Stooges: Goofs on the Loose”, e, “The Three Stooges: Stooged and Confoosed”, com dois dos mais populares filmes do trio. Uma inovação, deverá chamar a atenção, mesmo de quem não é fã do grupo. A Sony está lançando os DVDs com um efeito denominado ChromaChoice, um formato que permite ao usuário ver filmes antigos no original preto e branco ou colorido, com um simples comando do controle remoto. Segundo os especialistas, os métodos de colorização estão muito mais sofisticados do que no início dos anos 80, quando vários filmes “sofreram” a inclusão de cores. É esperar, para conferir.



Fahrenheit 11 de setembro

Ele não é candidato a nada, mas mete medo em todos os políticos americanos, principalmente os republicanos de George W. Bush. Michael Moore, que ficou mundialmente famoso com o seu libelo contra o armamentismo, “Tiros em Columbine”, investiga, em “Fahrenheit 11 de Setembro”, como os Estados Unidos se tornaram alvo de terroristas, a partir dos eventos ocorridos naquele fatídico dia de 2001. Também são explorados os paralelos entre as duas gerações da família Bush que já comandaram o país, e, ainda, as relações entre o atual Presidente americano, George W. Bush, e, Osama Bin Laden. O filme, que teve a sua distribuição ameaçada, já passou dos cem milhões de dólares de bilheterias, e, promete fazer muito estrago, na campanha da reeleição de Bush. “Fahrenheit” estréia, no Brasil, nesta sexta-feira. Vamos torcer para que chegue logo em Natal!


Asimov no cinema: O Homem Bicentenário

Uma das mais bem sucedidas adaptações de livros de Isaac Asimov para o cinema, foi “O Homem Bicentenário”, estrelado por Robin Williams. Em 2005 (o livro foi publicado em 1976), uma família americana compra um novo utensílio doméstico: um robô, chamado Andrew (Robin Williams), para realizar tarefas domésticas simples. Entretanto, aos poucos, o robô vai apresentando traços característicos do ser humano, como curiosidade, inteligência, e, personalidade própria. É o início da saga de Andrew em busca de liberdade e de se tornar, na medida do possível, humano. O diretor Chris Columbus, que fez os dois primeiros Harry Potter, conseguiu dar uma dimensão mais simpática ao drama do robô Andrew, inclusive com uma trama romântica que nunca existiu na história original. O filme, que já passou até na TV aberta, está disponível nas locadoras, em VHS e DVD.


Filme recomendado: “Viagem Fantástica”


Rumo ao espaço interior

Poucos se lembram, ou, tiveram notícia, de um filme, lançado no ano de 1966, que, se não teve o embasamento técnico, ou, os recursos de “2001, Uma Odisséia no Espaço”, apresentou um tema inovador, sobre a exploração do interior do corpo humano. Esse filme foi “Viagem Fantástica”, que seria refilmado nos anos 80, em “Viagem Insólita”.

A história foi absolutamente inovadora na época: um dissidente político (provavelmente da União Soviética, já que a época de era de plena Guerra Fria) consegue escapar, mas, sofre um atentado, e, entra em coma. Graças a um projeto ultra-secreto dos Estados Unidos, uma equipe é selecionada para ser miniaturizada, e, injetada no corpo do dissidente, a fim de reparar o dano no cérebro do cientista.

Bem de acordo com a paranóia da época, suspeitava-se de um traidor no grupo. Por isso, Grant (Stephen Boyd), o agente da CIA que trouxera o dissidente, vai junto com o grupo. Um pequeno submarino, com a equipe a bordo, é reduzido ao tamanho de um micróbio, e, injetado numa veia do cientista. Além de Grant, compõem o grupo um comandante da marinha, dois neuro-cirurgiões, e, a assistente de um deles, Cora, vivida pela linda Rachel Welch, ainda em início de carreira.

A viagem prossegue por várias partes do corpo humano, com as dificuldades inerentes de um filme do gênero. A suspeita do sabotador começa a se comprovar, quando ocorrem tentativas de assassinato de membros do grupo, e, danos nos equipamentos necessários para operar o paciente. O clímax ocorre em pleno cérebro, quando a equipe está divivida entre salvar as próprias vidas, ou, a do paciente, ao mesmo tempo em que luta contra o sabotador.

O problema de todo filme que depende de tecnologia é que esta “envelhece”. Os efeitos especiais, surpreendentes para a época, hoje parecem primários, se comparados ao que qualquer garoto de escola faz, com um simples PC. A trilha sonora, apesar de muito bem integrada à ação, apoia-se fortemente no uso de sintetizadores eletrônicos, novidade na época.

O elenco era formado por grandes atores, o que mostra como o filme foi levado a sério. Stephen Boyd já era famoso por seu papel de Messala, na megaprodução "Ben-Hur" de 1959. Donald Pleasence, um conhecido vilão das telas, William Redfield, e, Arthur Kennedy, todos atores veteranos, reforçavam o elenco de apoio. Novata mesmo, só a belíssima Rachel Welch, que explodiria em seu filme seguinte, “Um milhão de anos AC”. Além de uma carreira brilhante como estrela de cinema, Rachel viria a ser uma das primeiras a vender as fitas de exercícios.

O curioso deste filme é que, depois de ter sido lançado, foi encomendado ao grande autor de ficção-científica, Isaac Asimov, transformar o roteiro em livro, que saiu com o mesmo título. Aceitando o encargo, Asimov manteve-se fiel ao roteiro original, tendo o cuidado de corrigir as incoerências científicas. Contudo, o fato de não ser uma obra sua o incomodava. Em 1987, explorou novamente o tema, já com uma visão totalmente sua, que denominou “Viagem fantástica II - Rumo ao cérebro”. Nesse mesmo ano, foi lançado o filme “Viagem insólita”, como Dennis Quaid e Meg Ryan, com a mesma temática, mas num enfoque tipo comédia de aventura.

A edição em DVD, de “Viagem Fantástica” poderia ter sido um pouco melhor, pois o áudio veio em inglês, e, espanhol, estéreo (a turma do dublado, sorry!). Mas, pelo menos o formato de tela foi mantido em widescreen anamórfico. As legendas estão disponíveis em português, espanhol e inglês. Como extras, apenas trailer de cinema.

Apesar da produção não ter o requinte dos efeitos técnicos dos filmes atuais, “Viagem Fantástica” é um filme curioso para se ver, pelo pioneirismo dos efeitos, e, pela abordagem, com forte influência da Guerra Fria. Com um certo atraso, foi lançado, em DVD, “Viagem Insólita”, de modo que, dá para ver como vinte anos de evolução na indústria do cinema repercutem, na exploração de um mesmo tema. Valeu, Saba!

sexta-feira, 23 de julho de 2004

Claquete 23 de julho de 2004



Newton Ramalho - colunaclaquete@gmail.com


O que está em cartaz

Quer ir ao cinema, mas, tem mais de doze anos? Bem, se não for chegado a um filme infantil, as opções são poucas. Para completar, apenas um filme estréia neste final de semana, “Efeito Borboleta”, um ficção científica estilo viagem no tempo. Fora isso, continuam em cartaz, “Cazuza – O Tempo Não Pára”, cinebiografia autorizada de uma das maiores expressões da música brasileira pós-80, “A Batalha de Riddick”, ficção científica repleta de ação, e, “Diários de Motocicleta”, sobre a vida pré-revolucionária de Che Guevara. Para a criançada, “Garfield”, com o gato mais folgado do mundo, “Homem Aranha 2”, dublado e legendado, “Cinegibi, o Filme – A Turma da Mônica”, a produção da Disney, “Nem Que a Vaca Tussa”, o nacional “Didi Quer Ser Criança”, com Renato Aragão, “Shrek 2”, com o simpático ogro verde, Nesta semana, não acontecerá o Filme de Arte.


Efeito Borboleta


Que conseqüência um fato de hoje pode causar no futuro? Esse é o tema de “Efeito Borboleta”, com uma nova visão de viagens no tempo. Evan (Ashton Kutcher) é um jovem que luta para esquecer fatos de sua infância. Para tanto ele decide realizar uma regressão onde volta também fisicamente ao seu corpo de criança, tendo condições de alterar seu próprio passado. Porém ao tentar consertar seus antigos problemas ele termina por criar novos, já que toda mudança que realiza gera conseqüências em seu futuro. O título do filme faz referência a um conto de Ray Bradbury, “Um Som de Trovão”, onde a morte de uma simples borboleta, no passado, causa mudanças radicais na História. Estréia nesta sexta-feira, no Cine 2 do Moviecom. Censura 14 anos.



HTPC

Já ouviu falar nesta sigla? Mas, se já ficou com raiva, por não poder ver aquele filme maneiro, baixado da internet, no seu telão de 29 polegadas, saiba que já existe uma solução. HTPC é a sigla de um microcomputador, idealizado para uso com o seu hometheater. Com um bom processador, muita memória RAM, disco rígido acima de 80 giga, boas placas de som e captura de vídeo, é possível gravar programas da TV em formato digital, reproduzir filmes, clipes e jogos, como se viessem do DVD, e, tudo o mais que a sua imaginação permitir. Já podem, inclusive, ser montados em gabinetes pretos, coloridos, e, até mesmo transparentes, com néon e outras acessórios, como teclados e mouse sem fio. Mas, prepare o bolso, pois uma configuração destas sai bem mais caro do que o pecezinho básico do dia-a-dia...


Band of Brothers, em DVD

Você é fã dos filmes de guerra, daqueles em que os gringos ainda eram os mocinhos? Experimente, então, “Band of Brothers”, minissérie com dez capítulos, que conta a trajetória de um grupo de homens (Easy Company), do primeiro dia de treinamento até o final da guerra, passando por todos os principais acontecimentos do cenário europeu. A narrativa humaniza os soldados, procurando retratá-los como homens comuns, mostrando o que eles gostavam, o que temiam, como eles se relacionavam uns com os outros e o que era importante para eles. Projeto conjunto de Steven Spielberg e Tom Hanks, inspirada no livro homônimo de Stephen E. Ambrose, resultou em uma superprodução de 120 milhões de dólares - a mais cara da história da TV. O pacote traz seis DVDs, com formato de tela Widescreen e som Dolby Digital 5.1, com pleno uso do seu subwoofer!



Cinema Revolucionário, em DVD

Essa é para os estudiosos do cinema. Foi lançado, em DVD, mais um pacote com filmes russos que marcaram época. É a coleção “Cinema Revolucionário Soviético - Vol. 2”. Entre as obras, “Aelita – A Rainha de Marte”, curiosa aventura de ficção científica com toques de comédia e política, dirigida por Iakov Protazanov, baseada em livro homônimo de Alexei Tolstoi; “Um Homem Com Uma Câmera”, exemplo da ruptura total do cinema com a literatura e a dramaturgia, de Dziga Vertov, o artista preferido do governo soviético, que criou o Kino-Pravda (Cine-Verdade) e o Kino-Glaz (Cine-Olho); “Andrei Rublev”, obra-prima desigual do cinema-russo, que revelou ao mundo um jovem e promissor cineasta, Andrei Tarkovsky; e, finalmente, “Câmera Olho - Réquiem a Lênin”, projeto cinematográfico mais ambicioso de Dziga Vertov, cineasta favorito de Lênin.


Morre o coreógrafo Antonio Gades

Morreu nesta terça-feira, dia 20, em Madri, aos 67 anos, vítima de um câncer, o bailarino e coreógrafo espanhol Antonio Gades, famoso por difundir a dança flamenca. Seus restos mortais foram levados para Cuba, onde foi cremado, e, suas cinzas, espalhadas. Sua admiração por este país era tanta, que chegou a filiar-se ao PC cubano, recebendo, do próprio Fidel, a Ordem José Martí, em junho passado. Gades ficou mundialmente famoso, após protagonizar filmes do cineasta Carlos Saura, como “Bodas de sangue” (1981), “Carmen” (1983), e, “Amor Bruxo” (1986).


Os reis do cinema

Se lhe perguntassem qual o país que mais produz filmes, o que responderia? Se pensou nos Estados Unidos, errou por uma letra. O país que mais produz filmes no mundo é a Índia, principalmente em Bombaim, por isso mesmo, apelidada de “Bollywood”. Os números impressionam: são produzidos cerca de 700 filmes indianos por ano, empregando dois milhões de pessoas, e, levando 70 milhões de espectadores aos cinemas, por semana! Para conferir algumas produções, que dificilmente chegam por aqui, só nas locadoras. Veja “Missão Kashmir” e “Lagaan”, com direito a muita ação, belas músicas e coreografias, e, quatro horas de duração, cada!






Filme recomendado: “Uma Relação Pornográfica”

A jura secreta que não foi feita

O relacionamento entre um homem e uma mulher já foi levado às telas de mil e uma maneiras diferentes, seja de forma romântica, como “Um homem, uma mulher”, “Casablanca”, “Sintonia de amor”, seja de forma neurótica, como “O último tango em Paris”, “Império dos sentidos”, “Perdas e danos”. Às vezes, o casal é meio estranho, como Madonna e Rupert Everett, em “Sobrou para você”. E aí, quando se pensa que não havia nada mais a explorar, aparece um belo filme europeu intitulado “Uma relação pornográfica”.

Não deixe o título enganá-lo. O filme - indicado por minha filha caçula - não contém pornografia alguma, no máximo, breve nudez e simulação de sexo. A novela das sete, certamente, apresenta cenas mais fortes do que este filme.

A relação pornográfica, de que fala o título, refere-se a como os personagens se conheceram. Através de uma revista especializada, um homem e uma mulher, que não se conheciam, marcam um encontro, por ter em comum uma determinada fantasia sexual (que nunca chega a ser revelada). A mulher define a relação como pornográfica, por ter tido origem exclusivamente sexual.

Curiosamente, à medida que se encontram, os dois começam a descobrir afinidades e uma empatia que, aos poucos, vai transformando-se num sentimento mais profundo. Até mesmo o sexo passa a ser feito de maneira diferente, com emoção e envolvimento.

A situação se complica, porque, embora progressivamente mais envolvidos, cada um tem dificuldade para expressar seus sentimentos. É o retrato perfeito da sociedade moderna, pois quanto mais se aperfeiçoam as facilidades tecnológicas de comunicação, mais as pessoas têm dificuldades para exprimir o que sentem.

O filme é, tecnicamente, perfeito. O espectador torna-se cúmplice onisciente, pois os dois envolvidos narram sua experiência para interlocutores anônimos, provavelmente seus respectivos terapeutas. Dessa maneira, podemos tomar conhecimento, não só dos momentos mais íntimos do casal, mas também, do que cada um sentia ou pensava na ocasião.

Dois momentos do filme são particularmente interessantes. Na saída do hotel, após um dos encontros, o homem convida a parceira para jantar. Os dois sentem-se extremamente bem, pois não há a ansiedade para impressionar o outro e garantir o sexo ao final do encontro - este já aconteceu. O jantar é tão prazeroso, que eles resolvem voltar ao hotel. Num outro momento, a mulher sugere que não façam apenas sexo, mas sim, amor. Esse seria o ponto de mutação da relação, onde, pessoas que não sabiam nome, endereço ou telefone da outra, consolidam um forte vínculo emocional.

Os dois atores principais, o espanhol Sergi Lopez e a francesa Nathalie Baye, estão absolutamente perfeitos, sustentando o filme com suas atuações. O elenco é reduzido, as locações resumem-se basicamente ao quarto de hotel, e, ao restaurante onde se encontram, mas, a narração em flashback alternada, ao invés de atrapalhar, conduz o filme como se fosse uma colcha de retalhos perfeita.

É uma pena que a edição em DVD tenha sido tão pobre. O formato de tela é 4x3 e o áudio está disponível em inglês (!) e português 2.0. Poderiam ter mantido, pelo menos, o áudio original, em francês. As legendas estão disponíveis em português e inglês. Como extras, ficha técnica, sinopse, filmografia e trailer de cinema.

Apesar da mutilação técnica, este é um filme que vale à pena ser assistido, comentado, discutido, e, refletido. Talvez, exista um pouco do casal do filme em todas as nossas relações, com sentimentos abafados, palavras não ditas, gestos incompletos, e, pior de tudo, emoções não compartilhadas. Quem sabe, vendo isso com outros, não nos ajudará um pouco? Afinal, como canta Fagner, “Só uma coisa me entristece/ O beijo de amor que eu não roubei/ A jura secreta que eu não fiz/ A briga de amor que eu não causei...”

sexta-feira, 16 de julho de 2004

Claquete 16 de julho de 2004



Newton Ramalho - colunaclaquete@gmail.com


O que está em cartaz

Se não dá para combater, una-se ao inimigo. A programação dos cinemas, está, quase toda, dedicada ao público infanto-juvenil. Em mais um reforço (de peso, por sinal), estréia, nesta semana, “Garfield”, numa versão de maior apelo para as crianças. Para os “altinhos” não reclamarem muito, estréia também uma produção de ficção científica repleta de ação, com nada menos quem Vin Diesel, “A Batalha de Riddick”. Continuam em cartaz, “Homem Aranha 2”, dublado e legendado, “Cinegibi, o Filme – A Turma da Mônica”, a produção da Disney, “Nem Que a Vaca Tussa”, o nacional “Didi Quer Ser Criança”, com Renato Aragão, “Shrek 2”, com o simpático ogro verde, “Cazuza – O Tempo Não Pára”, cinebiografia autorizada de uma das maiores expressões da música brasileira pós-80, e, “Diários de Motocicleta”, sobre a vida pré-revolucionária de Che Guevara. Nesta semana, não acontecerá o Filme de Arte.


Garfield, o filme

“Dorme mais do que gato de pensão...”. Esse ditado popular, bem nordestino, cai como uma luva para Garfield, o mais famoso gato do mundo, que só se dedica a duas atividades na vida: comer e dormir, não necessariamente nesta ordem. Bem, quando consegue ficar acordado, Garfield também adora criticar o mundo, a partir de seu patético dono, Jon. Na versão cinematográfica, um Garfield com traços mais delicados, com a intenção de agradar o público infantil. Garfield é um gato preguiçoso, que adora lasanha e tem a vida que sempre quis: come, dorme e vê televisão, sempre que quer. Até que seu dono, Jon Arbuckle (Breckin Meyer), decide adotar um cachorro, Odie. Contrariado com o novo hóspede, que agora divide com ele a atenção de seu dono, Garfield inicia uma disputa particular com Odie. Porém, quando Odie é sequestrado, Garfield sente remorsos e parte para salvar o cachorro. Estréia nesta sexta-feira, no Cine Natal 1, e, no Cine 4, do Moviecom, ambas as cópias dubladas. Censura livre.


A Batalha de Riddick

Em 2000, Vin Diesel apareceu para o mundo, em um interessante filme chamado “Eclipse Mortal”, no papel de um fugitivo da justiça. O mesmo personagem volta, em “A Batalha de Riddick”, aventura espacial que dá continuidade a “Eclipse”, também com a direção e roteiro de David Twohy. No elenco, além de Diesel, Judi Dench e Thandie Newton. O universo enfrenta um momento sombrio: todos os planetas estão caindo nas mãos do profano exército dos Necromongers — guerreiros conquistadores que oferecem aos mundos assolados uma simples opção: converter-se, ou, morrer. E, não há esperança de que alguém, ou, algo, possa impedir o controle dos Necromongers. Os poucos que conseguem sobreviver a eles passam a acreditar em mitos e profecias, já que não vêem outra saída de salvação. Quem pode ajudá-los é Riddick (Vin Diesel), um homem solitário que vive exilado e fugindo de seus perseguidores. Estréia nesta sexta-feira, no Cine 2 do Moviecom. Censurado para menores de 14 anos.


50 anos de Elvis

No dia 13 de julho de 1954, um garoto de 18 anos, chamado Elvis Aaron Presley, entrou na pequena Sun Records, em Memphis, Tennessee, e, gravou “My Happiness”, para dar de presente à sua mãe. Foi um momento histórico: o dono da Sun era o legendário Sam Philips, que, na época, usava esse pequeno estúdio para gravar músicos regionais, festas, casamentos, batizados, e, quem quer que se dispusesse a pagar pela gravação, como o foi o caso de Elvis. Começava uma jornada de sucesso daquele que seria conhecido como o “Rei”. E para comemorar, que tal, dar uma repassada nos filmes de Elvis, em DVD? Além dos shows, estão disponíveis alguns filmes, como “Garotas! Garotas! Garotas!”, “Meu Tesouro é Você”, “No Paraíso do Hawai”, “Ama-me com Ternura”, “Estrela de Fogo”, “Seresteiro de Acapulco”, e, “Coração Rebelde”. Dê-se a este pequeno prazer, em honra ao Rei.


Filmes de Terror, em DVD

Você é dos que gostam de filmes de terror, mas não quer nada muito antigo? Bem, saiba que os filmes de terror estão em moda desde a invenção do cinema, atingindo grandes públicos, através de figuras como Bela Lugosi, com o seu clássico “Frankenstein”, cuja imagem é copiada até nos quadrinhos infantis. Mas, alguns filmes mais recentes marcaram o seu lugar no hall da fama do Terror, e, agora, estão disponíveis em DVD. Clássicos como “O Massacre da Serra Elétrica”, que inaugurou o mata-mata de adolescentes, a série “Sexta-Feira 13”, com sua dez edições, o interessante “A Hora do Pesadelo”, onde o horror era mesclado com uma mistura de sonhos com a realidade, a quadrilogia “Alien”, a casa mal assombrada de “Amityville”, e o malvado Chucky, de “Brinquedo Assassino”. Não podemos esquecer do sensual “A Hora do Espanto”, ou de “O Exorcista”. Mais recentemente, a série “Pânico” ressuscitou o gênero, junto com “A Bruxa de Blair”, trazendo novos seguidores, para produzir gritos e sustos nos cinemas. Se esta é a sua praia, divirta-se!



Wyatt Earp, em DVD

Já ouviu falar do duelo no OK Corral? Este fato, ocorrido no Velho Oeste americano, foi protagonizado por dois dos mais conhecidos personagens da época: o delegado federal Wyatt Earp e o jogador Doc Holliday. No dia 26 de outubro de 1881, três irmãos da família Earp - Wyatt, Morgan e Virgil -, reforçados pelo dentista-tuberculoso-pistoleiro Doc Holliday, resolveram suas diferenças com Ike e Billy Clanton, Frank e Thomas McLaury, e Bill Brocius. Quando a poeira baixou, trinta segundos depois, havia três mortos, os dois McLaury, e, o mais jovem dos Clanton, Billy. Ike e Brocius tiveram tempo de se mandar. Só de filmes já foram feitos 80 nos Estados Unidos sobre o tiroteio de Tombstone. Um dos melhores exemplares, estrelado por Kevin Costner, Gene Hackman e Isabella Rossellini, chega agora, em DVD. Em edição dupla, além do filme, o disco extra traz: “Novo Documentário”, “Especial de 1994 Para TV: Wyatt Earp”, “Caminhando Com Uma Lenda”, onze Cenas Excluídas, e, Trailer de Cinema. O filme traz formato de tela widescreen e som Dolby Digital. Confira!


Fama, em DVD

Se você pensou que se trata do programa da Globo, errou, mas não tanto. O “Fama” em questão, é um filme de 1980, que trata de um tema semelhante ao do programa. O diretor Alan Parker, de “Mississipi em Chamas”, levou, às telas, a história de oito adolescentes que buscavam uma vaga na Escola de Artes de Nova York. Os estudantes, de diversas origens sociais, confrontam seus sonhos e frustrações no decorrer do curso de uma escola de arte cênicas, mas, acima de tudo, almejam ser amados, e, reconhecidos artisticamente. O filme ganhou dois Oscars, de Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original (“Fame”), e, ainda foi indicado para mais quatro categorias: Roteiro Original, Edição, Som, e, Melhor Canção Original (“Out Here on my Own”). Mantendo o formato de tela widescreen, o disco traz ainda galeria de entrevistas e excursão de Fama.



Filme recomendado: “Além da Eternidade”

História para anjos aprisionados

Lembram daquele filme, que tinha um casal muito apaixonado, aí o sujeito morria, e, voltava, para resolver as coisas? Ah! Tinha ainda uma música dos anos cinqüenta, muito bonita... Se pensaram em “Ghost”, erraram completamente. Estou falando de “Além da Eternidade”, com Richard Dreyfuss, e, Holly Hunter.

Para quem não sabe, este filme é a refilmagem de “A Guy Named Joe”, rodado em 1943, com Spencer Tracy e Irene Dunne, nos papéis principais. É um dos poucos casos em que a cópia fica melhor que o original.

De um filme para o outro, o que foi mudado foi a ambientação. Enquanto a história original acontecia no meio da guerra, “Além da Eternidade” mostra a luta dos bombeiros aéreos, para apagar incêndios nas florestas. Pete ( Richard Dreyfuss) é um piloto afoito, e, apaixonado pelo que faz, enquanto sua namorada Dorinda ( Holly Hunter) vive implorando para que deixe este trabalho perigoso. Numa destas vezes, Pete sofre um acidente, e, morre. Um anjo (Audrey Hepburn, numa de suas últimas aparições no cinema) leva-o de volta ao mundo, para que sirva de inspiração para um jovem piloto. Acontece que o rapaz está apaixonado por Dorinda, o que leva Pete a descobrir a sua real missão: resolver as pendências que deixou, ao morrer.

Este é um filme onde absolutamente tudo deu certo. A história é romântica, e, enternecedora. A dupla principal está afinadíssima, dando um “banho” de interpretação. As paisagens são belíssimas, e, as tomadas dos incêndios florestais, de tirar o fôlego. A música “Smoke Gets In Your Eyes”, grande sucesso de The Platters, de 59, casa lindamente com a história. E, ainda tem o divertido John Goodman fazendo o contraponto cômico do filme.

A comparação com “Ghost” é inevitável, devido às semelhanças entre os dois filmes, apesar de “Além da Eternidade” ter sido lançado um ano antes. A diferença fundamental está no tratamento dado aos personagens, e, à ideologia embutida nos filmes. Em “Ghost”, há uma atmosfera de sensualidade e violência, à flor da pele. Nele o “finado” Swayze investiga, e, vinga o próprio assassinato. Como é americano, branco, bonito, e, louro, vai para o céu, de qualquer jeito. Já o bandido, latino, moreno, e, feio, não escapa de ser arrastado pelas sombras do inferno.

“Além da eternidade” é bem diferente. Lutando contra as chamas infernais dos incêndios, via de regra para salvar os bombeiros, os personagens principais são angelicais. Todos são contidos, e, assexuados. O máximo que se vê são as traquinagens do recém-defunto Dreyfuss, aprontando com o amigo Goodman. Essa caraterística do filme fica visível na cena em que Dorinda, no aniversário da morte do namorado, veste o mesmo vestido branco, virginal, que este lhe presenteara, e, dança, sozinha, ao som de “Smoke Gets In Your Eyes”. Pete dança com ela, sem se tocarem, como anjos que são. Isso poderia ser classificado como piegas, e, quem o fizer, estará coberto de razão. Ridiculamente sentimental, diz o Aurélio, mas, maravilhosamente romântico.

O filme, nessa deliciosa pieguice, traz à tona a parte boa de nossas almas, que fica tão sufocada pelo materialismo desses dias atribulados que vivemos. Entre os ataques terroristas e denúncias de corrupção, deixamos de exercitar a fascinante característica humana de comover-se com o bom, o puro, o ético. Nada menos que a parte anjo, que existe dentro de cada um de nós.

Que tal assistir o filme, com o espírito aberto, sem reprimir as emoções, deixando aflorar o que quer que seja? Muitas vezes, precisamos usar a desculpa do filme água-com-açúcar, para liberar emoções aprisionadas. Vai ver que valerá à pena.

A edição latina em DVD vem com formato de tela Widescreen (graças a Deus!), áudio em inglês (DD 4.1), e, japonês (estéreo), legendas em português, espanhol, inglês, chinês, coreano e tailandês. Como extras, notas de produção, elenco e realizadores.

Algumas curiosidades: este foi o terceiro filme que Spielberg e Dreifuss fizeram juntos (antes houve “Tubarão” e “Contatos Imediatos de Terceiro Grau”), e, numa prova de que, às vezes a Vida é que imita a Arte, em 1989, houve um grande incêndio no famoso Parque de Yellowstone, cujas cenas foram registradas no filme. Holly Hunter alcançaria sua maioridade dramática pouco depois, com o magnífico filme “O piano”, que lhe rendeu um merecido Oscar.